Descrição de chapéu The New York Times

Aquecimento global causa derretimento de geleiras no Himalaia

Estudo revela que as geleiras perderam 45 cm anualmente desde 2000

Somini Sengupta
Nova York | The New York Times

A mudança climática está “comendo” as geleiras do Himalaia, o que representa uma grave ameaça para centenas de milhões de pessoas que vivem próximo à região, mostrou um estudo baseado em 40 anos de dados de satélite.

O estudo, publicado na revista Science Advances na quarta-feira (19), concluiu que as geleiras perderam cerca de 45 cm de gelo todos os anos desde 2000, derretendo a um ritmo muito mais rápido do que nos 25 anos anteriores. Nos últimos anos, as geleiras perderam cerca de 8 bilhões de toneladas de água por ano. Os autores do estudo descreveram como sendo o equivalente à quantidade de água mantida por 3,2 milhões de piscinas olímpicas.

Além disso, o estudo aponta para os perigos do aquecimento global para as montanhas do Himalaia, que são consideradas as torres de água da Ásia e uma apólice de seguro contra a seca.

Na foto o rio Dangme atravessa um vale perto de Mongar, no Butão.
O rio Dangme atravessa um vale perto de Mongar, no Butão - ADAM DEAN - NYT

Em fevereiro, um relatório produzido pelo International Center for Integrated Mountain Development (Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha) alertou que o Himalaia poderia perder até um terço de gelo até o fim do século, ainda que o mundo cumprisse sua meta mais ambiciosa de manter as temperaturas médias globais subindo apenas 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Esse objetivo, que os cientistas identificaram como vital para evitar ondas de calor catastróficas e outros eventos climáticos extremos, está longe de ser atingido. A temperatura média global subiu 1 grau já nos últimos 150 anos. As emissões de gases do efeito estufa continuam a subir. E os cientistas estimam que estamos no caminho para elevar a temperatura média global entre três e cinco graus até o fim deste século.

Outro estudo, publicado em maio na revista Nature, descobriu que as geleiras do Himalaia estão derretendo mais rápido no verão do que sendo reabastecidas pela neve durante o inverno. Nas estações quentes, a água derretida das montanhas alimenta os rios que fornecem água potável e irrigação para as plantações.

O recuo das geleiras é uma das consequências mais gritantes do aumento das temperaturas globais. Em todo o mundo, o desaparecimento de geleiras significará menos água para pessoas, gado e plantações.

Nas montanhas do Himalaia, a perda de geleiras apresenta dois grandes riscos. A curto prazo, o derretimento das geleiras deixa para trás detritos de rochas que criam represas, e se essas barragens de detritos se romperem, as inundações resultantes podem destruir aldeias próximas. A longo prazo, a perda de gelo glacial significa a perda do futuro banco de água da Ásia —uma salvaguarda contra períodos de calor extremo e seca. As geleiras recuadas também podem ameaçar os ecossistemas que dependem dessa água, o que, por sua vez, pode afetar as comunidades da região.

O estudo mais recente, conduzido por pesquisadores do Lamont-Doherty Earth Observatory at Columbia University (Observatório da Terra Lamont-Doherty da Universidade de Columbia), contou com a análise de imagens de satélite de 650 geleiras ao longo de 2.000 km do Himalaia, incluindo dados recentes de satélites espiões dos EUA. Os pesquisadores transformaram as imagens em modelos 3D que mostram as mudanças na área e no volume das geleiras.

Eles descobriram que de 1975 a 2000, as geleiras da região perderam cerca de 25 cm de gelo a cada ano. A partir de 2000, a taxa de perda dobrou. O estudo também concluiu que, ainda que a fuligem da queima de combustíveis fósseis tenha contribuído para o degelo, o principal fator foi o aquecimento global. Embora as temperaturas tenham variado em toda a vasta cadeia de montanhas, em média, elas subiram mais rápido entre 2000 e 2016 em comparação com os anos anteriores.
 

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