Após decisão judicial, movimentos mudam ato anti-Bolsonaro da Paulista para Largo da Batata

Protesto em oposição ao governo estava agendado para as 14h em frente ao Masp

São Paulo

Após decisão judicial desta sexta-feira (5), que proibiu atos contra e a favor de Bolsonaro no mesmo local e horário, movimentos mudaram ato anti-Bolsonaro para o Largo da Batata.

O protesto em oposição ao governo estava agendado para as 14h em frente ao Masp, na avenida Paulista.

Na decisão judicial, o juiz Rodrigo Galvão Medina diz que a medida tem por objetivo evitar “confrontos e prejuízos decorrentes desta realidade, zelando as autoridades administrativas competentes para que tal empreitada possa ter seu efetivo sucesso”.

O magistrado, do Tribunal de Justiça de São Paulo, atendeu a um requerimento da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo. Na decisão, são citados grupos que estarão impedidos de promover os protestos. São movimentos de direita e de esquerda.

Na lista estão os grupos "Atos Antifascismo", "Democracia", "Pedalada Antifascista", "Mais Democracia", "Ato Antifascista", "Torcida Organizada", "Mancha Verde", "Torcida Independente", "Torcida Jovem", “Gaviões da Fiel", "Secundaristas em Luta", "Canal Secundaristas", "Democracia, fascismo, racismo e Homofobia, LBTQA", "Vidas Pretas Importam", “BRASIL CONTRA O COMUNISMO", “Movimento Juntos Pela Pátria”, “Damas de Aço” e “Guerreiras do Sudoeste”.​

Em nota, o movimento Somos Democracia, ativistas do movimento negro e da Frente Povo Sem Medo afirmam que haverá distribuição gratuita de máscaras e álcool em gel e reforço do distanciamento de 1,5 metro durante o ato.​

Após a decisão judicial, o local do protesto foi alterado para "evitar qualquer confronto com a polícia e manter a integridade dos manifestantes", afirma Danilo Pássaro, líder do movimento Somos Democracia.

A ideia é que o ato seja curto, com cerca de 2 horas, e que permaneça no largo. "Vamos fazer uma manifestação rápida, manter o nosso objetivo, que é disputar a narrativa, e trabalhar em conformidade pra diminuir ao máximo o risco de contágio de coronavírus", disse Pássaro.

O governo do estado de São Paulo terá um esquema reforçado de policiamento nos atos deste domingo, especialmente no Largo da Batata e na avenida Paulista, onde devem se manifestar grupos bolsonaristas, em frente à Fiesp. Mais de 4.000 policiais serão envolvidos.

Também serão utilizados três helicópteros, seis drones, 150 viaturas, quatro veículos guardiões e um veículo lançador de água.

No último domingo (31), um ato contra Bolsonaro convocado por torcidas organizadas acabou sendo dispersado por bombas de gás lançadas pela PM. Na avenida Paulista, também havia uma manifestação a favor de Bolsonaro e houve conflito entre as partes.

Para evitar que isso se repetisse, a PM tentou fazer com que um dos lados aceitasse mudar o dia ou o local da nova manifestação, mas não houve consenso nas reuniões.

As autoridades chegaram a sugerir que bolsonaristas se manifestassem na região do Ibirapuera, onde já existe um acampamento desses grupos, mas eles não aceitaram. Diante do impasse, havia ficado acertado que os dois atos ocorreriam no domingo.

No começo da semana, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), havia dito que não permitiria mais duas manifestações no mesmo local e na mesma hora.

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