Brasil
12/02/2008 - 07h29

Projeto vai obrigar governo do Pará a publicar gastos

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SÍLVIA FREIRE
da Agência Folha

A oposição a Ana Júlia Carepa (PT) vai apresentar projeto de lei para tentar obrigar o governo do Pará a dar publicidade às prestações de conta e dar mais transparência aos gastos emergenciais feitos por servidores do Estado.

O governo do Pará não utiliza cartões corporativos. O dinheiro para as despesas emergenciais é pago antecipadamente aos servidores, que têm de prestar conta dos gastos.

O deputado José Megale (PSDB), líder da bancada tucana na Assembléia Legislativa do Pará, disse que o partido irá apresentar um projeto de lei para obrigar o governo a dar publicidade às prestações de conta --ou seja, informar onde e como o dinheiro foi gasto.

Atualmente, o valor do adiantamento --administrativamente chamado de suprimento de fundos-- é publicado no "Diário Oficial" do Estado, com o nome do servidor beneficiado. No entanto, a prestação de contas não é divulgada.

"Não se sabe a destinação e a identificação destes gastos", disse Megale. "Nossa discussão é no sentido de dar mais transparência aos recursos do suprimento de fundos."

Segundo Megale, o projeto de lei, que já vinha sendo discutido pela bancada tucana desde o ano passado, deverá ser apresentado na próxima semana.

O Poder Executivo do Pará gastou, em 2007, R$ 26,8 milhões com suprimento de fundos, segundo dados da Auditoria Geral do Estado/Siafem (Sistema de Administração Financeira para Estados e Municípios). Neste valor, no entanto, estão incluídos também gastos de manutenção de órgãos públicos em municípios ou localidades onde não há agência bancária. Orçamento do Executivo é de R$ 5 bilhões.

Para o chefe da Casa Civil do Pará, Charles Alcântara, o governo pode apoiar o projeto caso ele "efetivamente contribua para aumentar a transparência".

"Não conhecemos o teor do projeto, mas, se o objeto da matéria tiver a preocupação de aumentar a transparência, a princípio, o governo apóia. O governo apóia todo o tipo de iniciativa que efetivamente contribua para aumentar a transparência", disse Alcântara.

O suprimento de fundos é liberado pelo ordenador de despesa de cada órgão da administração direta e indireta apenas para gastos emergenciais como pagamento de transportes não previstos e uso de internet durante viagens ou trabalho de campo. O que não for gasto deve ser devolvido.

No adiantamento não estão previstos gastos com alojamento nem alimentação em viagens de trabalho. Para isso, os servidores recebem diárias que não são submetidas à prestação de contas.

Comentários dos leitores
HENRIQUE FONSECA LIMA (19) 08/07/2009 14h34
HENRIQUE FONSECA LIMA (19) 08/07/2009 14h34
Isto é a farra do boi, não vai terminar nunca....
Mexem e remexem, e tudo fica igual.
Realmente não damos sorte, mas sempre se pode fazer uma tentativa na PRÓXIMA ELEIÇÂO !
3 opiniões
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Antonio Passos (43) 08/07/2009 13h43
Antonio Passos (43) 08/07/2009 13h43
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu ontem à noite, em Paris, o prêmio Félix Houphouët-Boigny concedido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura).
Presidido por Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, o júri premiou Lula "por sua atuação na promoção da paz e da igualdade de direitos".
Não é um premiozinho qualquer. Entre as 23 personalidades mundiais que receberam o prêmio até hoje _ anteriormente nenhum deles brasileiro _ , estão Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, Yitzhak Rabin, ex-premiê israelense, e Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos.
Secretário-executivo do prêmio, Alioune Traoré lembrou durante a cerimonia na sede da Unesco que um terço dos vencedores anteriores ganhou depois o Prêmio Nobel da Paz.
Pode-se imaginar no Brasil o trauma que isto causaria a certos setores políticos e da mídia caso o mesmo aconteça com Lula.
Thaoré disse a Lula que, ao receber este prêmio, "o senhor assume novas responsabilidades na história".
Mas nada disso foi capaz de comover os editores dos dois jornalões paulistas, Folha e Estadão, que simplesmente ignoraram o fato em suas primeiras páginas. "O que é bom a gente esconde, o que é ruim a gente divulga", parece ser mesmo a postura de boa parte dos editores da nossa imprensa com um estranho gosto pelo noticiário negativo, priorizando as desgraças e minimizando as coisas boas que também acontecem no país.
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javano reis (76) 08/07/2009 13h43
javano reis (76) 08/07/2009 13h43
Não é preciso ser "jornalista investigativo" ou membro do MP para entender que
o esquema do cartão corporativo substituiu
o esquema do "mensalão".
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