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Pesquisa aponta que 11% dos lares no país terão um assistente de voz até 2025

Pandemia acelera uso de equipamento; empresas com Amazon, Google, Positivo e Intelbras investem nesse mercado no Brasil

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São Paulo

A pandemia levou famílias brasileiras a ampliar o uso de uma nova tecnologia bem particular: os alto-falantes inteligentes, ou "smart speakers", como são conhecidos em inglês.

As assistentes virtuais acopladas às caixinhas de som passaram a cumprir funções básicas dentro de casa. Entreter com seleções de músicas, ligar e desligar as luzes, trancar portas, explicar como fazer pequenos consertos, além de avisar sobre as condições climáticas, informar as horas e ajudar a fazer a lista de compras. ​

Da esq. para dir.: Nest Mini, do Google, Echo Dot 3ª geração, da Amazon, IZY Speak! mini, da Intelbras, e o Link 10, da JBL - Reprodução

“O confinamento forçado fez com que as pessoas olhassem mais para casa, o que incentivou a adoção de novas tecnologias que ajudassem no dia a dia”, diz José Muratori, diretor da Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial e Predial).

Segundo Muratori, também pesaram a favor do equipamento os recentes lançamentos. Há novas versões mais eficientes e sofisticadas e também mais baratas. É possível encontrar dispositivos à venda na internet a partir de R$ 199.

Segundo uma pesquisa da consultoria alemã Statista, o mercado brasileiro de alto-falantes inteligentes e gadgets para automatizar a casa tem potencial para crescer 23% até 2025.

Em 2020, cerca de 3% dos lares brasileiros contavam com algum dispositivo inteligente. Segundo a consultoria, nos próximos quatro anos, serão 11% das moradias conectadas a um aparelho.

A projeção é que o comando de voz, nesses próximos anos, vai ampliar a sua participação especialmente em entretenimento, segurança, operação de eletrodomésticos e gestão de energia.

Grandes empresas globais que atuam nesse mercado já captaram a tendência no país.

As estrangeiras Alexa, da Amazon, e Google Nest chegaram ao Brasil falando português em 2019, mas quem despontou na categoria foi a Amazon, com oito modelos. A empresa conta com uma equipe brasileira para ir adaptando o dispositivo ao que chama de "personalidade do brasileiro", como ter humor mais leve e saber quais são os assuntos com mais interesse no país.

"A Alexa de 2019 não é a mesma de 2021, ela está em constante evolução", diz Marina Zveibil, gerente de comunicação para dispositivos Amazon & Alexa.

No início de abril, o Google, lançou o Nest Audio, também de olho no interesse local por esse tipo de aparelho.

"O nível de engajamento brasileiro é crescente, e percebemos isso pelo uso de assistente de celular", diz Vinicius Dib, líder de parcerias de Devices do Google Brasil.

Empresas brasileiras também se posicionam nesse segmento.

A Intelbras, por exemplo, já produz o dispositivo de voz e equipamentos de segurança que podem ser integrados ao speaker. Sua linha inclui fechaduras, câmeras, lâmpadas e videoporteiro que podem ser controlados por voz.

A empresa tem a meta de crescer mais ainda nesse segmento. Em fevereiro, fez seu IPO [oferta inicial de ações], movimentando R$ 1,3 bilhão. Parte dos recursos será destinada para o investimento em equipamentos voltados para a automação de casas. Um deles é um smart speaker integrado à Alexa.

“Nosso diferencial é ter uma rede capilarizada: chegamos a atender 98% do território”, diz Tiago Ribeiro, gerente de comunicação da Intelbras. "É alto o potencial para ampliar o uso de uma tecnologia que facilita a vida.”

A Positivo é outra empresa que entrou nesse mercado. Ela ficou conhecida pela popularização dos PCs e conseguiu bons resultados com computadores na pandemia. A Vaio, linha premium de notebooks da empresa, teve crescimento de 300% nas vendas no ano passado.

Mas a Positivo agora quer virar referência em tecnologia doméstica. A empresa entende que existem “avenidas de crescimento”, ou seja, novos nichos, além de computadores e smartphones, que vão puxar as vendas nos próximos anos. Uma dessas “avenidas” é o que a empresa chama de casa inteligente. Em 2019, criou até uma área para cuidar de automação doméstica.

“Éramos conhecidos como a ‘rainha da classe C’ ou pela ‘ marca do primeiro PC para os filhos'", lembra Norberto Maraschin Filho, vice-presidente de negócios de consumo da empresa. “Mas agora já somos líderes em iluminação inteligente”, afirma.

A Positivo oferece lâmpadas que se conectam aos dispositivos de voz ou aplicativos. Para usar, basta colocá-las no bocal, conectá-las ao wi-fi da casa e falar como prefere a luminosidade do ambiente. É possível ligar, desligar, aumentar a iluminação, deixá-la mais quente ou mais suave.

Marcio Kanamaru, sócio-líder de tecnologia, mídia e telecomunicações da KPMG no Brasil, lembra que o diferencial das assistentes de voz é, justamente, o comando por voz.

“Você não precisa de um celular, não precisa escrever ou chamar alguém para fazer, você apenas fala para a caixinha o que quer”, diz.

Kanamaru lembra que os assistentes estão sendo aperfeiçoados rapidamente para entenderem frases cada vez mais complexas, o que vai ampliar o leque de funções e serviços que podem ser oferecidos —e faz uma comparação.

"Quando surgiram os primeiros smartphones com touch screen, todo o mundo achava que essa era uma tecnologia futurista, que ia dar errado e nem todos teriam acesso, mas estamos aqui usando todo dia, e até no notebook tem touch screen hoje."

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