Pressionada por alimentos, inflação mostra tendência de alta no curto prazo
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
A inflação apresenta tendência de alta no curto prazo, e a tendência é que o índice acumulado nos últimos 12 meses continue a subir no próximo bimestre, concluiu nesta quarta-feira a responsável pela pesquisa do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), Eulina dos Santos.
A inflação medida pelo IPCA, taxa oficial usada pelo governo, registrou alta de 0,79% em maio, ante 0,55% em abril. Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 5,58%, acima dos 5,04% identificados nos 12 meses imediatamente anteriores.
Ela lembrou que não há perspectivas animadoras, no curto prazo, para o preço dos alimentos, que já subiram, em cinco meses, o equivalente a 60% do que fora verificado no ano passado.
"Os dados evidenciam uma persistência de aumento. Dado que os preços estão subindo no mercado internacional, que o consumo no mercado doméstico está forte, assim como no mercado mundial, não se vislumbra, no curto prazo, um movimento de reversão de alta dos produtos alimentícios", afirmou.
Em ascendência
Para a taxa acumulada em 12 meses, Eulina lembrou que a alta nos meses de junho e julho de 2007 ficou em torno de 0,28%. Diante da expectativa de elevações acima desse patamar este ano, a inflação acumulada deverá permanecer em ascendência, fato que vem ocorrendo desde meados do ano passado.
"Essa inflação parece estar pressionada pelo menos até que se deixe para trás esses dois meses menores do ano passado", comentou.
No ano, a inflação tem alta de 2,88%, ante 1,79% no mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Produtos não-alimentícios
Por outro lado, os produtos não-alimentícios vêm amenizando a disparada dos alimentos. Segundo Eulina, os preços da gasolina e das tarifas de energia elétrica apresentam altas tímidas, ajudando a conter a inflação.
"O câmbio tem contribuído muito no sentido de conter a taxa, já que os eletrodomésticos vem com os preços em queda", destacou.
Em maio, os combustíveis subiram 0,26%, em função do álcool, que teve alta de 1,11%. O óleo diesel variou 7,24% nas bombas, mas tem pouco impacto no índice. Também subiram os serviços bancários (8,74%), artigos de limpeza (1,81%) e remédios (0,97).
Ingresso do futebol
Outras altas destacadas pelo IBGE foram relativas a ingressos para jogo de futebol (19,69%), passagens aéreas (2,26%), manicure (1,37%), salários dos empregados domésticos (1,20%) e artigos para reparos em residência (1,16%).
No ano, os maiores impactos no IPCA vieram das refeições fora de casa, cuja variação de 6,43% representou contribuição de 0,24 p.p na alta acumulada de 2,88%; das mensalidades escolares, que subiram 4,52%, o que representou contribuição de 0,21 p.p.; e do pão francês, que acumula elevação de 19,38%, com 0,20 p.p. de contribuição.
Em 12 meses, os três itens também exercem principal influência sobre o índice de 5,58%. A refeição fora subiu 11,46% no período ; as mensalidades aumentaram 5,03% e o pão francês, 28,04%.
Nas 11 regiões pesquisadas, Goiânia apresentou alta de 1,26% em maio, seguida por Recife (1,12%) e Curitiba (0,95%). Os menores índices foram constatados em Belém (0,25%) e Salvador (0,37%).
Leia mais
- Inflação medida pelo IPCA acelera para 0,79% em maio, diz IBGE
- Inflação em SP fica em 1,30%, diz Fipe; alimentos têm maior alta desde 2002
- Prévia de inflação do aluguel fica em 1,97% no início de junho, diz FGV
- Inflação e endividamento das famílias devem segurar PIB em 2008
- Crescimento do PIB vai evitar descontrole da inflação, diz Lula
- Mantega prevê desaceleração da inflação apenas no fim do ano
Livraria da Folha
- Coleção "Biblioteca Valor" explica principais conceitos de economia
- Livro ensina famílias a organizar o orçamento da casa
- Conheça os alimentos do futuro
Especial


E o Dólar mais valorizado favorece as exportações, além de desonerar a dívida pública.
avalie fechar
avalie fechar
avalie fechar