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Serafina

Atriz transgênero apanhou na infância e hoje faz sucesso na TV americana

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Aos oito anos, de dentro do ônibus escolar, Laverne Cox olhava as ruas de Mobile, no estado sulista do Alabama, desejando que cada esquina demorasse horas para ser cruzada. Assim que a parada perto da sua casa chegava, era a primeira a descer. E corria.

Em um dia, não adiantou. Quatro meninos de uma banda de rock a alcançaram. Laverne era um garoto (e ela não revela seu nome de batismo a ninguém), mas tinha jeito de menina e fazia balé. Os garotos espancaram-na e marcaram seu corpo com golpes de baquetas de bateria.

Mariano Vivanco
A atriz Laverne Cox
A atriz Laverne Cox

Corta para abril de 2015. Laverne está com 30 anos. Eleita uma das pessoas mais influentes do mundo pela revista "Time", por sua luta pelo reconhecimento dos direitos das pessoas transgênero, ela tem uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e sua mulher, Michelle.

"Com certas pessoas que encontro, tento me controlar, manter a postura, mas encontrar o presidente e a primeira-dama foi demais para mim", brinca a atriz que ganhou fama como Sophia Burset, a cabeleireira e prisioneira transgênero da série "Orange is the New Black", do Netflix.

"Enviei a foto do encontro para minha mãe e foi engraçado ver a reação dela. Foi uma espécie de aceitação."

Aceitação é a palavra que guiou Laverne nas últimas duas décadas, entre a menina que não entendia porque achavam que ela era um menino e a mulher que se tornou a primeira transgênero indicada ao Emmy, o Oscar da TV americana, em 2014.

"A personagem é importante para muita gente. Em minhas viagens, encontro adolescentes que dizem que Sophia lhes salvou a vida, ajudando na transição sexual", diz a atriz, que mora em Nova York. Laverne trabalha no Actor's Studio, escola de atores que formou gente como Al Pacino e Robert De Niro. "Temos nove alunos transgênero. Eles achavam que nunca poderiam alcançar o que queriam por serem trans e negros. Meu exemplo lhes deu força."

VIDA NOVA

Divertida, diz que sonhava ser "rica e famosa" quando criança. "Queria mostrar que eu era melhor que os valentões do colégio", diz. "Como adulta, sei que não sou melhor que ninguém. A dor que carrego da infância não foi embora quando ganhei um programa na TV ["TRANSform Me", de 2010]. Notei que precisava de ajuda externa."

Anos de terapia ajudaram Laverne a entender seu lugar no mundo, mas ela recusa o rótulo de pioneira da popularização das pessoas transgênero. "Sou cuidadosa quando alguém diz que sou o 'marco zero' de algo, porque Candis Cayne [a primeira atriz transgênero a atuar em uma série no horário nobre] veio antes e há várias que não podiam sair do armário", diz a atriz.

Apesar do destaque que recebeu por "TRANSform Me", Laverne ficou mais conhecida do público em julho de 2013, quando o Netflix colocou no ar "Orange is the New Black", adaptação de Jenji
Kohan ("Weeds") do livro homônimo de Piper Kerman, sobre seu período encarcerada em um presídio feminino.

"Eu não conseguia pagar meu aluguel antes da série. Agora, estilistas fazem roupas para mim e posso comprar joias", conta Laverne. "Outro dia, pensei que tinha perdido um bracelete de US$ 50 mil e, quando achei, comecei a chorar. Três anos atrás, eu chorava porque havia recebido uma ordem de despejo. Minha vida mudou de maneira radical."

VEJA TRAILER DA 3ª TEMPORADA DE "ORANGE IS THE NEW BLACK"

Trailer de OITNB

#TIMESOPHIA

Na terceira temporada da série, que será lançada em 12 de junho, Laverne ganha mais destaque. O primeiro episódio mal toca no drama da protagonista, Piper Chapman (Taylor Schilling), e fala sobre maternidade e fé. "Sophia não é uma pessoa religiosa e acredita no seu papel como pai. Vemos como seu filho precisa de um pai, e Sophia decide assumir esse papel", conta a atriz, que
admite ter gostado da mudança dramática dos novos episódios.

"Eu me diverti de forma estranha neste ano porque Sophia tem momentos sombrios na série. Vamos ver quem continuará sendo #TimeSophia."

Independentemente do destino da personagem, Laverne já sacudiu os padrões da televisão americana. Neste mês, sua pupila, a atriz transgênero Jamie Clayton, estreia "Sense8", série dos irmãos Andy e Lana Wachowski ("Matrix") para o Netflix. E "Transparent", da Amazon, sobre um pai transgênero, deve estrear a segunda temporada neste ano depois de ganhar o Globo de Ouro de melhor comédia televisiva.
"Amo 'Transparent', é muito inteligente", diz Laverne, fanática por séries, que cita entre suas favoritas "The Good Wife", "Silicon Valley", "Veep" e "Mad Men".

"O que eu gostaria de fazer com Jon Hamm não poderia ser feito em frente às câmeras", diz ela sobre o ator principal de "Mad Men", que acaba de terminar. "Meu Deus, eu falei isso em voz alta?"

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