Polícia Federal, Marinha e Meio Ambiente investigarão manchas de óleo no NE

Determinação partiu de Bolsonaro; poluição já afeta 124 regiões de 59 municípios do litoral nordestino

Ricardo Della Coletta
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro determinou neste sábado (5) que a Polícia Federal, o comando da Marinha e o Ministério do Meio Ambiente investiguem as causas e as responsabilidades do aparecimento de manchas de óleo que atingem todos os estados do Nordeste.

Em edição extra do Diário Oficial da União, o presidente estabeleceu que as informações coletadas e as providências adotadas sejam apresentadas à Presidência da República em 48 horas. 

No âmbito do Ministério do Meio Ambiente, as apurações serão feitas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).

Operação da Semace recolhe 500 litros de óleo das praias - SEMACE/ DIVULGACAO

As apurações devem ocorrer, segundo o despacho de Bolsonaro, "sem prejuízo de ações coordenadas com o comando do Exército e com o comando da Aeronáutica". 

O avanço das manchas tem sido constante desde o início de setembro. Na quinta-feira (3) o petróleo atingiu o litoral da Bahia, onde o Projeto Tamar atua na preservação de espécies marinhas ameaçadas de extinção.

A poluição já afeta 124 regiões de 59 municípios do litoral nordestino. 

Neste sábado, uma das praias mais frequentadas do litoral de Fortaleza (CE), a praia do Futuro, amanheceu imprópria para o banho, também por causa das manchas de óleo. 

A Semace (Superintendência Estadual do Meio Ambiente), órgão ambiental cearense, está alertando os frequentadores que insistirem no banho de mar para que evitem o contato com o material tóxico.

Apesar do alerta, centenas de pessoas aproveitaram o dia de sol para o lazer na praia. A Semace tem feito mutirões de limpeza para a retirada do óleo cru que aparece nas areias e uma equipe foi mantida de plantão neste sábado. 

A principal suspeita é que tenha havido vazamento de petróleo de navio estrangeiro. ​O ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) disse nas redes sociais que irá a Sergipe na segunda-feira (7) para tratar do tema com o governador Benivaldo Chagas (PSD). 

Em Sergipe, o problema se agravou neste sábado (5) com o aparecimento de camadas maiores em todo o litoral ao sul da capital, Aracaju. Nesse trecho até a divisa com a Bahia, todas as praias estão impróprias para banho, o que também prejudica o turismo.

"É um trabalho de enxugar gelo. Nossas equipes retiram o óleo da areia e o mar traz novas levas. É algo nunca visto por aqui", afirma o presidente da Adema (Administração Estadual do Meio Ambiente), Gilvan Dias.

Um dos pontos afetados no litoral sergipano é a reserva de Santa Isabel, que fica no município de Pirambu, destinada à reprodução de tartarugas marinhas. Foram encontrados animais mortos no local, mas a causa ainda está sendo analisada. 

"Mesmo que a água esteja limpa, as pessoas precisam pisar na areia antes de mergulhar, o que é perigoso em alguns lugares. Por isso, por precaução estamos emitindo alertas", explica Dias.

O Ibama recomenda que se evite qualquer contato ou manuseio do material e que o banhista comunique a ocorrência imediatamente ao órgão ambiental local. Em caso de contato com o óleo, a recomendação do Ibama é que a pessoa passe primeiro gelo ou óleo de cozinha, antes de lavar com água e sabão.

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