Brasil
22/07/2008 - 12h00

Defesa de Heráclito vai entrar com representação contra Protógenes

Publicidade

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Os advogados do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), Délio Lins e Silva e Délio Lins e Silva Júnior, devem protocolar nesta terça-feira uma representação contra o delegado Protógenes Queiroz na Corregedoria da Polícia Federal e na direção geral do órgão, por causa do vazamento de dados do inquérito da Operação Satiagraha.

Protógenes deixou na última sexta-feira o comando das investigações da operação. Os advogados reclamam da conduta da PF no caso, uma vez que o nome do senador foi divulgado como supostamente envolvido com o banqueiro Daniel Dantas em meio ao sigilo das investigações.

A defesa critica o vazamento de informações ao afirmar que a instituição "sempre vaza" elementos colhidos nas investigações "com o único e claro escopo de prejudicar a imagem de outras pessoas, não envolvidas na apuração".

Os advogados afirmaram que estão dispostos a ingressar com todas as representações necessárias sempre que houver vazamento de informações envolvendo o senador.

A defesa de Heráclito vai ter acesso hoje à íntegra do inquérito da Operação Satiagraha, depois que o STF (Supremo Tribunal Federal) autorizou que o parlamentar receba cópia do material. O presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, permitiu que o senador tenha acesso ao inquérito uma vez que Heráclito é citado nas investigações.

Os advogados do senador vão tirar cópias do inquérito para esclarecer se Heráclito está sendo investigado pela PF na Operação Satiagraha. Reportagem da Folha afirma que entre os interlocutores políticos do banqueiro Daniel Dantas que apareceriam nas conversas telefônicas gravadas pela PF durante a operação estaria o nome de Heráclito.

O nome do senador apareceria supostamente no relatório da Operação Satiagraha em dois momentos: em uma conversa grampeada com Guilherme Sodré Martins, apontado como lobista do grupo Opportunity, e no suposto organograma da organização criminosa desmontada pela PF como um dos articuladores políticos do esquema.

No pedido encaminhado ao STF, Délio Silva argumenta que o nome do senador foi envolvido no caso de forma "ilegal, precipitada e irresponsável" --motivo que o levou a solicitar a íntegra do inquérito ao tribunal.

Foro privilegiado

A decisão do STF de permitir o acesso do senador aos inquéritos da Operação Satiagraha abriu espaço para que as investigações iniciadas em São Paulo parem no tribunal, em Brasília.

Como a operação corre em segredo de Justiça, o senador só poderia ter acesso aos autos sendo ele próprio um investigado. Foi exatamente com esse argumento que Mendes concedeu o pedido a Heráclito, segundo reportagem da Folha.

Apesar de ser citado em grampos da operação da PF, Heráclito não é formalmente investigado. Como congressista --que tem foro privilegiado no STF--, ele só poderia ser alvo de alguma investigação com a expressa autorização do Supremo, algo que nunca ocorreu.

Comentários dos leitores
Nelson Vaughan (107) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (107) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
avalie fechar
jeferson pereira maciel (1) 18/11/2009 19h57
jeferson pereira maciel (1) 18/11/2009 19h57
É uma falta de respeito com nos paraence o que o Bancario esta fazendo. nosso estado não deve se cala diante de tanta omilhação, temos que nos valorizar, somos pequenos diante dele mas somos capazes. 2 opiniões
avalie fechar
Comentarista Brasil (88) 17/11/2009 12h41
Comentarista Brasil (88) 17/11/2009 12h41
Em qualquer país decente do mundo um delegado como esse que foi afastado já estaria preso. Mas no Brasil parece que ele vai virar herói, no que depender, é claro, dos paladinos da moralidade (alheia, é claro). No mais, parabéns ao STF e ao CNJ, que têm corrigido os delírios de alguns juízes que ainda pensam ser deuses, mas estão aprendendo, em público e para o país todo ver, que manda quem pode e obedece quem tem juízo. É isso, simples assim, queiram ou não algumas viuvinhas. 15 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (4922)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca