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11/05/2012 - 12h11

Com contratação do Itaú BBA, Facebook reforça aposta no Brasil

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DA REUTERS

O Itaú BBA --banco de atacado e de investimentos do Itaú Unibanco-- conquistou uma cobiçada posição entre os coordenadores da oferta pública inicial (IPO, em inglês) do Facebook, ficando entre os 33 bancos que irão subscrever uma das mais aguardadas estreias no mercado de ações.

Para a instituição, o Facebook pode ajudar na criação de conexões com os bancos de elite responsáveis pelas maiores operações financeiras no mundo.

O acordo dá à companhia sediada em São Paulo maior visibilidade mundial e reflete a crescente confiança no Brasil e em seu mercado de capitais, ainda que a disposição de aceitar riscos esteja em queda devido à fraca recuperação na economia mundial.

Para o Facebook, o relacionamento com o Itaú BBA pode fazer mais que atrair investidores latino-americanos à sua oferta de ações de US$ 10,6 bilhões.

O banco também pode ajudar a identificar potenciais alvos de aquisição no Brasil, país superado apenas pelos Estados Unidos em termos de usuários ativos do Facebook.

Nos últimos meses, os fundos de capital para empreendimentos vêm investindo em diversas companhias brasileiras iniciantes, do site de viagens ViajaNet à Connectparts, que vende autopeças online.

O controlador do Itaú BBA, Itaú Unibanco, é o maior financiador do setor privado brasileiro e tem importante papel na gestão de patrimônios no país.

"Trata-se de um banco moldado numa das casas mais tradicionais, que vem conseguindo direcionar investimento para os setores de mais rápido crescimento no Brasil. Eles têm se apresentado a investidores estrangeiros como a instituição de referência para investimento no Brasil", disse José González, diretor-executivo da administradora de fundos SG Asset Management.

"O Facebook se vê como companhia mundial. Esse é o momento para que construa relacionamentos nos lugares em que vê crescimento, como o Brasil", disse González, ex-executivo do ING Bank e da corretora japonesa Nomura. "É uma decisão inteligente".

Os usuários do Facebook quase triplicaram no Brasil, chegando a 36 milhões no ano passado, o que levou a empresa a superar o Orkut, do Google, no posto de maior rede social no país.

DERROTANDO RIVAIS

Ao contrário de seus concorrentes em outros mercados emergentes, os bancos brasileiros vêm derrotando rivais estrangeiros no financiamento de operações, criando elos mais fortes com os clientes e estabelecendo redes de distribuição semelhantes às dos bancos mundiais.

O Itaú BBA é o maior banco brasileiro em fusões e aquisições e emissões de títulos, de acordo com dados da Thomson Reuters deste ano. Goldman Sachs, Morgan Stanley e JPMorgan Chase --que lideram a abertura de capital do Facebook-- ocupam, respectivamente, 11ª, 14ª e 17ª posições no mercado brasileiro de fusões e aquisições.

À medida que um número maior de companhias brasileiras abre capital e emite títulos de dívida, os bancos sediados no país ganham importância no cenário internacional, disse Kevin Kelley, sócio que comanda as operações latino-americanas do escritório de advocacia Gibson, Dunn & Crutcher.

Além do Facebook, o Itaú BBA ajudou a coordenar o oferta de ações do grupo de private equity (participação em empresas) Carlyle. O Bradesco BBI, divisão de investimento do banco Bradesco, o segundo maior banco privado do país, foi selecionado em janeiro para coadministrar a emissão de títulos de dívida de cinco anos pela financeira da Ford Motor.

Itaú BBA, BTG Pactual e BR Partners, banco de investimento especializado que ocupa a quinta posição no ranking brasileiro de fusões e aquisições em 2012, participaram de 35 das 64 transações conduzidas pelos dez maiores consultores financeiros do mercado.

"Os clientes estão cientes disso e é por isso que estão cortejando o Itaú para que assuma esse papel secundário", disse um executivo de banco de investimento em São Paulo, que pediu anonimato, sobre a decisão do Facebook de contratar o Itaú BBA.

O Facebook está pagando comissões de subscrição muito baixas, mas, ainda assim, os bancos estão ávidos por participar da operação pelo prestígio de integrar o maior oferta inicial de ações do Vale do Silício desde o Google.

 

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