Mundo
29/02/2008 - 22h03

Ex-refém das Farc diz que vários seqüestrados perderam a sanidade

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da Folha Online

Vários militares e policiais reféns das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) estão sofrendo de demência pelas condições desumanas do cativeiro, declarou nesta sexta-feira o ex-congressista colombiano Orlando Beltrán, libertado pela guerrilha na quarta-feira (27) junto com outros três ex-parlamentares --Luis Eladio Pérez, Gloria Polanco de Lozada e Jorge Eduardo Gechem Turbay.

"Vi muitos casos de absoluta demência, há suboficiais que estão praticamente loucos, não conseguiram superar o horror que é ser seqüestrado", declarou Beltrán à rádio Caracol.

Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Os ex-reféns das Farc Luis Eladio Perez e Orlando Beltrán falam à imprensa durante coletiva em Caracas na quinta-feira (28)
Os ex-reféns das Farc Luis Eladio Perez e Orlando Beltrán falam à imprensa durante coletiva em Caracas na quinta-feira (28)

O político, que havia sido seqüestrado há seis anos, acrescentou que os reféns enfrentam doenças devastadoras como leishmaniose e malária, além de permanecer presos dia e noite.

"A malária provoca febres altíssimas e calafrios que os fazem delirar, e com a leishmaniose o tecido da pele vai se deteriorando, vai caindo, aparecem chagas enormes", disse Beltrán.

"Acrescenta-se a isto o fato de se estar amarrado a uma árvore de dia e uma cama de noite, é uma situação horrível, é para deixar qualquer um louco", afirmou.

O ex-legislador disse que "o único momento agradável" que viveu nos últimos seis anos foi quando os helicópteros enviados pelo governo venezuelano chegaram.

"De resto, é um eterno sofrimento", afirmou.

"Campo de concentração"

Na quinta-feira (28), o ex-senador Luis Eladio Pérez disse que "as condições de reclusão são as de um campo de concentração", em um emocionado relato de seu cativeiro na selva, um dia depois de ter sido entregue pelas Farc ao governo da Venezuela e ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha .

Embora não tenha entrado em maiores detalhes, o ex-refém contou que, em uma de suas travessias durante o cativeiro, pernoitou em território equatoriano.

"Eu dormi no Equador. Com isso digo tudo. Usávamos botas equatorianas, desodorantes e remédios brasileiros, sabonetes venezuelanos", relatou Pérez.

Durante uma entrevista à rádio colombiana Caracol, Pérez disse que ele, assim como a política franco-colombiana Ingrid Betancourt, de quem se tornou confidente no cativeiro, foram maltratados por parte dos guerrilheiros.

Betancourt

"Eu era mal visto pela guerrilha porque sempre contestei as coisas. Não titubeei. Claro, Ingrid fazia o mesmo, com uma dignidade e valentia excepcionais", afirmou Pérez, após contar sobre uma frustrada tentativa de fuga que resultou no acorrentamento da franco-colombiana.

"A situação se tornou muito complicada e isso gerou uma situação de maus-tratos permanente. Há muita repressão (em relação a Betancourt), dizem que somos burgueses, que somos políticos, enfim, tudo isso gerou um clima bastante desagradável com os guerrilheiros, que sempre tentavam amargar nossa vida em todos os aspectos", afirmou.

No entanto, o ex-refém garantiu que os guerrilheiros não tentarão matar Betancourt, porque "ela representa um pote de ouro para os rebeldes".

"Achei que iam me matar. Cheguei a deixar com Ingrid uma mensagem para minha família, porque sempre entendi que ela não seria assassinada, porque indiscutivelmente para as Farc, Ingrid é o pote de ouro neste maldito processo", disse o ex-refém.

Ainda permanecem em mãos das Farc cerca de 40 políticos, policiais, militares e estrangeiros que a guerrilha pretende trocar por cerca de 500 rebeldes presos, assim como mais de 700 seqüestrados com fins de extorsão, segundo números oficiais.

Entre os cativos "passíveis de troca" figuram Betancourt e os americanos Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves.

Com France Presse e Efe

Comentários dos leitores
João Carlos Gagliardi (581) 09/02/2009 17h55
João Carlos Gagliardi (581) 09/02/2009 17h55
As Farc tem que agradecer ao lula e ao pt, não ao Brasil, bem como aos traidores brasileiros que integram a organização neo-comunista chamada "Foro de São Paulo", do qual o pt faz parte, juntamente com vários bolivarianos demagogos e os narcotraficanntes da Farc, que tem contato direto com membros do primeiro escalão deste nosso (des)governo, pela ajuda política que tem recebido.
As Farc, são compostas por sequestradores e traficantes, que sequer são classificados assim pela imprensa marrom controlada pelos petralhas.
Esses bandidos, que tentam derrubar o governo democraticamente eleito da colombia, são inacreditavelmente tratados pelo governo brasileiro como "revolucionários"...
Então, sem dúvida as Farc tem muito para agradecer a alguns "brasileiros"...
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Ronaldo Luis Gonçalves (36) 09/02/2009 17h55
Ronaldo Luis Gonçalves (36) 09/02/2009 17h55
A FARC, vai acabar virando partido político na Bolivia, e largar as armas, o que é um bom negócio. O PT têm uma história antiga com este grupo, é por causa disto agora recebe apoio direto do palácio. A minha opinião é que o Brasil agiu bem, ao ajudar este grupo. 3 opiniões
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É interessante observar o ranço ideológico com que alguns participantes deste Fórum referem-se à Cuba.
Inegavelmente o citado país não pode ser apontado como um exemplo de bem estar sócio-econômico e muito menos o regime político com que se possa sonhar quando se pensa em Democracia. Por outro lado, não se pode ignorar que seus Governantes conseguiram indiscutíveis avanços na área educacional, saneamento básico e medicina preventiva (não estou fazendo apologia de Cuba mas tão somente reconhecendo resultados que indicadores sócio-econômicos identificam). Basta comparar IDH, percentual de analfabetismo e IDH com outros países da África e América Latina, por exemplo, que possuem população e PIB semelhantes e em tese, constituem-se em regimes democráticos (há controvérsias) mas sem dúvida, e que optaram pelo Capitalismo.
Em suma, como frequentemente ocorre, na natureza e na Política a avaliação mais justa tende ao centro em detrimento de posições extremadas (demonizar ou insensar costuma induzir a equívocos de igual magnitude).
Não é demais reconhecer que mesmo a crítica das estratégias e políticas implantadas fica prejudicada na medida em que esse país foi sim muito prejudicado pelo embargo norte-americano (imagine o que seria da China - cujo regime até onde se sabe é tão ou mais totalitário quanto o cubano - não pudesse comercializar com o maior Mercado mundial...
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