TONY GOES
COLUNISTA DO "F5"

DEUS SALVE O REI (bom)
DIREÇÃO: Fabrício Mamberti
ELENCO: Marina Ruy Barbosa, Rômulo Estrela, Bruna Marquezine, Johnny Massaro, Tatá Werneck, Marco Nanini, Caio Blat
QUANDO: segunda a sábado, por volta das 19h, na Rede Globo

As novelas que se passavam em outras épocas e países distantes eram a regra nos primórdios da TV brasileira. Até que, em 1968, a novela "Beto Rockfeller", na extinta Tupi, trouxe o Brasil contemporâneo para a nossa teledramaturgia.

Mais de 20 anos depois, Cassiano Gabus Mendes —criador de "Beto", que foi escrita por Bráulio Pedroso— deu um rumo inesperado à revolução que ele mesmo iniciara.

Então na Globo, o autor lançou "Que Rei Sou Eu?", um retorno ao gênero capa-e-espada, na faixa das 19 horas. Cheio de referências à situação brasileira no final da década de 1980, o folhetim foi um triunfo de crítica e audiência.

Mesmo assim, foram precisos quase 30 anos para a emissora retornar ao filão com "Deus Salve o Rei", que estreou nesta terça (9), no mesmo horário que sua ilustre antepassada.

Também repleta de príncipes e castelos, a trama desta vez se passa em uma Idade Média imaginária ("Que Rei Sou Eu?" remetia ao século 18).

Muito já se disse que a Globo estaria fazendo sua versão de "Game of Thrones". A influência da série da HBO é nítida, mas também há muito da Disney.

Dizer que a produção é esmerada é pouco.

A Folha acompanhou o primeiro capítulo em uma sala de cinema em São Paulo (outras sessões aconteceram em algumas capitais brasileiras, ao mesmo tempo que a novela ia ao ar).

Mesmo com as imagens em alta definição projetadas na tela grande, é impossível dizer onde termina a cidade cenográfica e começa a computação gráfica. Os figurinos também impressionam, pela riqueza de detalhes.

As linhas gerais da trama foram traçadas com clareza. Dois fictícios reinos vizinhos, Montemor e Artena, entram em conflito. O primeiro tem ferro, o segundo tem água, mas será difícil chegar a um acordo bom para ambos.

As interpretações escapam do naturalismo habitual. Na boca de atores tarimbados, como Marco Nanini (que faz Augusto, o rei de Artena), o texto solene de Daniel Adjafre flui sem problemas.

Mas o elenco mais jovem ainda precisa de mais treino —com exceção de Johnny Massaro (Rodolfo, o príncipe boêmio de Montemor), que exala a segurança de um veterano.

Uma cena de luta entre nobres e salteadores teve pouco sangue se comparada às de séries como "Vikings" (Fox), o que é compreensível dado o horário. Mas evitou-se o tom de conto de fadas: não há toques de magia nem passarinhos falantes.

Ainda falta humor —Tatá Werneck não apareceu no primeiro episódio—, e é cedo para dizer se essa aposta caríssima vai funcionar.

Mas, pelo menos, "Deus Salve o Rei" —infinitamente mais bem-feita que "Belaventura" (Record), de proposta similar— é uma novidade muito bem-vinda.

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