Descrição de chapéu Financial Times

Facebook dobra gastos com segurança de Mark Zuckerberg

Presidente-executivo recebeu em R$ 87,7 milhões em 2018

Hannah Murphy
San Francisco | Financial Times

O valor total da remuneração de Mark Zuckerberg quase dobrou em 2018, para US$ 22,6 milhões (R$ 87,72 milhões), depois que "sentimentos negativos" associados ao Facebook e ao seu presidente-executivo resultaram em alta dramática no custo de sua segurança pessoal, de acordo com documentos financeiros submetidos pela companhia às autoridades americanas na sexta-feira (12).

O aumento dos pagamentos foi revelado em documentos apresentados pela companhia às autoridades regulatórias, que também revelaram mudanças na composição de seu conselho. Dois integrantes veteranos do conselho, Reed Hastings, presidente-executivo da Netflix, e Erskine Bowles, figura política do Partido Democrata, deixarão seus postos em maio, enquanto Peggy Alford, presidente-executiva do PayPal, passará a integrá-lo.

Zuckerberg tem um salário básico anual de US$ 1, de acordo com os documentos. Mas sua remuneração total, que inclui custos de viagem e segurança, subiu a US$ 22,6 milhões no ano passado, ante US$ 9,1 milhões em 2017.

O aumento se deve principalmente a uma alta de 32% no custo da segurança pessoal "em suas residências e em viagens pessoais", para quase US$ 10 milhões, ante US$ 7,6 milhões em 2017. O pacote também inclui mais US$ 10 milhões —sem impostos—, para cobrir os custos de segurança pessoal de Zuckerberg e de sua família, e os custos de viagens em aviões privados, que subiram de US$ 1,5 milhão em 2017 para US$ 2,6 milhões em 2018.

Em comparação, Jeff Bezos, presidente-executivo e fundador da Amazon, recebeu US$ 1,6 milhão para cobrir seus arranjos de segurança em 2018, enquanto Dara Khosrowshahi, presidente-executivo da Uber, recebeu pouco mais de US$ 2 milhões para esse fim, de acordo com informações prestadas por suas empresas às autoridades.

A noticia surge em um momento no qual o Facebook vem sofrendo críticas intensificadas da parte do público e das autoridades, depois do escândalo da Cambridge Analytica, que envolvia o uso indevido de informações de consumidores, e pelo medo de que a companhia não esteja fazendo o bastante para conter a difusão de conteúdo nocivo e desinformações por meio de seus apps.

"Acreditamos que o papel de Zuckerberg o coloque em posição única: ele é sinônimo do Facebook e, como resultado, os sentimentos negativos dirigidos à nossa empresa são muitas vezes associados, e transferidos, a Zuckerberg", afirmou a companhia nos documentos.

"Zuckerberg é um dos executivos mais reconhecidos do planeta, em grande parte por conta do tamanho de nossa base de usuários e de nossa exposição continuada à mídia mundial e à atenção legislativa e regulatória", acrescentou o Facebook.

A segunda em comando do Facebook, a vice-presidente de marketing Sheryl Sandberg, teve remuneração total de US$ 23,7 milhões, da qual US$ 18 milhões em opções de ações.

A empresa também anunciou na sexta-feira a indicação de Alford, vice-presidente de mercados básicos do PayPal, para seu conselho, em um sinal de que o Facebook está de olho em ampliar suas oportunidades na área de pagamentos e comércio eletrônico.

Alford antes foi vice-presidente financeira da Chan-Zuckerberg Initiative, a organização de caridade de Zuckerberg.

Hastings, da Netflix, e Bowles, reitor emérito da Universidade da Carolina do Norte, não serão reconduzidos ao conselho durante a assembleia anual de acionistas do Facebook, a companhia anunciou. Os dois faziam parte do conselho desde 2011.

O Facebook vem investindo pesadamente em sua plataforma de vídeo, Watch, nos últimos 18 meses, em uma iniciativa que pode colocá-la em concorrência direta com a Netflix, nesse segmento.

"[Hastings e Bowles] são duas das pessoas mais sábias com quem já tive a oportunidade de trabalhar", escreveu Zuckerberg em um post em sua página pessoal do Facebook. "Estou agradecido por tudo que eles fizeram para levar adiante a missão do Facebook e por tudo que me ensinaram nos últimos oito anos".

Financial Times, tradução de Paulo Migliacci

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