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17/12/2012 - 18h27

Controle de armas sugerido por Obama esbarra em oposição política

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DA AFP

Apesar de Barack Obama ter prometido atuar para evitar tragédias como a da escola de Newtown, em Connecticut, até agora o presidente não deu detalhes sobre uma ação que deve ser complicada no plano político.

Antes de conquistar seu segundo mandato de quatro anos, no dia 6 de novembro, o presidente dos Estados Unidos não deu grande ênfase à questão, apesar de sua promessa de tomar medidas após a matança de Aurora, no Colorado, em julho, ou depois do atentado em Tucson, no Arizona, no começo de 2011.

Neste domingo, em Newtown, após ter citado os nomes das 20 crianças mortas pelo atirador na escola primária de Sandy Hook, onde também foram assassinadas seis funcionárias do centro educativo, Obama considerou que essas tragédias devem terminar. "E, para que seja assim, devemos mudar", afirmou.

Neste sentido, o presidente prometeu usar todos os poderes de sua função para encontrar os norte-americanos, assim como membros "desde as forças da ordem aos profissionais da psiquiatria, passando pelos pais e os professores", com o objetivo de "trabalhar para evitar outras tragédias como esta".

Contudo, o presidente não deu detalhes, nem sequer pronunciou a palavra armas em sua intervenção. De toda a forma, seu discurso evocou evidentemente o debate sobre o controle da circulação de armas, uma questão que uma grande quantidade de legisladores democratas prefere não abordar devido aos riscos eleitorais.

LEGISLAÇÃO

O direito de portar armas, previsto na Constituição norte-americana, é defendido ferozmente por grupos de pressão e praticamente pela totalidade dos legisladores republicanos. Já os tribunais fazem uma interpretação bastante ampla da famosa Segunda Emenda.

Desde sexta-feira (14), vários políticos pediram medidas a respeito deste assunto, como prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, e a representante democrata, Carolyn McCarthy. A senadora democrata Dianne Feinstein prometeu um projeto de lei para reinstaurar a proibição das "armas de assalto" que expirou em 2004 devido à inércia do Congresso.

O atirador de Newtown estava armado com AR-15, versão semiautomática dos fuzis de assalto que o exército norte-americano utiliza. A arma é a mesma que foi utilizada por James Eagan Holmes, jovem que matou 12 pessoas e feriu 58 durante uma sessão do filme "Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge" em Aurora, no Colorado. A compra dos carregadores de grande capacidade que ambos os atiradores utilizaram era ilegal antes de 2004.

No que pode significar uma tímida mudança de mentalidade, o senador democrata de Virgínia Ocidental, Joe Manchin, fervoroso defensor da Segunda Emenda, pediu nesta segunda-feira, na rede de TV MSNBC, a realização de um debate "sensato e razoável" sobre o controle das armas.

Apesar de a quantidade ser pouco significativa em um país de 310 milhões de habitantes, 140 mil pessoas assinaram, até a manhã desta segunda-feira, o pedido por uma lei sobre o controle das armas no site da Casa Branca.

SEM COMENTÁRIOS

A maioria dos legisladores partidários de uma interpretação ampla da Segunda Emenda, assim como o lobby dos fabricantes de armas (NRA), quase não se pronunciaram desde sexta-feira, data do ataque em Newtown.

Contudo, a Câmara de Deputados que assume suas funções em 2013 será levemente mais republicana que a que deixou expirar a proibição das armas de assalto em 2004, o que permite prever uma disputa legislativa muito complicada.

O senador independente de Connecticut, Joseph Lieberman, que deixará o Congresso no mês que vem, pediu na rede de TV CNN "que todas as emoções que sentimos neste momento não desapareçam".

 

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