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ONU compara drones dos EUA a PlayStation e pressiona o Pentágono
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ANDREA MURTA
DE WASHINGTON
A acusação de um relator da ONU de que ataques de aviões não tripulados (drones) da CIA levam a uma mentalidade para matar comparável à do videogame PlayStation aumentou nos EUA a pressão contra a prática, um dos pilares das operações americanas no Paquistão. As ações são controversas mesmo dentro do governo americano. A referência ao PlayStation se deve ao fato de que operadores dos drones os controlam por computador, longe do local dos ataques.
Philip Alston, relator especial da ONU para execuções arbitrárias, afirmou anteontem no Conselho de Direitos Humanos do organismo em Genebra que o manto de segredo em torno das operações viola princípios internacionais.
Em relatório entregue ao conselho, Alston argumenta que "o mundo não sabe onde e quando a CIA é autorizada a matar, qual o critério para definir indivíduos que podem ser mortos, como garante que as mortes são legais e o que acontece quando civis são assassinados ilegalmente". Ele alerta que agentes de inteligência da CIA não têm a mesma imunidade de processos de que gozam soldados e poderão ser alvo da Justiça.
Para Alston, as operações deveriam ser mais limitadas e realizadas pelas Forças Armadas, sob maior supervisão externa.
A agência de inteligência americana não reconhece oficialmente o programa, mas funcionários que falaram em condição de anonimato afirmaram que o uso dos drones tem sido uma arma eficiente para eliminar insurgentes na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão, refúgio da Al Qaeda e do Taleban. As operações aumentaram no último ano e receberam crédito recentemente pela morte no Paquistão do terceiro homem na linha de comando da Al Qaeda.
Questionada, a Casa Branca disse apenas que "o presidente continuará a fazer tudo o que puder para proteger americanos".
Um porta-voz da CIA afirmou que "as operações da agência estão sob marco legal e têm grande supervisão governamental". "Há muita prestação de contas e seria errado sugerir o contrário." Mas Alston diz que a insistência dos EUA insistem em clamar um direito cada vez mais amplo de atacar indivíduos em todo o mundo cria precedente perigosos para outros países.
O relatório acusa a CIA de atacar também traficantes de drogas, e não só inimigos diretamente envolvidos em conflitos, o que violaria leis internacionais e humanitárias. Defensores dos "drones" dizem que há poucas alternativas. O Paquistão resiste a operações terrestres dos EUA no país e não tem polícia ou Exército capaz de prender insurgentes nas áreas fronteiriças.
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