Rival do WhatsApp, Telegram vai lançar sua criptomoeda

Crédito: Dado Ruvic - 18.nov.2015/Reuters Usuários do aplicativo de mensagens instantâneas russo Telegram
Usuários do aplicativo de mensagens instantâneas Telegram

DO "FINANCIAL TIMES"

O app de mensagens russo Telegram vai aderir à mania do blockchain lançando uma criptomoeda neste ano, com uma "oferta inicial de moeda" (ICO) que pode arrecadar até US$ 500 milhões.

O rival do WhatsApp, que diz que pretende ultrapassar a marca mundial dos 200 milhões de usuários neste ano, quer levantar dinheiro para ajudar a criar uma plataforma que usará o blockchain, a tecnologia que serve de base às criptomoedas, e poderia permitir que os usuários do app realizassem pagamentos via Telegram, de acordo com planos vistos pelo "Financial Times".

O projeto, chamado Telegram Open Network, reportado inicialmente pelo site de notícias tecnológicas "TechCrunch", seria o primeiro serviço de mensagens ocidental a seguir a trilha do WeChat Pay, um app de imenso sucesso na China que integra um serviço de pagamentos ao serviço de mensagens WeChat.

O QUE SÃO CRIPTOMOEDAS?
O que são e para que servem

Diferentemente do WeChat Pay, o projeto do Telegram não será hospedado em servidores centralizados e tampouco vinculado a uma moeda controlada por um governo, como o yuan chinês.

Diversas empresas conhecidas, entre as quais algumas sem conexão clara com o setor, expressaram interesse em levantar capital via ICOs, devido ao interesse cada vez mais intenso pelas criptomoedas e ao imenso salto de preço do bitcoin.

As ações da Kodak, companhia de fotografia que enfrenta sérios problemas, mais que dobraram na terça-feira (9) depois que ela anunciou que criaria um registro de blockchain para proteger os direitos de imagem dos fotógrafos.

A ICO do Telegram pode superar o recorde atual do segmento, estabelecido no ano passado pelo registro de blockchain FileCoin, que arrecadou US$ 257 milhões.

Uma ICO permite que empresas arrecadem fundos ao emitir vales digitais, em geral cotados em outras criptomoedas, como o bitcoin ou o ether.

Pavel Durov, presidente-executivo do Telegram, que não respondeu a pedidos de comentário, se interessa há muito tempo pelo assunto —e adquiriu 2.000 bitcoins há cinco anos, quando a moeda virtual estava cotada a US$ 750. Agora, os bitcoins que ele adquiriu valem US$ 28 milhões.

Durov, 33, deixou a Rússia em 2014, em razão do que ele definiu como pressão do Kremlin para censurar e controlar o VK, o clone do Facebook fundado por ele e que continua a ser a rede social mais popular da Rússia. Ele recentemente se estabeleceu no Dubai, depois de anos viajando com a equipe do Telegram pelo mundo.

O Telegram é popular tanto entre os libertários da comunidade do blockchain quanto junto a pessoas que usam seus sistemas criptográficos para evitar vigilância.

A proposta de ICO foi a primeira vez que o Telegram expressou interesse em arrecadar capital de fontes externas.

Durov havia declarado que banca o app com o dinheiro obtido da venda de suas ações no VK, hoje controlado por Alisher Usmanov, um oligarca simpático ao Kremlin e um dos primeiros investidores do Facebook. Usmanov também é o maior acionista do clube de futebol inglês Arsenal.

A proposta do Telegram informa que sua criptomoeda, conhecida como Gram, será colocada em pré-venda no começo de 2018, sob uma escala móvel de preços começando em US$ 0,10. O app também está considerando vender blocos maiores de sua criptomoeda a investidores institucionais, com pagamento em moedas convencionais.

O app planeja investir US$ 400 milhões, ou 80% do montante que planeja arrecadar, para manter os níveis de investimento projetados pelo Telegram para os próximos três anos com o objetivo de elevar sua base de usuários.

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Tradução de PAULO MIGLIACCI

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