Partidos pedem favores em troca de apoio para CPMF; líder minimiza
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Partidos da base aliada estão pressionando o governo para votarem a favor da prorrogação da cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) até 2011. A Folha Online apurou que os parlamentares procuram os líderes dos partidos da base pedindo a liberação de emendas, indicações para cargos e solicitações de setores específicos da economia.
O líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), afirmou nesta quarta-feira que é normal a pressão feita por aliados em troca do apoio para aprovação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) de prorrogação da CPMF.
"A pressão é normal. É o desejo dos partidos de serem parceiros do governo", disse. Múcio não detalhou que tipo de pressão tem ocorrido.
O vice-líder do governo na Câmara, Beto Albuquerque (PSB-RS), rebateu a análise de Múcio sobre a pressão.
Segundo ele, o governo não pode ser refém de cobranças. "O governo não vai ser refém de chantagens de aliados", afirmou. Ele negou ainda que exista pressão: "Não existe pressão".
Painel
Múcio e Albuquerque disseram que o painel eletrônico, que registra os votos dos deputados, cumprirá um papel relevante na votação da CPMF ao revelar quem apóia o governo. No painel, ficam registrados os votos dos deputados que votam contra, a favor e também aqueles que se abstêm. Os ausentes também são conhecidos.
"O painel [eletrônico] será um divisor de águas que mostrará quem está pensando nas próximas gerações e na sociedade e aqueles que estão pensando na próxima eleição", disse Múcio. "Será um divisor de águas que revelará quem está com o governo e não está", afirmou Albuquerque.
A proposta que estabelece a prorrogação da cobrança da CPMF até 2011 com alíquota de 0,38% deve ser votada em dois turnos na Câmara. Para ser aprovada, são necessários, no mínimo, 308 votos favoráveis, em cada etapa de votação. Só depois é remetida ao Senado.
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