Saltar para o conteúdo principal

Publicidade

Publicidade

 
  Acompanhe a sãopaulo no Twitter
17/07/2011 - 08h02

A casa indie

Publicidade

ADRIANA KÜCHLER
COLUNISTA DA sãopaulo

Sociedade alternativa ocupa casarão na Liberdade com shows de graça, armários coletivos e moeda própria

Christian von Ameln/Folhapress
Moradores e visitantes da Casa Fora do Eixo no quintal onde rolam festas aos domingos
Moradores e visitantes da Casa Fora do Eixo no quintal onde rolam festas aos domingos

Todo domingo, umas 200 pessoas se reúnem nos fundos de uma casa na Liberdade para ver shows de várias bandas independentes, com direito a churrasco e cerveja, tudo de graça.

Na residência, moram e trabalham 18 pessoas, vindas de vários cantos do país -fora os 150 hóspedes mensais que passam por lá.

A Casa Fora do Eixo hoje é um lar "físico", mas tudo começou na internet. É claro. Promotores de eventos de Cuiabá (MT), Uberlândia (MG), Londrina (PR) e Rio Branco (AC), que se sentiam fora do circuito SP-Rio, criaram um coletivo para compartilhar bandas e experiências há cinco anos. O projeto cresceu pelo país e eles acabaram montando uma sede em SP.

Christian von Ameln/Folhapress
Integrantes das bandas Black Drawing Chalks e Hellbenders: hóspedes
Integrantes das bandas Black Drawing Chalks e Hellbenders: hóspedes

"A gente decidiu entrar no eixo também. Fora do eixo agora é só um estado de espírito", conta a cuiabana Dríade Aguiar, moradora da "Cafe".

Para escolher a sede, antigo lar de uma família coreana, o grupo mapeou 120 casas. Pré-requisitos: salas amplas para trabalhar, muitos quartos (são oito) e um lugar grande para festas.

No melhor estilo "viva a sociedade alternativa", ali tudo é de todo o mundo. Cada um tem suas roupas, mas boa parte das peças fica num armário coletivo. Entre as moças, maquiagens, bijuterias e outros fru-frus são de uso coletivo. "Os meninos ficam com inveja porque a gente tem mais opções", brinca Dríade.

A casa funciona também como um mini-hotel musical, onde se tropeça com um vocalista de uma banda na cozinha e com o baterista de outra no quintal. No dia da visita, estavam hospedados por lá os grupos Black Drawing Chalks (GO), Hellbenders (GO) e Vendo 147 (BA).

Christian von Ameln/Folhapress
Músicos do grupo Vendo 147
Músicos do grupo Vendo 147

Os gastos dos 18 têm que ser registrados num caderno. O lema para fechar as contas é "economizar no desperdício para investir na estratégia". Ou seja, todo o mundo tem MacBooks e iPhones, mas as idas ao McDonald's são controladas. "Claro que tem lanchonete, mas não pode ir muito. Ou a gente vai à falência", diz Carolina Tokuyo, de São Carlos.

Para encher o cofrinho, a trupe tem três fontes de renda principais: a promoção de eventos, o cachê dos artistas que agenciam (um "casting" de 120 bandas) e editais culturais.

Christian von Ameln/Folhapress
Aurélio e Seus Cometas: apresentação ao vivo transmitida pela internet
Aurélio e Seus Cometas: apresentação ao vivo transmitida pela internet

O projeto da Casa acaba de ser pré-selecionado pelo Fundo Internacional para a Diversidade Cultural da Unesco. Se aprovado, a turma pode ganhar até US$ 100 mil. Ousado, o grupo começa a implantar sua moeda própria, "a fora do eixo card", que bandas e prestadores de serviços vão trocar em lojas e empresas parceiras.

Além da festa de domingo, carinhosamente apelidada de "churrasco da firma indie", eles promovem o projeto Cedo e Sentado, no Studio SP, e apresentações diárias de bandas que são transmitidas ao vivo pela internet.

Para participar da bagunça hoje, é só chegar. Quer dizer, é preciso mandar e-mail para contato@foradoeixo.org.br. Apenas uma formalidade, explica Dríade. Uma das poucas que existem por lá.

-

DESCOMPRIMINDO
A Casa das Caldeiras recebe em setembro um novo evento da onda sustentável, o "contem". Na programação, aulas de culinária, com dicas para não desperdiçar alimentos, exposição de moda e filmes com temas ambientais. Na entrada, um jardim com espécies nativas, chamado de "área de descompressão".

*

FRACASSE MELHOR
Uma especialista em fracassos, Cass Phillips, organizadora da Fail Conference, é a atração da "Expo Y", que acontece de amanhã a quarta no pavilhão da Bienal. Com foco na "cultura de negócios" para a geração Y, o evento terá palestras como "Hype: Fantasia x Realidade", "Numerologia para Negócios" e "Sou Y, Sou Foda".

 

Publicidade

Publicidade

Publicidade


 

Voltar ao topo da página