Protestos defendem Moro e Deltan e atacam projeto contra abuso de autoridade

Ao menos 19 estados e o Distrito Federal realizaram manifestações neste domingo (25)

Marcelo Toledo
Ribeirão Preto

Ao menos 19 estados e o Distrito Federal realizaram neste domingo (25) manifestações contra o projeto de lei de abuso de autoridade, que foi aprovado pelo Congresso e aguarda sanção do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Foram registrados atos em todas as regiões do país. No Sudeste, ocorreram em São Paulo, Rio, Minas Gerais e Espírito Santo. No Sul, houve manifestações no Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, enquanto no Centro-Oeste os atos foram realizados em Goiás e no Distrito Federal.

Ato na avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (25)
Ato na avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (25) - Renato S. Cerqueira/Futura Press/Folhapress

Já no Nordeste, houve manifestações em Pernambuco, Paraíba, Piauí, Bahia, Maranhão, Rio Grande do Norte, Sergipe e Alagoas. No Norte, Pará, Amazonas e Tocantins sediaram protestos.

As manifestações foram convocadas por grupos como o Vem pra Rua, que pedem que o presidente vete o projeto sobre abuso de autoridade, mas não só isso.

Os atos também pedem a indicação do procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, à PGR (Procuradoria-Geral da República), o impeachment do ministro Dias Toffoli, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e a manutenção da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula (PT). Os manifestantes também declararam apoio ao ministro Sergio Moro (Justiça) e ao governo Bolsonaro.

Em São Paulo, o ato na avenida Paulista, no centro da cidade, contou com um boneco gigante do ex-juiz com a frase "Mexeu com o Moro, mexeu com o povo brasileiro".

No Rio, a orla de Copacabana foi o palco da manifestação. Durante o ato, o humorista Marcelo Madureira foi expulso de um carro de som após fazer críticas a Bolsonaro. Ele reclamou de um suposto acordo com o ministro do STF Gilmar Mendes para paralisar a Lava Jato. 

“Não tenho medo de vaias. Votei no Bolsonaro e vou criticar todas as vezes que for necessário”, disse ele, em discurso. “Como justificar uma aliança do Jair Bolsonaro com o Gilmar Mendes para acabar com a Operação Lava Jato? É isso que está acontecendo.”

O discurso foi interrompido por gritos de “fora” e “desce daí”. O humorista foi escoltado pela Polícia Militar até entrar em um táxi. 

Em Belo Horizonte, a praça da Liberdade, tradicional ponto de atos, abrigou o protesto. Em Vitória, a manifestação foi na praia de Camburi.

No Nordeste, o ato em Salvador ocorreu no Farol da Barra, de manhã, com caminhada até o Morro do Cristo. Em Maceió, também durante a manhã, aconteceu na praça Vera Arruda.

Já em São Luís, a rua em frente à sede da PF (Polícia Federal) reuniu os manifestantes por cerca de duas horas. Recife teve a avenida Boa Viagem como cenário do ato e, em Natal, a manifestação aconteceu no bairro Tirol.

Em Brasília, o palco foi o gramado em frente ao Congresso. Também no Centro-Oeste, a manifestação em Goiânia acontece na tarde deste domingo, com caminhada a partir da sede da PF.

Em Curitiba, capital da Lava Jato, a concentração ocorreu na Boca Maldita e, em Belém, uma caminhada iniciada na avenida Presidente Vargas marcou o protesto.

No último dia 14, a Câmara aprovou projeto que endurece punições para situações de abuso de autoridade de agentes públicos, entre eles juízes e promotores.

A proposta é alvo de polêmicas. De um lado, procuradores, juízes e policiais afirmam que pode abrir margem para punir quem combate o crime organizado e a corrupção. De outro, advogados e entidades de defesa dos direitos humanos argumentam que o projeto evita abusos e não pune quem age corretamente.

Para Deltan Dallagnol, procurador da da Lava Jato, o combate à corrupção no país está sob ataque por parte dos três Poderes da República.

Em entrevista à Gazeta do Povo na última quinta (20), ele disse que a Lava Jato e todos os mecanismos anticorrupção do Brasil estão ameaçados por ações do Congresso, do STF e do governo Bolsonaro. “A gente vê um movimento amplo [de enfraquecimento do combate à corrupção]. Não é um movimento restrito, não é uma pessoa ou duas. A gente vê um movimento que engloba o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”, disse.

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