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24/03/2013 - 03h00

"SP tem exemplos do que não deve ser feito", diz fundador da Abrinq

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LETÍCIA MORI
DE SÃO PAULO

Nascido em Israel e morador de São Paulo há 50 anos, Oded Grajew, 68, fez carreira na capital.

Criador da marca Grow, ele iniciou forte atuação no terceiro setor nos anos 1990. Desde então fundou a Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos), foi presidente do Instituto Ethos e idealizador do Fórum Social Mundial.

Hoje, ele é coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo, que em janeiro divulgou a quarta edição da pesquisa Irbem, na qual os paulistanos avaliam o nível de satisfação com a metrópole.

Para Grajew, São Paulo é exemplo de como não construir uma cidade. Mas ele diz acreditar que os principais problemas têm solução. "É preciso vontade política e competência."

*

ABAIXO, CONFIRA ENTREVISTA COM ODED GRAJEW:

sãopaulo - O empresário paulistano é interessado no terceiro setor?
Oded Grajew - Menos interessado e menos participativo que o necessário. Se houvesse integração maior dos empresários com as organizações da sociedade civil, São Paulo seria uma cidade menos desigual. A cidade tem carências, mas pela pujança econômica poderia ser muito melhor.

Como envolver o empresário?
O empresário com um mínimo de consciência tem de se sentir mal se não estiver fazendo nada, já que tem recursos e competência. Além da gratificação pessoal, melhorando a sociedade você melhora o ambiente dos negócios. Pobreza, desigualdade, falta de educação e de saúde não geram um ambiente propício para os negócios.

O sr. foi idealizador do Fórum Social Mundial, cujo lema é "um outro mundo possível". Qual é a outra São Paulo possível?
A percepção do paulistano sobre a qualidade de vida é muito ruim e 56% das pessoas mudariam de cidade se pudessem. Então, a outra São Paulo possível é uma cidade onde as pessoas queiram ficar na cidade, não queiram abandonar.

Qual deveria ser a meta do prefeito?
Diminuir a desigualdade. Dos 96 distritos da cidade, quase a metade não tem biblioteca, parque, hospital. Os empregos estão ultraconcentrados. As pessoas têm de se deslocar por uma enorme distância para ter trabalho e acesso a serviço público, o que piora a mobilidade.

Qual é o papel das subprefeituras?
Em todas as grandes cidades do mundo, cada parte é administrada separadamente com orçamento próprio. O papel das 31 subprefeituras de São Paulo é fundamental, se for dado recurso.

O que São Paulo pode importar de outras cidades?
Uma priorização total e absoluta para o transporte coletivo, como Londres, Paris, Nova York e Bogotá fizeram. Desenvolver o transporte alternativo, via bicicleta. E descentralizar a administração.

E o que poderia exportar?
O que pode exportar é o que não deve ser feito. É mostrar a experiência negativa de se construir uma cidade focada no transporte individual, que abandonou a periferia e onde se deu liberdade absoluta à especulação imobiliária.

 

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