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Dilma 100 Dias
 
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27/04/2012 - 07h00

Leia a transcrição da entrevista de Aécio à Folha e ao UOL

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DE BRASÍLIA

Aécio Neves (PSDB-MG), senador e ex-governador de Minas Gerais, participou do "Poder e Política", projeto do UOL e da Folha conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues . A gravação ocorreu em 26.abr.2012 no estúdio do Grupo Folha em Brasília.

Veja fotos da gravação da entrevista com Aécio

http://www3.uol.com.br/modulos/playlist-videos/trechos-da-entrevista-com-aecio-neves-tm-1335482975901.js

Leia a transcrição da entrevista:

Aécio Neves - 26/4/2011

Narração de abertura: Aécio Neves da Cunha tem 52 anos. É filiado ao PSDB e é um dos líderes da oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff.
Economista, Aécio foi secretário particular do avô, Tancredo Neves. Foi também deputado federal e presidente da Câmara dos Deputados. Foi eleito governador de Minas em 2002 e reeleito em 2006.

Em 2010, quis ser candidato a presidente, mas perdeu a disputa interna no PSDB para José Serra.

Aécio acabou elegendo-se senador em 2010. Agora, frequenta todas as listas de possíveis candidatos a presidente da República nas eleições de 2014.

Folha/UOL: Olá internauta. Bem-vindo a mais um "Poder e Política Entrevista".

Este programa é uma realização do jornal Folha de São Paulo, dos portais UOL e Folha.com. A gravação é sempre realizada aqui no estúdio do Grupo Folha em Brasília.

O entrevistado desta edição é o senador do PSDB de Minas Gerais, Aécio Neves.

Folha/UOL: Senador, muito obrigado por sua presença. Eu começo perguntando sobre um tema quente desta semana. O sr. há um tempo foi contatado por Demóstenes Torres [senador de Goiás, ex-DEM] para arrumar um emprego para a prima de Carlinhos Cachoeira. O sr. atendeu Demóstenes Torres. O que aconteceu?

Aécio Neves: Nada. Eu fiz o que é absolutamente natural. Há um ano atrás, eu acho que nem eu, nem você, nenhum brasileiro tinha bola de cristal. O senador Demóstenes, líder do Democratas [no Senado], me procurou na Comissão de Constituição e Justiça dizendo que tinha uma pessoa muito qualificada para um cargo que existia em Uberaba. Encaminhei esse currículo, como encaminhei inúmeros outros que me chegaram, à Secretaria de Governo. E a pessoa era muito qualificada, com curso de pós-graduação.

E naquele instante, Fernando... Todos nós somos vítimas das nossas circunstâncias... Naquele instante, uma indicação do senador Demóstenes recomendava, credenciava o indicado. O que ocorreu foi algo muito simples, feito às claras. Uma indicação qualificada, de um líder qualificado, de um partido aliado, e que chegou ao governo e foi contratada. O que era inadmissível, e é inadmissível é um senador da República fazer um papel desse: atender interesse de um contraventor. Mas lamentavelmente, como eu disse, nem nenhum brasileiro, há um ano atrás, podia sequer de longe imaginar que ele tinha essa conduta. Eu lamento imensamente isso, mas eu fiz o que eu faria inúmeras outras vezes. Se você recebe uma indicação política e ela é qualificada, a oportunidade pode ser dada. Eu não vejo nenhum equívoco nisso.

Folha/UOL: Essa pessoa que foi indicada e que depois acabou sendo empregada, ela deve ser exonerada agora do cargo?

Aécio Neves: Isso depende do governador, essa já não é uma responsabilidade minha. Eu fiz, como aliado político, a indicação, cabe ao governador avaliar o desempenho dessa pessoa. Eu não conversei ainda com ele sobre esse assunto. Repito a você, Fernando, poucas pessoas, e o meu governo durante oito anos teve essa marca, tiveram tanto cuidado em qualificar o governo. Nós temos o governo da meritocracia. Que é exatamente o contraponto ao que está aí hoje. O governo do PT. Nem culpo a presidente Dilma por ter ela própria indicado sete ministros que caíram por denúncias de desvios, de corrupção. Acredito que, provavelmente, ela não tinha, antes de indicá-los, essas informações.

Folha/UOL: Esse episódio dessa pessoa em Uberaba me chamou atenção também, mais uma vez, como os políticos brasileiros se ocupam de um indicar para o outro pessoas para serem empregadas em algum cargo público. Quando nós vamos nos ver livres disso, que senadores da República têm que ficar se ocupando disso?

Aécio Neves: Não é se ocupar disso. Essa não é a nossa atividade central. Mas você não pode demonizar a indicação política porque ela muitas vezes é qualificada. Você tem que ocupar alguns cargos, que são esses de livre nomeação, com pessoas de confiança. Como é que elaste chegam? Por indicação técnica, política e você tem que avaliar o currículo. Se o currículo é adequado, se a pessoa é qualificada... E nesse caso especificamente [da prima de Carlinhos Cachoeira], era muito qualificada, até acima de um cargo de R$ 2 mil, se não me engano, que ela vencia lá. Então não há como. A não ser que você crie no Brasil, e esse é o caminho que nós devíamos percorrer, e o PT faz o caminho inverso, para criar uma burocracia mais estável de Estado, onde as pessoas tenham possibilidade de ascender dentro da própria carreira através de concurso e através de planos de carreira que permitam uma ascensão funcional e salarial. Há um desestímulo muito grande hoje às pessoas estarem no serviço público. Principalmente pela baixa remuneração.

Folha/UOL: Com os indícios já disponíveis é possível dizer que o senador Demóstenes dificilmente vai manter o mandato?

Aécio Neves: Olha, a situação é extremamente grave, porque é muito próxima essa relação. E aquele que detém um mandato público tem que ter uma postura diferente. Tem que ser referência, tem que ser exemplo. E sobre ele, ainda mais a questão se agrava porque ele representava exatamente o campo oposto a isso. Ele era o arauto da moralidade, ele era referência. Por isso que eu disse: qualquer indicação do senador Demóstenes naquele tempo recomendava o indicado. Por isso o plenário do Senado ficou extremamente chocado com...

Folha/UOL: O sr. acha que ele vai ser cassado?

Aécio Neves: Eu acho que a probabilidade maior hoje é que ele seja cassado.

Folha/UOL: Ele pertence ainda, embora esteja sem partido agora, à oposição. Qual é o estrago que essa CPI do Cachoeira vai causar à oposição?

Aécio Neves: Olha, em primeiro lugar nós temos que ter muito cuidado, Fernando, para não permitir que essa CPI seja um instrumento de guerra política. Porque assim ela não cumprirá o seu objetivo. Não pode ser uma guerra da maioria contra a minoria, ou da base do governo contra a oposição. Nem vice-versa. Aí nós temos que contar coma imprensa, com a sociedade, para estarmos vigilantes para averiguarmos todas as denúncias que chegarem à CPI com envolvimento de A ou de B, independentemente da sua origem política. Eu espero que a CPI possa ter um saldo positivo. Eu acho que é a expectativa de todos nós. Portanto nós temos que estar muito atentos às blindagens que começam a ocorrer. O que eu percebo é que aqueles, principalmente, lideranças petistas que estavam muito entusiasmadas com a CPI no seu início porque achavam que podia atingir A ou B, essa ou aquela figura da oposição, eu já não vejo o mesmo entusiasmo. Eu já vejo, por exemplo, e cito algo objetivo, uma certa preocupação em não entrar, por exemplo, em relações privadas porque...
Eu vejo uma certo esforço de restringir as investigações a agentes públicos. Eu acho que não. Tem que ir nos agentes públicos, sejam eles parlamentares, sejam eles governadores, agentes privados que tiveram relações com todos os níveis de governo, seja municipal, estadual e o próprio governo federal. Eu não vejo entusiasmo, por exemplo, da base, para investigar de que forma a empresa Delta, por exemplo, teve esse volume de negócios ou de contratos com o governo federal num espaço de tempo tão curto. Será que isso também não é necessário que se averigue? Então nós vamos estar lá numericamente inferiorizados, mas muito organizados, repito, para não permitirmos que essa seja uma CPI direcionada contra a oposição.

Folha/UOL: Do ponto de vista estritamente da estratégia política, o Palácio do Planalto errou ao turbinar a instalação da CPI no começo?

Aécio Neves: Eu acho que essa coisa começou um pouco desorganizada. Eu fui governador por oito anos. E, na verdade, a nenhum governo, a realidade é essa, interessa uma CPI que não tenha um foco muito definido. Por uma razão: ela de alguma forma cria conflitos internos dentro do Congresso e esses conflitos têm como consequência o quê? A interrupção de votações, o retardo, o atraso de votações que são extremamente relevantes. Mas até agora eu acho que o governo não, do ponto de vista do governo em si, do Palácio do Planalto, não acho que errou. Eu acho apenas que houve uma manifestação do Congresso, que ele respeitou, eu acho até que não tinha muitos instrumentos para se interpor, muitos instrumentos para poder obstacular ou paralisar isso a partir do momento em que as lideranças principais do PT se manifestaram favoravelmente.

Eu tenho esperança. Eu tenho esperança que ela [a CPI] bem conduzida, e com seriedade, com imparcialidade, possa ser um instrumento a favor daquilo que o Brasil todo quer Fernando, que nós tenhamos limites, que nós possamos impedir que o setor público seja assaltado como vem sendo ao longo dos últimos anos. O que nós assistimos no governo federal, Fernando, ao longo do último ano, é inconcebível. A desqualificação da composição do governo. Isso que é grave. A desqualificação e as consequentes denúncias de corrupção, que nos levaram a esse recorde aí de sete ministros denunciados e retirados do governo por denúncias.

Folha/UOL: Essas acusações de corrupção agora no caso do Cachoeira são multipartidárias. A impressão que se tem, olhando de fora, é que, quem é da oposição fica, e é legítimo que seja assim, tentando espetar o governo. O sr. acaba de falar sobre a empreiteira Delta e obras federais. E quem está no governo, tentando espetar a oposição, dizendo: "o governador Marconi Perillo, de Goiás, o deputado fulano, o senador ciclano". É possível dizer se um lado vai sair mais prejudicado que o outro agora?

Aécio Neves: É impossível você avaliar. Essa máxima é antiga, você já ouviu centenas de vezes, mas ela é absolutamente real: todos sabem como começa [a CPI], mas ninguém sabe como termina [a CPI]. Aqueles que acham ou pretendem blindá-la, como eu disse aqui, ou direcioná-la para determinados adversários políticos vão se frustrar. Porque há um acordo, uma movimentação muito natural, Fernando, as informações chegam de todos os lados. E chegam até de adversários políticos mesmo, como nos chegam de prefeitos, nos chegam de governadores ligados ao governo. O que tem que haver é critério, organização e imparcialidade nas investigações.

Folha/UOL: Vamos falar de blindagem. O PSDB, seu partido, tem alguns nomes que foram citados. Eu citei um aqui, governador Marconi Perillo de Goiás. O governador Marconi Perillo de Goiás deve ser investigado diante dos indícios que apareceram até agora?

Aécio Neves: Olha, acho que todos serão. Todos que têm sido citados deverão ser. Inclusive o governador. Ele está muito tranquilo, Fernando. O que eu posso dizer aqui é reproduzir as conversas que ele tem tido conosco, ele tem estado em Brasília nesses últimos dias. O que ele diz, e eu reproduzo, é que realmente esse Carlinhos Cachoeira tinha, em Goiás, um leque grande de relações, né, com qualquer governo, ele [Perillo] cita até que ele [Cachoeira] chegou, enfim, no governo anterior ao governo do PSDB, mas que não houve no seu governo nenhuma relação ilícita com ele [com Cachoeira]. Obviamente, como existem essas citações nessas conversas gravadas, ele responderá a isso. E eu acho que em determinado momento responderá na própria CPI. Tanto ele, quanto o governador do Distrito Federal [Agnelo Queiroz, do PT], também sobre quem recaem denúncias. Todos aqueles que tiverem sido citados, eu acredito, devem estar à disposição para prestarem esclarecimentos.

Folha/UOL: O sr. mencionou o senador Demóstenes Torres dizendo das relações impróprias dele com Cachoeira, da proximidade, que um homem público deve evitar tal tipo de relação. Um deputado do seu partido, Carlos Alberto Leréia, do PSDB de Goiás, disse ser amigo, de fato, de Cachoeira, convive com Cachoeira e que sabia que o Cachoeira era um contraventor. Palavras dele.

Aécio Neves: Conduta imprópria. Eu não sou, viu Fernando, advogado de defesa e responsável pela ação dos membros do meu partido, nem pelos membros de outros partidos. Acho que na vida pública cada um de nós responde pelos seus atos. Pelos meus eu respondo integralmente. Eu acho que é uma relação que cria alguns constrangimentos dentro do PSDB.

Folha/UOL: Nesse caso, o PSDB, que é crítico em relação ao governo não deveria talvez tomar alguma atitude, licenciar o político...

Aécio Neves: Essa questão está sendo... O que eu posso dizer é que, com a cautela devida, até porque não é o único parlamentar citado, mas essa possibilidade está sendo discutida pelo partido.

Folha/UOL: Qual delas?

Aécio Neves: De ele eventualmente ele se licenciar para ficar mais à vontade para apresentar sua defesa.

Folha/UOL: Um quarto dos 32 titulares da CPI são investigados de alguma forma na Justiça sob acusação de algum tipo de irregularidade. Esse tipo de composição prejudica muito a imagem do Congresso?

Aécio Neves: Olha, o ideal é que não fossem. O ideal era que tivessem os partidos tivessem um pouco mais de cautela. Mas o fato de ser investigado também não pode significar previamente, Fernando, uma condenação. O que nós esperamos, Fernando, e aí o país vai acompanhar, a imprensa tem um papel vital nisso, é que as investigações se deem com seriedade, com absoluta profundidade, sem qualquer esforço de blindagem de quem quer que seja. E quem pode blindar não é a oposição, que é uma minoria até pouco expressiva no conjunto da CPI. Então nós vamos estar muito atentos ao comportamento da maioria. E a princípio, nós temos que dar credibilidade por aqueles que estão sendo indicados pelos partidos políticos.

Folha/UOL: O sr. mencionou o trabalho da mídia, da imprensa. Um colega do sr., que faz parte da CPI do Cachoeira, o senador Fernando Collor de Mello, do PTB de Alagoas, fez duras críticas durante a instalação da CPI ao trabalho da mídia, dizendo que vai fazer todo o possível para evitar a intromissão da mídia, que vazem documentos para a mídia. É correto o discurso de Fernando Collor?

Aécio Neves: Olha, eu discordo de tudo o que signifique qualquer cerceamento de participação da imprensa. O Brasil deve muito, Fernando, à imprensa, Fernando, mais ainda que ao governo. Se nós estamos vivendo um processo de alguma depuração, e eu vejo sempre citações a essa coisa do governo que fez a faxina, que tirou os ministros denunciados por corrupção... Governo coisa nenhuma. Quem fez essa faxina foi a imprensa. Todos esses ministros que caíram, caíram por quê? Porque ficou insustentável sua situação a partir de denúncias de fora para dentro. Nenhum desses ministros deixou o governo, ou nenhuma dessas autoridades, porque não foram só ministros, em razão de uma investigação da AGU, Advocacia-Geral da União, ou de avaliações internas através de auditorias setoriais que identificaram desvios. Não. As denúncias foram feitas, a situação deles ficou absolutamente insustentável e eles caíram. Esse é um governo reativo.
Uma outra questão colocada, eu não ouvi essa declaração do senador Collor, que nos preocupa a qualquer um no Estado de Direito, são realmente os vazamentos seletivos. Esses vazamentos seletivos para atingir A ou B, nós temos que criar instrumentos para impedir isso e para penalizar de forma mais vigorosa quando eles saem dessa forma. Por que o que seria o melhor para todos? Que todos os documentos, que toda a investigação se tornasse pública e nós pudéssemos avaliar o conjunto da obra e não apenas aquilo que interessa a A ou interessa a B ou a quem dispõe de mais informações. Mas cercear o trabalho da imprensa é ir na contramão de tudo o que vem acontecendo de positivo no Brasil nos últimos tempos.

Folha/UOL: Para sumarizar, o sr. acha que na parte em que o senador Fernando Collor diz "quero evitar os vazamentos da CPI" o sr. entende que são vazamentos seletivos que ele quer evitar e com isso o sr. concorda?

Aécio Neves: Eu não sei. E não cabe a mim interpretar o que diz o senador Collor. O que eu acho é que deve ser dado acesso a todas as informações que chegarem à CPI. O maior antídoto ao vazamento é franquia às informações. Por que não tê-las? O que vem acontecendo até agora, antes de os processos chegarem à CPI ou chegarem ao Congresso Nacional são determinados vazamentos que obviamente atendem a determinados interesses. Eu não saberia te dizer quais. Mas não o da elucidação absoluta dos fatos.

Folha/UOL: A popularidade da presidente Dilma bate recorde atrás de recorde. Por que na sua opinião?

Aécio Neves: É a economia [risos], sempre a economia. Mas isso não foge ao meu ver de uma expectativa que nós já tínhamos. A economia vai bem, a avaliação do governo é positiva. Mas se você adentra um pouco mais, se você se aprofunda um pouco mais, analisando as pesquisas, você vai perceber que mais de 60% da população condena hoje a qualidade do atendimento à saúde. Mais de 60% da população condena a ação do governo federal em relação à segurança pública. Mais de 60% da população é crítica em relação à estrutura tributária do Brasil hoje. E por quê, Fernando? Então uma coisa é uma avaliação vamos chamar de "estática" hoje da presidente. Outra coisa é um enfrentamento que vai haver no futuro, onde essas questões vão ser colocadas. Por que a saúde pública hoje é de péssima qualidade? Há dez anos, o governo federal investia, contribuía com 44% de tudo o que se gastava com saúde pública no Brasil. Hoje, passados dez anos de governo do PT, participa com apenas 30%. Por isso que vai mal. O governo federal virou as costas para a saúde pública. Enquanto os municípios participam com 15% da sua receita, os Estados com 12% pelo menos, o governo federal não quis entrar com 10%. Segurança, só para terminar a pesquisa, rapidamente, 83% de tudo o que se investe em segurança pública no Brasil tem origem nos cofres municipais e estaduais. O governo federal é omisso e pouco responsável na questão da segurança pública. Os fundos constitucionais, fundos aprovados no Congresso, fundo penitenciário, fundo nacional de segurança, são todos os anos contingenciados para fazer superávit primário e, no final do ano, se distribui ali de forma muito pouco republicana todos esses recursos. Então o governo federal tem muitas contas a prestar. Mas a popularidade da presidente está aí.

Folha/UOL: Mas esses números que o sr. cita, eles não são novos. Eles existem já há alguns anos, essa deterioração nesses setores. Não obstante, o último presidente da República foi muito bem avaliado, conseguiu fazer sua sucessora que, até agora, continua bem avaliada, não obstante esses números que o sr. cita. Por que a oposição com esse discurso que o sr. está tendo aqui não consegue mobilizar votos, ou não conseguiu na última eleição, para ganhar o poder central?

Aécio Neves: Fernando, cada um tem o seu enfoque e a sua forma de ver as coisas. O presidente Lula tinha uma popularidade extraordinária no final de seu mandato, 120% de popularidade [risos]. Perdeu as eleições no primeiro turno. As oposições ganharam as eleições no primeiro turno. O somatório do candidato Serra [do PSDB] e da candidata Marina [Marina Silva, que disputou a eleição pelo PV] foi maior do que a da candidata do presidente da República. No final aquele voto da opção, da exclusão, enfim, e venceu o presidente, numa eleição que nós poderíamos ter vencido. O problema central, Fernando...

Folha/UOL: Por que não venceram?

Aécio Neves: Porque não tivemos votos suficientes.

Folha/UOL: Mas por que não tiveram os votos?

Aécio Neves: Porque uma parcela da população que votou na Marina, que votou portanto no discurso de oposição ao presidente Lula e à sua candidata, retornou à base do governo. Não conseguimos galvanizar essa parcela do eleitorado. Eu acho que o PSDB não fez uma campanha que poderia ter feito, mais vigorosa, enfim, por maior que tenha sido o esforço do Serra, e foi um esforço pessoal muito grande, nós não conseguimos renovar o nosso discurso. Por isso que eu me bato muito: o PSDB, ele tem uma responsabilidade enorme de apresentar, Fernando, a nova agenda para o Brasil. Até porque o PT abdicou disso. A nova agenda que está sendo implementada no Brasil é a mesma agenda proposta por nós [do PSDB] lá atrás: estabilidade econômica, privatizações, Proer, Lei de Responsabilidade Fiscal, início dos programas de transferência de renda, mudanças macroeconômicas que hoje regulamentam a economia... Tudo isso foi construído por nós. O PT vem dando continuidade a isso. Eu quero só te destacar um aspecto que é o seguinte: eu louvo muito essa alta popularidade da presidente. É uma pena que não esteja servindo para nada de positivo no Brasil. Eu pergunto: tanta popularidade, mas para quê? Onde estão as grandes reformas, Fernando? O governo da presidente Dilma, infelizmente, vai na mesma direção do presidente Lula no que diz respeito ao enfrentamento dos contenciosos. Questão tributária está aí, tirando competitividade da indústria brasileira, que já participou com quase 30% do nosso PIB, hoje participa com menos de 15%. Então não há iniciativa. No campo previdenciário, no campo da reforma política e no campo tributário, da própria reforma do Estado que a presidente com essa altíssima popularidade, com a ampla base de sustentação que tem no Congresso e com a situação econômica sob controle poderia estar tendo.

*Folha/UOL: Isso que eu ia perguntar. A presidente Dilma é popular, tem uma base de apoio a ela, no Congresso, muito ampla, não obstante, nessa semana, sofreu uma derrota na votação do Código Florestal. Por que que ocorre esse paradoxo?

Aécio Neves: Ora, porque são temas muito específicos, que dizem respeito à compreensão individual de cada um dos membros do parlamento. Eu pessoalmente acho que a Câmara errou. A minha opinião pessoal é de que o texto do Senado é um texto mais equilibrado, que criaria mais garantias à questão da preservação e da recuperação ambiental.

Folha/UOL: O sr. recomenda à presidente Dilma vetar esse texto aprovado pela Câmara?

Aécio Neves: Eu acredito que ela vetará. E acho que era mais adequado. Portanto o texto do Senado foi fruto de um esforço de entendimento muito amplo. Não era um texto dos ambientalistas e tampouco do setor produtivo. Mas era um texto de equilíbrio. Por isso, eu pessoalmente me esforcei muito junto aos parlamentares com os quais eu tenho mais ligação para que esse texto se mantivesse. Mas essa não foi a compreensão da maioria da Câmara dos Deputados.

Folha/UOL: Mas, só especificamente sobre o Código, se não for possível fazer na base dos vetos o expurgo do que que entrou na Câmara, o sr. não acha que o melhor é vetar na íntegra?

Aécio Neves: Na forma como ficou talvez o melhor seja esse veto e a retomada de uma nova discussão no Senado por mais que isso traga algum atraso.

Folha/UOL: A presidente da República manifestou no Palácio do Planalto que não gostou da votação. Por que ela, que tem tantos votos no Congresso não consegue impor sua vontade?

Aécio Neves: Esse governo, Fernando, ele tem uma dificuldade muito grande de enfrentar contenciosos. Eu vou fazer uma analogia. Eu acho que existem dois tipos de popularidade. É como o colesterol, tem o bom e tem o ruim. A popularidade ruim é essa que faz com que os governantes que têm essa popularidade tirem os pés do chão e achem que está tudo muito bem e que não se precisa enfrentar absolutamente nenhum problema maior. Essa é a popularidade ruim. Nessa que surfou o presidente Lula durante seis ou sete anos do seu mandato, poderia ter implementado reformas com a participação da oposição. Mas toda vez que ela gerava algum desconforto em algum aliado, ela ia para a prateleira. A presidente Dilma vem na mesma direção. Agora, popularidade boa, é aquela que traz coragem ao governante para tomar decisões que precisa tomar, independentemente de elas serem num primeiro instante impopulares.

Vou contar uma história para você, Fernando, que ilustra bem isso. Eu você sabe que iniciei minha trajetória acompanhado Tancredo [Tancredo Neves, avô de Aécio que foi eleito presidente da República em 1985], meu avô, naquela trajetória de reconquista das liberdades, redemocratização do país. Um dia nós estávamos chegando em Belém, era Círio de Nazaré, a maior festa religiosa talvez do mundo, uma multidão de gente na rua, nós estávamos ali num Aero Wyllys branco conversível, um sol de rachar, e ele levantando e cumprimentando as pessoas, se jogando na frente do carro, foi poucas semanas antes da eleição, um clima de muita expectativa e de esperança, que na verdade existia no Brasil inteiro em torno da eleição do Tancredo. Uma hora eu falei: "Meu avô, que loucura né, aqui em Belém, onde não tínhamos relações pessoais, não frequentávamos. Essa popularidade toda, o que o sr. vai fazer com ela?". Ele falou assim: "Eu vou acabar com ela em três meses". Eu demorei mais três meses para poder entender o que ele queria dizer. Mas ele estava preparado para tomar medidas que era corretas, mas não necessariamente populares. E o governante, o estadista, talvez essa seja a grande diferença, o que diferencia um administrador, um gerente de um estadista é a coragem para tomar medidas que num primeiro instante possam parecer impopulares mas que a médio e longo prazo tenham efeitos corretos. Falta a esse governo coragem política para enfrentar esses contenciosos.

Folha/UOL: Que nota o sr. dá para a presidente Dilma até agora?

Aécio Neves: Eu acho que do ponto de vista pessoal, eu acho que ela é uma pessoa bem intencionada. Mas ela é refém de uma armadilha criada pelo seu próprio partido. Esse governo de 40 ministérios, Fernando, isso não se justifica em lugar nenhum do mundo. Os Estados Unidos têm 15. A França tem 18. [São] 25 mil cargos comissionados, esses que eu lhe falei aqui que eu acabei em Minas Gerais. Para que isso? Para tornar a máquina eficiente? Eu vou dar uma nota mediana para a presidente. É bem intencionada, mas ela não consegue fazer o que precisa ser feito. Não consegue fazer o país avançar nas grandes reformas. Ela vai levar aí um cinco.
Nós temos na nossa pauta de discussões temas como royalties do petróleo e royalties minerais. A rediscussão do fundo de participação dos Estados, que terá que ocorrer até o final do ano. Renegociação das dívidas dos Estados. Além de outras questões específicas, [como] comércio eletrônico, a resolução daquela chamada guerra dos portos, 72 [Projeto de Resolução do Senado 72, de 2010], que nós votamos [no Senado] na semana passada. Tudo isso teria que estar sendo tratado a meu ver pelo governo de forma conjunta, na direção de um novo pacto federativo. O que o governo tem feito? Deixado Estados brigarem contra Estados como se não fosse a sua responsabilidade pactuar a federação. Isso é o que faz com que minha nota seja cinco, porque essa omissão do governo vem trazendo, e trará no futuro, prejuízos seríssimos para o país.

Folha/UOL: Como deve ser o processo de escolha do candidato a presidente pelo PSDB em 2014?

Aécio Neves: Prévias partidárias. Prévias, consulta às bases. Nós aprovamos na Comissão de Constituição de Justiça nesta semana um projeto que exatamente propõe e regula, faz a regulamentação das prévias. Nós estamos defendendo que ela possa ocorrer, e o projeto define isso, a partir de 1 ano antes das eleições. Então o prazo para as prévias poderiam se iniciar em outubro do ano que vem [2013]. A cada partido é facultado definir essa data, com acompanhamento da Justiça Eleitoral, com a possibilidade de debates entre os candidatos. Acho que isso vem na direção correta do fortalecimento dos partidos através da mobilização da militância e da definição de teses. Acho que a prévia partidária, que nós chamamos de primárias no projeto, é o caminho mais adequado. E eu defenderei, como já defendi no passado, que esse fosse o instrumento de definição do candidato do PSDB.

Folha/UOL: O seu colega de partido José Serra fez bem em entrar na disputa pela Prefeitura de São Paulo?

Aécio Neves: Ele teve um gesto de muita responsabilidade política e para com o partido. Ele é credor do partido. Porque a sua candidatura de alguma forma galvanizou as forças do PSDB, tornou um PSDB que saia de uma posição de inferioridade na disputa no favorito da disputa hoje. E a política é muito dinâmica né Fernando. Porque hoje aqueles que já alardeavam ou contavam com uma vitória antecipada através do dedo mágico da mão de Midas do presidente Lula, hoje estão com dificuldades para atrair um partido sequer para a aliança em torno do PT. Então eu acho que a situação hoje em São Paulo é muito positiva, é uma eleição que tem, pela sua natureza, pela sua dimensão e pelas figuras envolvidas, uma grande dimensão nacional. E será uma oportunidade de fazermos como tem dito Serra, o contraditório. Nós vamos dizer o que nós pensamos diferentes dos que estão aí em relação ao modelo de gestão, ao tamanho do Estado, em relação à eficiência. Enfim, eu acho que será uma belíssima oportunidade de o PSDB iniciar uma nova caminhada.

Folha/UOL: Curiosamente em São Paulo, o PSDB e o DEM ainda não fecharam um acordo para apoio à candidatura Serra. Depende de José Serra fazer um gesto e oferecer algo ao DEM, por exemplo, em Salvador, onde o Democratas que o apoio do PSDB para a candidatura do deputado ACM Neto para a Prefeitura local?

Aécio Neves: Olha, o DEM tem sido nosso aliado em todas as últimas eleições. E eu, que muitas vezes busco apoio de outros partidos, do próprio DEM, a uma candidatura do PSDB, defendo que, quando o DEM tem um candidato de maior viabilidade e com maior possibilidade de vitória do que o nosso, que nós pratiquemos a reciprocidade e apoiemos esse candidato. Acho que caminhamos para um gesto de reciprocidade. Eu defendo que o DEM apoie José Serra em São Paulo e que nós apoiemos a candidatura do DEM, do deputado ACM Neto, em Salvador. Me parece o mais lógico, o mais racional. Obviamente ouvindo as lideranças locais.

Folha/UOL: José Serra tem dito que, se ganhar a Prefeitura de São Paulo, ele é candidato para um mandato de quatro anos. O que ele quer dizer exatamente com isso?

Aécio Neves: Olha, na verdade ele está respondendo a uma cobrança que não é de desconhecimento de ninguém, é pública, em razão da sua saída na última eleição. E que eu justifico. Saiu porque houve uma demanda para que ele saísse.
Nós políticos, Fernando, somos de certa forma reféns das circunstâncias que nos cercam. Eu tenho certeza que as declarações do ex-governador, ex-prefeito José Serra, são absolutamente sinceras. Sua disposição é essa. Mas, como eu disse, o imponderável nos cerca, nos ronda, sempre. Ninguém sabe o quadro daqui a dois ou daqui a três anos. Da mesma forma que quando ele assumiu a Prefeitura lá atrás ele tinha a disposição de ficar, as circunstâncias levaram que ele disputasse o governo do Estado. E houve a compreensão da população de São Paulo que o elegeu para o governo do Estado.

Folha/UOL: José Serra ao dizer que se ganhar a Prefeitura de São Paulo ficará quatro anos no mandato de prefeito, ele também afasta em certa medida então a especulação sempre existente de que ele ficará dois anos e daí que ele vai desejar ser candidato a presidente em 2014. O sr. acha que, se ele vence a eleição para a Prefeitura de São Paulo, está afastada de vez a hipótese de ele ser candidato a presidente?

Aécio Neves: Acho que nada, de pronto, pode ser afastado. Porque se amanhã ele se transformar na opção mais viável do PSDB, poderá ser. Eu não coloco isso como algo definitivo.

Folha/UOL: Mesmo sendo prefeito e assumindo isso agora?

Aécio Neves: A sua intenção é essa. Pelo que eu estou conversando com ele, com o governador Geraldo [Alckmin, do PSDB-SP], a sua intenção é ficar em São Paulo.

Folha/UOL: Porém...

Aécio Neves: Porém as circunstâncias lá na frente podem demonstrar que ele é a grande alternativa para a sucessão presidencial. Eu não afasto isso de maneira peremptória e definitiva.

Folha/UOL: Seria bom para o PSDB se essa circunstância existisse, ele de novo ser o candidato?

Aécio Neves: Não sei. Ele só será o candidato se for o melhor para o PSDB. É o inverso, ele não será candidato apenas por querer ser. Até porque o que ele demonstra querer é ficar na Prefeitura, vencendo as eleições. Mas, se amanhã, seja ele, seja o governador Geraldo Alckmin, seja o governador Beto Richa [do PSDB-PR], o PSDB tem quadros, tem nomes colocados. O candidato do PSDB será aquele que melhores condições tiver para o enfrentamento, que melhor amalgamar as forças do nosso partido e outras. Porque eu acredito que nós chegaremos lá na frente encorpados, fortalecidos seja pelo desgaste do governo ou pela incapacidade do governo do PT de fazer o que precisa ser feito. O PT, Fernando, abriu mão. Abdicou de ter um projeto de país para se contentar em ter, exclusivamente, um projeto de poder. E isso a população vai perceber com muita clareza. E isso a população vai perceber com muita clareza. E aí entra nessa vale tudo. O PSDB tem a responsabilidade de ocupar esse vácuo apresentando a própria agenda para os próximos 20 anos no Brasil.

Folha/UOL: Então só para concluir esse caso, está completamente aberto então o quaro de nomes para serem candidatos do PSDB em 2014 e José Serra, mesmo sendo eleito prefeito é um nome que será considerado?

Aécio Neves: Pela sua dimensão pessoal, pelo que representa e pela representatividade que demonstrou ter na última eleição certamente será também avaliado. Mas nós não temos porque falar de 2014 antes de 2012. Nós temos que centrar os nossos esforços, forcarmos fortemente nas eleições municipais e sairmos dela ainda mais fortes do que estamos hoje.

Folha/UOL: O que falta para o seu nome, Aécio Neves, se consolidar como o principal nome viável do PSDB para candidato a presidente em 2014?

Aécio Neves: Fernando, política é a arte de administrar o tempo e administrar ansiedades. Ou seja, o maior desafio que nós temos hoje. Obviamente o meu nome será avaliado pelo partido, mas eu não tenho a menos pressa em relação a isso. Na minha terra costuma-se dizer que candidato com para-choque muito grande costuma chegar meio amassado no final.

Eu tenho me colocado à disposição do partido para sua reorganização estrutural. Já viajei cerca de 20 Estados no último ano exatamente fortalecendo o partido regionalmente, estimulando candidaturas do partido. O PSDB, antes de indicar um candidato, tem que dizer o que esse candidato representará. Então, definir quais são pelo menos as quatro, cinco linhas gerais de prioridades maiores que esse candidato levantará ou discutir é hoje a nossa prioridade. Nós temos a eleição municipal para isso, temos o ano de 2013 para isso e eu acredito que, entre 2013 e o alvorecer de 2014, aí sim, o PSDB deve ter um candidato colocado para que ele possa conversar com o país, conversar com a sociedade, buscar alianças no campo partidário e se colocar em condições competitivas mais favoráveis possíveis.

Folha/UOL: O seu nome estará à disposição do PSDB entre esses possíveis candidatos em 2014? O sr. colocará o seu nome à disposição?

Aécio Neves: Fernando, ninguém é candidato de si próprio. Eu acho essa coisa meio irreal você colocar o seu nome. É natural... Hoje existem setores do partido que estimulam a minha candidatura. Mas eu só acredito em candidatura viável quando ela vem com grande dose de naturalidade. Se ocorrer de forma natural o encaminhamento em torno do meu nome, obviamente eu estarei preparado para o enfrentamento, sem a menor dúvida de que nós somos muito competitivos. Mas eu tenho muitos defeitos. Mas entre eles, Fernando, não está o da obsessão. Se outro companheiro estiver no momento certo e em melhores condições, ele será o candidato com o nosso apoio.

Folha/UOL: Os críticos do seu nome no campo da oposição, isso não é novidade, dizem que o sr. é muito jovem e tem uma imagem imatura na população. E associam alguns eventos da sua vida à uma vida de um político que não poderia ser presidente da República. Citam esse caso que ficou conhecido, do teste do bafômetro no Rio de Janeiro, o sr. levou uma multa por dirigir com a carteira nacional de habilitação vencida. O que o sr. tem a dizer a esses críticos que usam esses argumentos?

Aécio Neves: Em primeiro lugar, que olhem o vencimento de sua carteira de habilitação para não serem surpreendidos como eu fui [risos]. Fernando, eu sou um homem do meu tempo. Eu acho que a minha vida pública está aí, eu tenho quase 30 anos de mandato, governei Minas Gerais por oito anos e essa eu acho que é a avaliação que deve ser feita. Saí de Minas com mais de 90% de aprovação. Não espero unanimidade. Eu tenho meus acertos, meus defeitos, mas eu acredito muito na política, na política com "P" maiúsculo, na política feita com seriedade, com ousadia e com coragem. E eu sempre fui julgado por isso. O que me parece que até hoje, aqueles que comigo convivem e, enfim, e conhecem o meu trabalho, que são os mineiros, têm algo de muito positivo a dizer.

Folha/UOL: Para concluir, o sr. como senador, havia uma expectativa de que o sr. fosse mais presente ainda do que tem sido no Senado. Mais discursos, mais intervenções. Algumas pessoas acham que o sr. foi crítico até agora. O sr. concorda com essa crítica?

Aécio Neves: Olha, eu respeito essa crítica. Eu apenas não acho que qualquer pessoa tem que estar surpreendida em relação a isso. Fui o que eu sempre fui. Fui no Senado o que eu fui no passado, no governo do Estado, na Câmara dos Deputados, quando presidi a Câmara, quando liderei o PSDB por quatro anos. Casa homem tem o seu estilo, Fernando. Eu vou ter o meu.

Folha/UOL: Senador Aécio Neves, muito obrigado por sua entrevista à Folha e ao UOL.

Aécio Neves: Foi um prazer, até a próxima, Fernando.

 

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