Veja os riscos à saúde do contato com o óleo e quais cuidados a tomar

Contato direto com material pode causar desde irritações na pele até problemas respiratórios

Phillippe Watanabe
São Paulo

Voluntários têm tomados as praias do Nordeste para operações de limpeza do óleo que atinge a região desde 30 de agosto, mas a falta de equipamentos de proteção adequados, essenciais para evitar riscos à saúde, é um fator preocupante na ação das pessoas.

Segundo o Ministério da Saúde, não se deve entrar em contato com o óleo que já atingiu 233 locais de 88 cidades dos nove estados do Nordeste. A orientação ganha ainda mais peso no caso de crianças e gestantes.

A pasta também afirma que o indicado é evitar contato com solo e água contaminados.

 

Mas não é difícil encontrar imagens de pessoas trabalhando sem o equipamento necessário na retirada do óleo, como sem camiseta, de chinelo e até mesmo sem proteção nas mãos.

Alessandra Romiti, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia, afirma que o manuseio do óleo sem luvas de PVC pode levar a quadros de dermatite de contato e até mesmo a queimaduras --dependendo da exposição do material ao sol. 

Caso ocorra um contato sem luvas ou botas com o material, a indicação é que se lave o óleo do corpo com água e sabão. Se a substância não estiver saindo, pode-se usar óleo de cozinha para ajudar na remoção. 

A especialista diz que não se deve usar solventes para retirar o óleo do corpo, considerando que a substância pode aumentar o risco de uma reação alérgica.

Se aparecerem sinais de alergia ou descamação, o indicado é procurar um médico.

Caso o óleo acabe entre em contato com os olhos, deve-se buscar rapidamente sua remoção, lavando a área com água corrente e um xampu infantil neutro (para evitar maior irritação nos olhos).

A entrada na água para recolhimento de placas de óleo também só deveria ocorrer com roupas que servissem de proteção para o indivíduo, com aquelas de neoprene.

Também é importante a proteção dos olhos e das vias aéreas, respectivamente com óculos e máscara. De acordo com o Ministério da Saúde, os vapores derivados do óleo podem causar dificuldade de respirar, dores de cabeça e inflamação dos pulmões.

A exposição a longo prazo pode levar à danos nos pulmões, fígado, rins e ao sistema nervoso; supressão do sistema imune; problemas hormonais e infertilidade; desordens do sistema circulatório e até câncer.

"Qualquer tentativa de remoção não deve ser feita sozinha", diz Diego Igawa Martinez, coordenador de projetos de Proteção do Mar da SOS mata atlântica. Segundo o biólogo, o ideal é que as pessoas se juntem a grupos de voluntários que estão fazendo a limpeza das praias.

Após coletado, o óleo deve ser armazenado em tambores, bombonas ou tonéis e ficar fechado, considerando que trata-se de material inflamável. Sacos de lixo, pelo risco de se rasgarem, não são indicados para armazenamento. 

O Ibama definirá a destinação do óleo coletado.

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