Irmã Dulce esgota pacotes de viagem para o Vaticano; veja curiosidades

Ambulantes italianos arriscaram português para vender medalhinhas da primeira santa brasileira

Lucas Ferraz Michele Oliveira
Cidade do Vaticano

A cerimônia de canonização de Irmã Dulce, que neste domingo (13) se tornou a primeira santa brasileira após missa rezada pelo papa Francisco no Vaticano, contou com a presença de fiéis e políticos.

Leia curiosidades sobre o evento que transformou a baiana Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes (1914-1992) em Santa Dulce dos Pobres.

Preço macarrônico

Antes mesmo do início da celebração, ambulantes ofereciam medalhinhas com o rosto da Santa Dulce dos Pobres. “Muito barato”, repetiam alguns deles em um enroscado português. Ao custo de € 1 (R$ 4,50), as medalhinhas não tiveram boa saída, segundo um deles. Nas vias principais que levam ao Vaticano, um pacote de 12 rosários com a imagem da santa brasileira era vendido por € 6 (R$ 27).

Turismo da fé

Muitos devotos que assistiram à missa na praça São Pedro viajaram à Itália com pacotes de agências de turismo. Deolinda Oliveira, funcionária de uma operadora de Salvador, acompanhava um grupo de 108 pessoas, que pagaram entre R$ 8.000 e R$ 11 mil cada um, por oito dias no país, com visita a outras cidades que atraem religiosos, como Assis, terra de São Francisco. Ela calcula que cerca de 3.000 pessoas em Salvador tenham vindo com agências. “Todas as vagas se esgotaram e não vendemos mais por falta de lugar na parte aérea."

Vai pela sombra

Os políticos brasileiros que não integravam a comitiva oficial do governo chegaram à praça São Pedro para a cerimônia caminhando, enquanto os da comitiva foram de carro. O senador Ciro Nogueira (PP-PI), acompanhado da mulher, foi um dos primeiros: ele entrou na área reservada às 8h05 (horário local, 3h05 em Brasília), mais de duas horas antes da missa.

Me representa

O deputado federal Augusto Coutinho (Solidariedade-PE), como os demais, acompanhados pela mulher, foi um dos parlamentares que pegou corona no avião da FAB (Força Aérea Brasileira) que levou Mourão –ele ficou na plateia, não junto à comitiva oficial, que viu a missa ao lado do altar papal. Indagado sobre a razão da viagem, o pernambucano alegou que a canonização da baiana era “muito importante para o Nordeste”.

Recado divino

O senador baiano Angelo Coronel (PSD-BA), também acompanhado pela esposa, deixou o Vaticano dizendo-se impressionado com a ausência de menção nominal do papa ao vice-presidente Hamilton Mourão —o pontífice mencionou apenas 2 dos 5 chefes de delegações: o presidente da Itália, Sérgio Mattarella, e o príncipe Charles. “Parece ter sido um recado claro ao Brasil e à maneira que o país está sendo governado”, disse.

Esquenta

Quando muitos ainda chegavam à praça, por volta das 8h50 (horário local), a cantora baiana Margareth Menezes e o sanfoneiro cearense Waldonys usaram o microfone principal da cerimônia para apresentarem “Doce Luz”, canção dedicada à Irmã Dulce. Com o som ruim, pouca gente percebeu. A animação só ocorreu mesmo após a missa, quando, na rua principal que leva à basílica, os dois foram cercados por fãs e cantaram juntos. Margareth, aniversariante do dia, ganhou parabéns e se emocionou.

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