Para secretário do Rio, rebelião é fruto de disputa para vender drogas
PLÍNIO FRAGAda Folha de S.Paulo
A ação de Fernandinho Beira-Mar é uma tentativa de obtenção de pontos-de-venda de droga no varejo em associação entre o CV (Comando Vermelho) carioca e o PCC (Primeiro Comando da Capital) paulista, avalia o antropólogo Luiz Eduardo Soares, ex-secretário da Segurança do Rio e candidato a vice na chapa da governadora Benedita da Silva (PT).
Para Soares, a empreitada tem como lógica a verticalização da cadeia de venda de drogas. Já importador no atacado de armas e drogas, Beira-Mar estaria agora tentando chegar ao varejo, o que o obrigaria a afastar com violência os atuais detentores do mercado, integrantes de facções adversárias como o Terceiro Comando e o ADA (Amigo dos Amigos).
"O Fernandinho Beira-Mar quer assumir o protagonismo do comércio de drogas e armas no Rio. Já é praticamente monopolista no atacado e tenta agora ser no varejo, com a supressão de competidores", afirma Soares.
Para o antropólogo petista, Beira-Mar é uma "ave de rapina". "Ele aposta na barbárie. Age como um antipolítico, mas quer assumir um papel de agente político", analisa.
O CV e o PCC são investigados por supostas ações conjuntas no Rio, como o atentado contra a prefeitura da cidade, em maio. Soares atribui a recentes prisões de traficantes a razão da rebelião em Bangu 1. Pelo menos dois dos presos da facção ADA (Amigo dos Amigos) mortos ontem foram presos este ano.
"A debilidade [de grupos rivais] é um momento de apostas e aventuras e ajuda a compreender o contexto da crise", declara.
Soares rejeita, por limitado, o uso da expressão "poder paralelo" para definir a atuação do crime organizado. "O crime deixou de ser paralelo, o que, nas circunstâncias, seria melhor que assim fosse. Está enfronhado no poder público."
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