Dono da Havan diz à PF não saber o que é impulsionamento no WhatsApp

Em depoimento, Luciano Hang voltou a negar envolvimento com disparos na campanha eleitoral

Brasília | UOL

O dono das lojas Havan, Luciano Hang, investigado no inquérito das fake news nas eleições, disse à Polícia Federal que sequer sabe o que é "impulsionamento de zap". É o que afirma seu advogado, Fábio Roberto de Souza.

"Falou que não sabe nem o que é isso de impulsionamento de zap", contou o defensor ao UOL nesta terça-feira (30), em mensagens intermediadas pela assessoria de imprensa da rede varejista.

"Jamais participamos ou enviamos qualquer coisa por zap ou qualquer outra rede. E, ao final, isto ficará provado."

Quando diz "zap", a defesa se refere ao aplicativo de troca de mensagens WhatsApp, usado como ferramenta para propaganda política ilegal em 2018.

Souza reforçou que a investigação da Polícia Federal "vem provando" que Hang não participou da distribuição em massa de propaganda negativa contra candidatos nas eleições, o que é proibido pela lei eleitoral.

"Nem a Havan, nem o Luciano Hang participaram desse envio, o que está ficando claro no inquérito."

O advogado não quis revelar quando foi feito o depoimento à PF. Hang foi um dos empresários apoiadores da candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) ao Planalto no ano passado.

Folha revelou em outubro do ano passado que empresários impulsionaram disparos por WhatsApp contra o PT durante a campanha eleitoral. A reportagem à época mostrava que a iniciativa incluía o uso de bases vendidas por agências de estratégia digital.

Souza acrescentou que Hang vai processar veículos de que comunicação que o colocaram como um dos empresários que compravam disparos em massa de propaganda nas eleições de 2018. Ele contou que o dono da Havan colocou isso em seu depoimento à polícia.

"Vai processar quem disse que ele fez isso, porque jamais fez e é inclusive o que o inquérito vem provando",continuou o defensor.

"Exigiremos os ressarcimentos devidos, a exemplo dos processos que já temos em trâmite contra veículos de imprensa que, irresponsável, mentirosa e criminalmente, nos associaram a isto."

Desde a publicação da reportagem, em 2018, Bolsonaro e aliados negaram qualquer tipo de envolvimento com o impulsionamento de disparos.

A Justiça Eleitoral abriu ação para apurar o assunto, mas até agora ninguém foi ouvido. O processo é relatado pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Jorge Mussi.

No mês passado, Bolsonaro afirmou: “Teve milhões de mensagens a favor da minha campanha, e talvez alguns milhões contra também."

Em junho, reportagem da Folha mostrou que, segundo o empresário espanhol Luis Novoa, dono da Enviawhatsapps, empresas brasileiras compraram seu software para fazer disparos em massa de mensagens a favor de Bolsonaro no WhatsApp.

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