Negros são mortos por policiais por serem maioria no tráfico, diz Coronel Tadeu, do PSL

Deputado é acusado de racismo por ter quebrado placa que denunciava mortes de jovens negros por policiais

Brasília

O deputado que, nesta terça (19), quebrou uma placa em uma exposição da Câmara em homenagem à Consciência Negra afirmou que as mortes de jovens negros por policiais podem ser explicadas pela maior presença de negros no tráfico de drogas. 

"O tráfico absorve uma boa parte das pessoas que moram nas comunidades, e a maioria dessas pessoas é de origem negra. Então, portanto, o resultado disso é que, em confronto com policiais, as [pessoas] que estão no tráfico acabam sendo vitimadas no confronto. E aí, se a maioria é negra, o resultado só pode ser esse", afirmou Coronel Tadeu (PSL-SP) à Folha

O deputado Coronel Tadeu (PSL/SP)
O deputado Coronel Tadeu (PSL/SP) - Luis Macedo - 12.mar.19/Câmara dos Deputados

A placa em questão trazia uma charge denunciando mortes de jovens negros pela polícia. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2019 mostram que 75,4% dos mortos em intervenções policiais são negros. 

Coronel Tadeu afirmou que não teme ser punido no Conselho de Ética. Acusado de racismo pela oposição, disse que não tem atitudes racistas. 

"Claro que eles [a oposição] faz o jogo deles, e eles vão me acusar de racista, fascista, tudo que é 'ista'. Eu não preciso estar bem com eles, eu preciso estar bem com minha consciência", afirmou. 

Placa quebrada pelo deputado Coronel Tadeu (PSL-SP), com charge que compunha exposição sobre Dia da Consciência Negra na Câmara
Placa quebrada pelo deputado Coronel Tadeu (PSL-SP), com charge que compunha exposição sobre Dia da Consciência Negra na Câmara - Pedro Ladeira/Folhapress

O sr. se arrepende de ter retirado o cartaz?
Não, de forma alguma. Se eu soubesse do ofício [protocolado por Capitão Augusto para a retirada do cartaz] teria esperado o resultado. 

O sr. disse que quem foi alvo de racismo foram os policiais. Mas o Fórum Brasileiro de Segurança Pública publicou em 2019 dado que mostra que 75,4% dos mortos em intervenções policiais são negros. Como o sr. explica?
A população negra é maior que a população branca, então isso é natural. E outra: você precisa considerar que muitos dados desses... Eu não vou discutir, vamos imaginar que seja isso mesmo. 

Nós temos uma predominância da raça negra sobre a raça branca, então realmente é natural que o maior número de pessoas sejam negras. Inclusive a própria Polícia Militar estatisticamente tem sua maioria negra [segundo o Anuário da Segurança Pública de 2019, as forças policias são 34% negras].

Mas a população brasileira é 55,8% negra, segundo o IBGE. Ainda assim há uma discrepância nas porcentagens.
É a falta de oportunidade para eles. Eu estou o tempo todo defendendo essas pautas [contra o preconceito]. 

Só que nós não podemos criar uma segmentação. Como deputado eu tenho de trabalhar, e eu trabalho justamente para promover mais igualdade nesse país. Porque nós sabemos que a distribuição de renda é muito desigual, as pessoas mais pobres precisam ter mais oportunidade. 

E o que poderia ser feito no âmbito da segurança pública para diminuir o fato de que negros são mais vitimados pela violência e por ações policiais?
Na segurança pública infelizmente nada, porque a Polícia Militar não sai caçando as pessoas. 

Ela já está nas ruas, ela se depara com um fato criminoso. A polícia está o tempo todo em cima da lei e, quando sai fora da lei, ela também sofre as consequências. 

 

O deputado Daniel Silveira [PSL-RJ] disse que mais negros morrem porque há "mais negros com arma, mais negros cometendo crime, mais negros confrontando a polícia". O sr. concorda com essa afirmação?
O tráfico absorve uma boa parte das pessoas que moram nas comunidades, e a maioria dessas pessoas é de origem negra. 

 
 

Portanto, o resultado disso é que, em confronto com policiais, as [pessoas] que estão no tráfico acabam sendo vitimadas. E aí, se a maioria é negra, o resultado só pode ser esse." 

Nesta terça saiu um relatório da Polícia Civil do Rio de Janeiro que mostra que a bala que matou a menina Agatha Felix saiu da arma de um policial e ricocheteou. Como o sr. viu isso?
Eu tenho certeza que seja lá quem foi que disparou esse projétil não queria matar ninguém, a não ser seu oponente. 

O sr. acha que é possível que os partidos de oposição consigam alguma punição contra o sr. no Conselho de Ética?
Não, porque eles fizeram uma exposição, expuseram a opinião deles e eu a minha. 

Eles fizeram uma exposição em forma de protesto, e eu fiz um protesto com a minha atitude. 

Enquanto o sr. estava na Mesa Diretora, o presidente Rodrigo Maia afirmou que o caso foi grave e pediu que não se repita. O sr. conversou com ele?
Não conversei. Eu simplesmente pedi a palavra para ele após ele ter falado, apenas para esclarecer aos parlamentares. 

Todos me conhecem e todos sabem que eu sou de uma capacidade de diálogo gigante. 

A própria esquerda, eles me diferenciam por ser uma pessoa que está num partido de direita mas que em nenhum momento fecho as portas para diálogo. 

Nesse caso, quem sabe poderia ter sido feito de maneira diferente, mas o que de fato precisava era aquele cartaz ser retirado. Ali eles estavam realmente praticando uma agressão. 

O sr. está sendo acusado de racismo. O que tem a dizer sobre isso?
De forma alguma. Eu nunca fui racista. 

 

Meus colegas de infância são uma maioria da raça negra, meus amigos são da raça negra e eu sinto bastante orgulho de ter essas pessoas próximas a mim. 

Claro que eles [a oposição] faz o jogo deles e eles vão me acusar de racista, fascista, tudo que é "ista". 

Eu não preciso estar bem com eles, eu preciso estar bem com minha consciência. Eu durmo tranquilo.  

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