Para 54%, fornecimento de dados pessoais deve gerar recompensa

Estudo mostra que um em três adultos tem uma boa ideia das informações que as empresas têm

Paula Soprana
São Paulo

Um levantamento da consultoria global Ipsos, em parceria com o Fórum Econômico Mundial, mostra que 54% das pessoas concordam que deveriam ser pagas ou receber alguma recompensa pelo fornecimento de dados pessoais a empresas.

O relatório, divulgado com exclusividade pela Folha, foi elaborado com questionários a 18.813 pessoas em 26 países. Ele aborda o conhecimento dos cidadãos em relação à coleta e ao tratamento de dados pessoais.

Segundo o Ipsos, as pessoas “estão no escuro” sobre como os setores público e privado lidam com esses registros.

Pessoas usam celular no metrô de São Paulo; 31% dos brasileiros entrevistados dizem não se importar com a coleta de dados
Pessoas usam celular no metrô de São Paulo; 31% dos brasileiros entrevistados dizem não se importar com a coleta de dados - Folhapress

“Na maior parte dos países, os cidadãos tendem a não confiar que empresas e governos usam as informações da ‘forma certa’”, diz o relatório.

O Ipsos não detalha como seria a dinâmica da recompensa financeira.

Diego Pagura, diretor da consultoria no Brasil, diz que a percepção é de que os benefícios recebidos em troca do fornecimento de dados —como acesso gratuito a serviços de internet e a redes sociais —são encarados como “insuficientes” pela maior parte dos entrevistados.

“Uma coisa é a possibilidade de se conectar com pessoas e conteúdos, outra é as empresas e os governos utilizarem os dados para fins que as pessoas desconhecem. A conclusão é de que o consentimento e a garantia de alguma recompensa geram segurança", diz. 

Apenas um a cada três adultos tem uma boa ideia da quantidade de informações que as companhias detêm sobre eles, e 32% dizem saber o que elas fazem com os dados. 

A confiança de cada pessoa em relação ao tratamento de dados feito pelo governo de seu país é baixa (39%) e menor quando se trata de governos estrangeiros (20%).

Além dos 54% que dizem merecer alguma recompensa, 62% defendem a possibilidade de recusar o fornecimento de dados pessoais.

 

No Brasil, 60% dos entrevistados disseram que os consumidores têm direito de escolher se seus dados serão ou não coletados e utilizados por empresas e 59% defendem recompensa financeira ou outro tipo de benefício pelo fornecimento de seus dados.

Para 47% dos brasileiros entrevistados, a coleta é válida se ajudar os consumidores a “ganhar tempo” e a poupar dinheiro (38%); 31% disseram que não se importam com a coleta.

Segundo a Ipsos, esses casos incluem o fluxo entre empresas que não pedem autorização para a coleta. Há uma série de empresas que coletam dados de serviços digitais e fontes públicas e vendem as bases a terceiros.

Pagura destaca que as redes sociais não são as únicas empresas que vêm à mente das pessoas em relação à privacidade, apesar de elas protagonizarem as discussões.

Uma pesquisa semelhante, divulgada em janeiro pelo Pew Research Center, já demonstrava que o conhecimento em relação ao uso de dados é baixo.

O instituto questionou americanos inscritos no Facebook sobre o perfilamento que a empresa faz de cada usuário. 

Esse modelo de negócios é baseado no direcionamento de anúncios, feito a partir de hábitos de navegação e de consumo. 

Mesmo que o Facebook explique por que a pessoa está vendo aquela peça publicitária, 74% não sabiam dessa segmentação —que suas curtidas contribuem para a previsão sobre sua orientação política, por exemplo.

Dos entrevistados, metade afirmou não se sentir confortável ​​com a categorização, mesmo que para 59% as representações correspondessem à realidade.

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