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Gero Camilo vira pintor Van Gogh em "A Casa Amarela"
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GABRIELA MELLÃO
DE SÃO PAULO
A voz revolucionária de Gero Camilo surgiu silenciosa. O multiartista de 40 anos, que além de ator é dramaturgo, cantor e diretor, jogava sementes de girassol nos gramados da ECA (Escola de Comunicações e Artes da USP).
Em uma das escadarias da faculdade, achou uma privada que era usada como apoio de porta. Plantou no vaso um girassol. Ao mesmo tempo em que anunciava a crise da arte, imprimia suas primeiras digitais poéticas semeando o belo no cotidiano.
O pensamento de Camilo sempre esteve associado ao de Vincent van Gogh, pintor do século 19, considerado um dos maiores de todos os tempos. A identificação por ele e sua flor símbolo que rejeita a passividade ao mover-se em busca do sol, culmina em "A Casa Amarela", monólogo escrito e interpretado por ele, que estreia hoje.
"Van Gogh foi um grande homem, preocupado em dar à humanidade discernimento e espasmo. Sua loucura é demasiado grande para que a psicologia possa tratá-la. Sua pintura é poesia pura. Sua escritura, pura pintura. E sua carne, resistência e fortaleza", diz o ator.
| Lenise Pinheiro/Folhapress | ||
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| Gero Camilo caracterizado como o artista holandês Van Gogh para a peça "A Casa Amarela", que estreia hoje |
DESCOBERTA
Camilo impactou-se com a voz poética do holandês, tão intensa e revolucionária quanto seu pincel, ao ler "Cartas a Théo" --que reúne correspondências trocadas entre o pintor e seu irmão.
Tinha 15 anos. Como Van Gogh, o garoto que se tornaria um dos atores e autores mais talentosos de sua geração passou a acreditar na potência transformadora da arte, aquela gerada como um grito que sai das entranhas de seu criador, sem compromisso com o mercado.
Empresta o pensamento de Van Gogh para fazer seu próprio manifesto na peça dirigida por Márcia Abujamra, sobre o sonho do pintor de fundar uma comunidade de artistas --desejo compartilhado por Camilo.
A tal casa amarela foi inaugurada em Arles, no sul da França, em 1888, para ser um local de troca entre artistas. Eles seriam agentes da necessária mudança dos tempos. "Acredito firmemente na possibilidade de um imenso renascimento da arte", diz o ator em cena, confundindo-se com o pintor.
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