BBC Brasil
21/07/2009 - 09h52

Possível volta de Zelaya aumenta tensão em Honduras

da BBC

O suspense em relação a uma possível volta do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, ao país se reavivou desde o último contato telefônico dele com uma emissora de rádio local.

Zelaya disse que retornará ao país, mas esperará o prazo de 72 horas pedido pelos mediadores da crise para retomar o debate.

Na capital hondurenha, moradores não escondem o cansaço e o descontentamento com as incertezas desde o golpe militar do último dia 28 de junho. A dúvida sobre o regresso de Zelaya se tornou um exercício de adivinhação.

"Dizem que aterrissará no aeroporto de San Pedro Sula", dizem uns. "Que venha! Aqui mesmo vão acabar com ele", dizem outros. "Virá mas por terra, clandestino", é outra versão. "Dizem que entrará no país por Choluteca."

A cobertura da imprensa tampouco parece ajudar os hondurenhos a entender os fatos.

"Na TV só tem cadeias oficiais. Se alguém quiser assistir à TV por assinatura, tiram os canais de notícia. Os jornais diários não dizem nada. O toque de recolher não acaba", reclamou uma mulher que esperava o ônibus em Tegucigalpa.

Justiça

O presidente do Conselho Hondurenho da Empresa Privada (Cohep), Amílcar Bulnes, disse à BBC que se Zelaya retornar deverá comparecer perante a Justiça.

"As autoridades estão totalmente de acordo com que regresse ao país, desde que se coloque à disposição da Justiça", afirmou.

"Ele tem a garantia de um julgamento justo, segurança completa, com a presença de observadores de organismos internacionais. Essa é a posição das autoridades legítimas do país", disse o líder empresarial.

Ele disse que mantém a confiança na economia hondurenha sob o atual regime, apesar de sanções financeiras, como o anúncio da União Europeia de suspender aportes financeiros no total de US$ 90 milhões.

"O aparato do Estado está trabalhando a todo vapor com o setor privado, as exportações se mantêm, o setor bancário tem muitos recursos e as linhas de crédito estão vigentes. Acho que a situação tende a se normalizar nos próximos dias", afirmou.

Muitos países consideram Zelaya o líder legítimo de Honduras.

Nenhum país reconheceu o governo interino de Honduras e tanto os Estados Unidos como a ONU (Organização das Nações Unidas) e a OEA (Organização dos Estados Americanos) afirmaram reconhecer Zelaya como o presidente legítimo do país.

Seguimos

Do outro lado do espectro ideológico, os dirigentes do Bloco Popular, que aglutina os setores da sociedade civil que respaldam Zelaya, disse que aumentará a pressão social contra o governo de Roberto Micheletti.

"Na quinta e sexta-feira desta semana haverá ações grandes nas diferentes regiões do país para continuar com a nossa agenda de resistência", disse o organizador de uma mobilização em frente ao Congresso Nacional nesta segunda-feira, Carlos H. Reina.

Ele também comentou o fracasso das negociações entre governo e oposição na Costa Rica, no fim de semana.

"A mediação [do presidente costarriquenho Oscar Arias] era um processo que visava a ganhar tempo. Sabíamos que ia ser boicotado pelo governo golpista."

Com informações de Eric Lemus, repórter da BBC Mundo, em Honduras

Comentários dos leitores
Rolando Frati (106) 03/12/2009 08h06
Rolando Frati (106) 03/12/2009 08h06
Em Honduras foi o fim de um Politico que tratava seus cavalos com o dinheiro do Povo. Que não volte nunca mais. sem opinião
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marcos cesar fernandes (199) 03/12/2009 07h56
marcos cesar fernandes (199) 03/12/2009 07h56
ONU, OEA, Cupúla Ibéro-Americana, Hugo Chavez e seus asseclas, nada disso consegue quebrar o ideal democrático e passífico do povo de Honduras.
Está claro que as eleições foram um sucesso tanto de participação quanto de organização, e hoje o que falta para Honduras é tão simplesmente fazer faler suas instituições e entender que reconhecimento do Brasil não tem valor prático para eles, pois o Brasil não é parceiro comercial e a única afinadade que eles tinham com o Brasil acabou, pois era tão somente o alinhamento ideológico do presidente deposto.
Honduras precisa sim, é do reconhecimento dos EUA por ser comprador de seus produtos agrícolas e também do México por ser um ótimo mercado e estar bem próximo.
Quanto à Venezuela, o máximo que o chapolim pode fazer é enviar dólares e cartuchos de AK-47 para os grupelhos que o apoiam nessa louca aventura de tornar a América Latina uma imensa Cuba.
Cabe a Lula agora se entender com Lobo e propor a ele uma troca: Zelaya vem para o Brasil e Arruda vai para lá.
Zelaya certamente já se garantiu nos bancos suíços, da mesma forma Arruda também. Zelaya investe o que roubou aqui e Arruda investe lá o que conseguiu com seu esquema e fica tudo bem.
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Germano Beraldo (131) 03/12/2009 02h24
Germano Beraldo (131) 03/12/2009 02h24
Sem o apoio direto dos EUA, Zelaya afundou ...
afundou também porque os EUA não querem nenhum governo alinhado com Ugo Chaves, isso está bem claro.
4 opiniões
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