Descrição de chapéu Coronavírus

Imagens mostram a mudança da fisionomia do ministro que lidera ações contra coronavírus

Titular da Saúde, Mandetta ganhou destaque em meio às medidas contra a doença; pasta teve avaliação melhor do que Bolsonaro

São Paulo

O avanço do novo coronavírus colocou em destaque neste ano um ministro que se mantinha alheio às usuais polêmicas do Palácio do Planalto.

Luiz Henrique Mandetta foi o 10º nome anunciado, no dia 20 de novembro de 2018, pelo então presidente eleito Jair Bolsonaro, hoje sem partido. Na época, o médico ortopedista era deputado federal pelo DEM e eleito pelo Mato Grosso do Sul.

“Estamos aqui como soldados para a gente saber qual o melhor caminho para enfrentar a batalha”, disse Mandetta, pouco depois do anúncio.

Imagens selecionadas pela Folha mostram a mudança da fisionomia do ministro desde então.

O ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta desde o anúncio do cargo até hoje - Keiny Andrade, Frederico Brasil, Anderson Lira e Guilherme Rodrigues/Folhapress

Com passagem pelo Hospital Militar e pelo Hospital Geral do Exército de Campo Grande, o ministro era apoiado pelos correligionários Ronaldo Caiado e Onyx Lorenzoni —hoje governador de Goiás e ministro da Cidadania, respectivamente.

Segundo pesquisa Datafolha, o ministério que Mandetta coordena é mais bem avaliado que o presidente da República na crise do coronavírus.

Dos 1.558 entrevistados entre 18 e 20 de março, 55% aprovam o trabalho da pasta da Saúde. Já Bolsonaro tem sua gestão da pandemia aprovada por 35%.

Em seu terceiro pronunciamento em rádio e televisão sobre a crise do novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro criticou nesta terça (24) o fechamento de escolas e comércio para combater a epidemia, atacou governadores e culpou a imprensa pelo que considera clima de histeria instalado no país.

​O presidente afirmou que desde o início da crise o governo se preocupou em conter o "pânico e a histeria" e voltou a minimizar a gravidade da Covid-19 ao compará-la a uma "gripezinha" ou "resfriadinho".

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), qualificou a fala de Bolsonaro como equivocada e sugeriu à população seguir as orientações da pasta de Mandetta.

"Cabe aos brasileiros seguir as normas determinadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pelo Ministério da Saúde em respeito aos idosos e a todos que estão em grupo de risco", afirmou Maia.

Neste domingo (22), em entrevista à CNN Brasil, Bolsonaro afirmou que Mandetta havia exagerado e usado palavras inadequadas. Ele se referia à declaração de que, em abril, o sistema de saúde entrará em colapso.

Nos bastidores, Bolsonaro cobrou do médico um discurso mais afinado ao do Palácio do Planalto no combate à pandemia do coronavírus.

O presidente se irritou, de acordo com auxiliares próximos, com o fato de Mandetta não tê-lo defendido, em entrevistas à imprensa, por ter participado de manifestação a favor do governo em Brasília em meio à crise do coronavírus —a recomendação da pasta era para evitar aglomerações.

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