Sarney critica Chávez por "desestabilizar continente" e pede intermediação do Brasil
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) subiu hoje à tribuna do Senado para fazer um duro discurso contra o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que ameaça aplicar a força militar para contornar a crise diplomática entre Colômbia e Equador. Sarney disse que Chávez tem o objetivo de "desestabilizar o continente" ao reunir aparato bélico suficiente para provocar um incidente na América do Sul.
"Nós somos um continente pacífico. Que necessidade tem um país do nosso continente de armar-se dessa maneira? Contra quem? Para quem? O objetivo, realmente não podemos dizer que ele não seja outro senão uma ameaça à estabilidade do nosso continente. De tal modo que a primeira reação da Venezuela, no incidente que acaba de haver na fronteira da Colômbia com o Equador, não é de negociar", disse.
Sarney fez um apelo para que o Brasil, com a tradição diplomática da negociação, trabalhe para evitar um conflito bélico no continente. "Temos de nos unir e mostrar que não admitimos a existência desse sentimento dentro do continente. E o Brasil, com a tradição pacífica que tem, ao longo da sua história, não pode deixar de ser uma pedra fundamental, um pilar mestre na defesa desse objetivo", afirmou.
O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), defendeu a intervenção de um organismo internacional, como a OEA (Organização dos Estados Americanos), para intermediar a crise. "O Brasil deveria, sim, na minha opinião tomar iniciativas apaziguadoras, mas se guarnecendo com a convocação de um organismo internacional impessoal que pudesse estabelecer a eliminação da cizânia entre países", defendeu.
Sarney, porém, disse ser contrário à intervenção da OEA no conflito. "Essa responsabilidade é do continente sul-americano. É o Brasil, como um país líder dessa área, deve comandar uma ação diplomática imediata de maneira que isso não se generalize porque o perigo não é um incidente na fronteira. É a generalização do conflito com o envolvimento de três países."
Neutralidade
Parlamentares da oposição defenderam nesta segunda-feira uma postura neutra do governo brasileiro para ajudar a solucionar a crise entre Equador, Colômbia e Venezuela. "Eu creio que a tentativa de encontrar uma solução negociada é responsável. Mas qualquer solidariedade ao presidente Chávez seria um desastre. Ele é um barril de pólvora em permanente ameaça de explosão", avaliou o vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR).
Já o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que o Brasil deve exercer seu papel de liderança para evitar que a crise traga impactos maiores à região. "Eu acho que a mediação é necessária e tem que ser consentida. A atitude do Brasil de buscar a mediação, ao lado de outros países, é medida eficaz", disse.
Na opinião do deputado, o Brasil deve se manter neutro no episódio porque atua como mediador do conflito. "Ninguém media tornando pública a sua posição. É necessário saber como as coisas aconteceram."
Leia mais
- Lula deve conversar com Cristina Kirchner sobre conflito entre Equador e Colômbia
- PF diz que crise na América do Sul não mudará atuação na Amazônia
- Lula discute tensão entre Colômbia, Equador e Venezuela em reunião de coordenação
- Brasil deve exercer papel de líder e mediar crise entre Colômbia, Venezuela e Equador, diz Chinaglia
- Blog do Josias: Lula cogita mediar conflito de Equador e Colômbia
Especial


Como os Bush negaram suporte (na imprensa, fala sempre bebado, quando melhora diz outra coisa) e o McCain ja' disse que vai acabar com a economia de guerra; Uribe tratou logo de seguir o conselho do Amorin: dar um abracao no Correa e no Chaves ...
Ate' lagrimas de crocodilo cairam dos seus olhos ...
E assim o Brasil vai se firmando como lider na America do Sul, com motores franceses e engenharia da casa...
avalie fechar
avalie fechar
Com atenção foi que escutei seu pronunciamento de ontem sobre Colômbia, Equador e o intrometido.
Concordo até mesmo quanto à dúbia, sem surpresa, e prejudicial decisão da OEA.O mundo, por menos o que observamos, carece de coragem política, de uma nova diplomacia,somente com fonte em mentes originais;raras e , por natureza, rejeitadas.Extirpar tudo que usa a força física como argumento;hoje, creio, não é tão racional; quanto, ontem, pensava.Esforço-me por afastar o cruel determinismo histórico, mas...a diplomacia do fuzil cada vez mais se mostra evidente em potência, capacidade e eficácia.Fechar os olhos a isto é impossível e perigoso ante o espectro ofuscante e iminente;perante a clareza do potencial bélico da maior e inalcançável diplomacia do universo.
Não seria hora de o mundo discutir isto?
Gostaria que não fosse assim e como no lamento de Rousseau:"Tu procurarás a idade na qual desejarias que tua espécie tivesse parado.Descontente com teu estado atual por razões que anunciam a tua posteridade infeliz maiores descontentamentos ainda, talvez quisesses retrogredir e esse sentimento deve constituir o elogio de teus (do homem) primeiros ancestrais, a crítica de teus contemporâneos e o espanto daqueles que tiverem a infelicidade depois de ti.".
Infeliz e correta prescrição!
Não seria hora de o mundo discutir uma nova diplomacia?
avalie fechar