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Serafina

Dira Paes estreia seu 41º filme e diz que sua brasilidade foi seu trampolim

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No quintal da casa na Barra da Tijuca, há resquícios da decoração de uma festa infantil realizada dias antes. É do aniversário de um ano de Martin, de Dira Paes. Ela teve o caçula aos 46, após três tentativas de inseminação artificial. Inácio, o mais velho, de 8, é fruto de gravidez espontânea aos 39. Ambos da relação de dez anos com o diretor de fotografia Pablo Baião.

Um quartinho espaçoso guarda os brinquedos dos garotos e cartazes de filmes estrelados pela mãe, como "Anahy de las Missiones" e "Corisco & Dadá" – responsáveis pelos primeiros prêmios, em 1996 e 97, no Festival de Brasília. Estão dispostos na estante, entre outros dos 32 anos de carreira.

Ao 47, ela desce as escadas de salto, vestido com decote e acima dos joelhos, cabelos curtos e sorridente. Sente-se "jovem, começando do zero, disponível para tantas coisas que ainda vêm". "Sou uma mulher contemporânea", afirma. E defensora do girl power. "A mulher não é mais uma voz submisssa dentro da sociedade. Vão ter que nos engolir, parafraseando você sabe quem."

Nascida em Belém do Pará e com fortes traços indígenas, Dira Paes diz dever tudo a eles. "Achei que minha brasilidade poderia ser meu algoz e acabou sendo um trampolim", diz. Foi graças a ela que foi selecionada em 1984 para rodar o britânico "A Floresta das Esmeraldas", de John Boomer.

Três anos depois, mudou-se para o Rio de Janeiro. Sem esse estigma, preconceituoso para ela, da mulher que veio do Norte e venceu. "Sou de classe média, tive uma supereducação e me formei cedo em inglês."

Foi também a brasilidade o trampolim para estrear na Globo, em 1995, como a índia Potira, no remake de "Irmãos Coragem". Mas só veria seu nome ganhar repercussão nacional uma década após sua ida para a TV.

Simultaneamente, no cinema, com o humorístico "A Diarista", e na TV com o drama "2 Filhos de Francisco". Na emissora, ainda colecionou papeis marcantes, como a periguete Norminha ("Caminho das Índias") e a sofredora Celeste ("Fina Estampa").

O BICHO DO CINEMA

O mineiro José Luiz Villamarim era em Irmãos Coragem um dos assistentes de direção. Hoje é um dos maiores nomes da emissora. Só em 2015 Villamarim escalou a atriz para três personagens diferentes: a madame Celeste ("Amores Roubados"), a delegada Rosa ("Rebu") e a Toninha, uma mulher "do Brasil profundo", que fez de Dira "a escalação perfeita", nas palavras do diretor, para "Redemoinho".

O filme, que estreia em janeiro, é a primeira incursão de Villamarim no cinema. Dira, por sua vez, construiu sua essência nele. É sua 41ª produção.

"A Dira tem o bicho do cinema dentro dela", aponta o diretor. Ela reconhece. "Nele me transformei mulher e conheci o Brasil e o mundo. O cinema é um mergulho sem asas". Ao destacar sua entrega, o diretor lembra dela acatar, sem pestanejar, a ideia de raspar as sobrancelhas. "São nuances que me fazem acreditar na personagem", diz.

A trama angustiante fala sobre o reencontro de dois amigos (interpretados por Julio Andrade e Irandhir Santos, que faz seu marido). Um segredo do passado orbita em torno dos personagens e coloca em questão sentimentos como solidão e felicidade.

Com Irandhir, a atriz também fez par romântico esse ano em "Velho Chico". Os assuntos da novela de Luiz Fernando Carvalho (de educação a reforma agrária) saíam da ordem do dia. A arte imitava a vida. O inesperado veio duas semanas antes do último capítulo, quando a vida reproduziu a ficção.

Em 15 de setembro, Domingos Montagner, cujo personagem chegou a ser dado como morto ao desaparecer no rio São Francisco, se afogou durante mergulho no mesmo rio, num intervalo das gravações. Foram duas semanas difíceis, lembra Dira, emocionada. Era o primeiro trabalho com Montagner, e ela "estava tomada pelo seu carisma". "Ele era um artista disponível e que jamais deixaria um espetáculo ser interrompido".

O PÓS-BAQUE

Sem planos ainda pra 2017, ela quer se recompor da batida que foi esse ano marcado pelo que "jamais imaginei que chegasse a tantos extremos" no cenário político e social. Acha "absurda qualquer represália a pensadores brasileiros", como Chico Buarque. Diz que é necessária "uma reflexão profunda, não no sentido de mudar de opinião, mas de reafirmação de valores" para se colocar diante "dos retrógrados".

O ano foi de reviravoltas políticas. Ela afirma que o impeachment de Dilma Rousseff foi "arbitrário", que o governo Michel Temer "é imposto" e apoia a Lava Jato "por deflagrar tudo que não queremos mais. "Mas não gosto do show de horrores."

Há 14 anos à frente da ONG Movimentos Humanos Direitos, em companhia da amiga Camila Pitanga, ela luta contra o trabalho escravo.

Amigas "há pelo menos 20 anos", Camila afirma que Dira é "extremamente articulada". "Temos muitas afinidades por achar que precisamos exercer nossa cidadania não só para o nosso lar, mas coletivamente".

Camila está entre os colegas do meio que Dira admira. Mas gostaria de ver as pessoas da classe mais envolvidas na prática do que em textões de internet. "Vejo muitas pessoas que falam à beça mas não fazem nada".

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