Ouro Preto reúne nomes de marcas Top of Mind em sua principal rua comercial

Aquele dourado típico de fim de tarde renova-se em uma paleta de cores pulsante quando refletida sobre o impressionante conjunto arquitetônico colonial de Ouro Preto, cidade que detém o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, concedido pela Unesco.

Em meio aos cliques das câmeras fotográficas dos turistas, o vaivém de pedestres intensifica-se no crepúsculo. 

O fim do expediente de comerciários, bancários e afins coincide com o início da noite dos forasteiros, que cruzam uma das vias comerciais mais populares do centro histórico, a rua São José.

Ladeada de lojas e estabelecimentos dos mais variados tipos, de tecidos a telefonia (Vivo, Oi), de bancos (Caixa e Banco do Brasil ) a hostels, passando por bares e restaurantes, a rua é um trajeto que convida ao passeio, por ser plana, numa cidade onde ladeiras íngremes desenham a topografia urbana, com o pico Itacolomi se destacando ao fundo. 

"Na freguesia do Pilar, a rua Nova do Sacramento, posteriormente Tiradentes e atual São José, foi aberta pelos irmãos de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos do Caquende, por ocasião do traslado do Santíssimo Sacramento para a nova matriz do Pilar, em 1733", explica Kátia Maria Nunes Campos, 65, especialista em demografia histórica e urbanismo colonial de Ouro Preto.

Diz ela: "Esta obra pode ser considerada como uma grande contribuição das técnicas de mineração de ouro ao desenvolvimento do traçado da vila. A sua construção consistiu num projeto de engenharia urbanística completo, constituído de avaliação da topografia, execução de cortes e aterros e estabelecimento de uma cota para o leito da nova rua, evitando soluções simplistas e de execução mais fácil, que resultariam inexoravelmente em ladeiras íngremes".

Os construtores buscavam obter uma rua longa e praticamente plana, numa área inacessível e de declives extremos, com inclinações próximas de 80 graus, que permitisse a marcha da procissão e o desfile de carros e alegorias.

A rua passou a atrair grandes empresários e comerciantes, que mantiveram desde o princípio a vocação comercial da via e anularam, assim, o velho conceito de que "as cidades coloniais eram abertas pelos pés e não tinham planejamento", conta a especialista, que também é diretora de Patrimônio e Cultura de Ouro Preto.

Diferentemente de outras vias, a São José abrigava as principais lojas, à época, conhecidas como empórios, com ferramentas, tecidos, armas e produtos importados. Primeiramente, a rua tinha o calçamento colonial conhecido como "pé de moleque" ou calçada portuguesa.

Após a reforma, que ocorreu em 1875, passou a ostentar o pavimento com paralelepípedos, o que segue até hoje. Os casarios também serviram de morada de comerciantes e profissionais liberais importantes, como médicos e dentistas. É o caso do número 189, sede do Banco do Brasil, inaugurada em 20 de maio de 1961. 

Desde que foi criada a categoria Banco pelo Top of Mind, o BB é o vencedor. Neste ano, ele conquistou sua maior margem de lembrança no interior, com 35%.

O gerente Carlos Wagner Altimiras Costa, 49 anos, 30 deles dedicados ao BB, conta que a relação do banco com o município data do início do século passado. Desde os anos 1930 havia em Ouro Preto um correspondente bancário, que atendia à clientela no largo do Rosário.

"Era ele quem cuidava, entre outras transações, de empréstimos e ordens de pagamento", afirma. Hoje, o Banco do Brasil possui na rua São José ao menos 23 mil clientes, a maioria ligada à área de comércio e serviços, numa das cidades brasileiras mais visitadas por turistas.

O uso de mobile como ferramenta para transações bancárias chega a 32% entre as pessoas físicas, percentual considerado elevado pelo próprio gerente.

A cidade, vale lembrar, abriga a Ufop (Universidade Federal de Ouro Preto) e é dona de uma vibrante vida cultural e de Carnavais animados, promovidos em larga escala por estudantes. Há 150 anos, a rua São José é palco de desfiles do bloco Clube dos Lacaios, ou o popular Zé Pereira, um dos mais antigos do Brasil. Para esses foliões, pouco importa se a rua é plana ou uma ladeira sem fim: Ouro Preto é sempre uma festa! 

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