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Construtoras esperam alta em vendas estimulada por juro menor

Recentes anúncios da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil animam setor

Gilmara Santos
São Paulo

Os recentes anúncios da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil de redução nos juros do financiamento imobiliário estão animando o setor, e as construtoras já esperam aumento nas vendas de imóveis novos.

O presidente da MRV Engenharia, Eduardo Fischer, estima um crescimento de até 50% na procura por apartamentos, diante de maior verba para empréstimos.

A Caixa, que detém mais de 70% do crédito habitacional no país, vai trocar a correção das parcelas do financiamento da TR, a Taxa Referencial, hoje zerada, pelo IPCA, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, que deve somar 3,82% neste ano. 

Em troca, o banco vai retirar suas próprias taxas, que acabam por onerar os empréstimos concedidos. A estimativa é que os juros cobrados na linha SFH (Sistema Financeiro de Habitação) caiam para 6% anuais. Hoje estão em 8,5%. O SFH abrange imóveis até R$ 1,5 milhão e permite o uso do FGTS. 

A mudança já havia sido confirmada pelo presidente da Caixa, Pedro Guimarães, e, após ser aprovada pelo Conselho Monetário Nacional, deve ser anunciada oficialmente na terça-feira (20). Já o Banco do Brasil baixou desde o último dia 5 a taxa mínima nos empréstimos da linha SFH de 8,49% para 8,29%. 

Os anúncios geraram expectativa de que os bancos privados acompanhem o movimento. Oficialmente, as instituições não confirmam.

O Santander, que tem hoje a menor taxa do setor, a partir de 7,99% ao ano mais TR, diz observar o mercado. “Por enquanto não teremos nova redução, mas estamos sempre revisando com base nos concorrentes e à luz da economia”, afirma Paulo Duailibi, superintendente-executivo de negócios imobiliários. 

A diretora do Itaú Unibanco, Cristiane Magalhães, também diz não haver previsão de corte nos juros da instituição, que hoje começam em 8,3% ao ano mais TR. 

Para especialistas, a redução dos juros beneficia o setor também ao ampliar o público potencial dos novos empreendimentos, já que diminui a renda mínima necessária para adquirir o crédito. 

O presidente da Danpris Construtora, Dante Seferian, diz já considerar as novas taxas na hora de vender. “Temos um empreendimento com apartamentos vendidos entre R$ 215 mil e R$ 230 mil. Antes, era necessária comprovação de renda de R$ 3.800. Com as novas taxas, famílias com renda de R$ 3.000 já conseguem se enquadrar.”

O diretor financeiro da construtora Tarjab, Vladimir Alves da Silva, também tem boas expectativas. “A mudança vai fomentar as vendas, porque o mercado imobiliário é movido a crédito.”

Além disso, se a Caixa confirmar os juros anuais de 6%, o modelo de empréstimo será mais atrativo que o da faixa 3 do Minha Casa Minha Vida, que contempla famílias com renda acima de R$ 7.000. 

A tendência é que o valor da prestação de um empréstimo para adquirir um imóvel comece a competir com a quantia paga pelo aluguel, avalia Emilio Kallas, vice-presidente do Secovi-SP.

Mas a redução da taxa de juros não significa necessariamente que o financiamento ficará mais barato. Tudo depende da inflação, alertam economistas.

Cálculos feitos por Rafael Sasso, da plataforma Melhor Taxa, mostram que, considerando a inflação atual, o financiamento de um imóvel com eventual taxa de 6% da Caixa ficaria mais caro do que emprestar o mesmo valor do Santander, com juros de 7,99%. 

Uma simulação feita para a compra de um imóvel de R$ 300 mil mostra um custo extra de R$ 180 na parcela mensal sob o novo modelo.

Para Daniele Akamine, da Akamines Negócios Imobiliários, a vantagem da correção pelo IPCA é que o índice é usado também para a correção do salário, portanto, o aumento na prestação seria semelhante ao reajuste salarial. 

A desvantagem é que o cliente fica muito exposto às crises internas e externas.“O risco é grande porque é um contrato de longo prazo, de 30 anos.”

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