Fotógrafo registra beleza e fragilidades pantaneiras

Em nove expedições, João Farkas captou beleza e tragédia

São Paulo

Em nove expedições feitas nos últimos cinco anos, o fotógrafo João Farkas captou em suas imagens a beleza e a tragédia pantaneiras. Aves que sobrevoam o fogo e o leito de um rio completamente seco são algumas das cenas registradas por ele.

"Quando conheci o Pantanal, fiquei tão espantado com a diversidade da região que não quis mostrar apenas as ameaças", diz. "Vi que precisava contar ao Brasil o que é o Pantanal, que vai muito além da piranha e do jacaré."

Queimada atinge vegetação no Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro - João Farkas

Farkas faz parte do Documenta Pantanal, uma rede de profissionais (fotógrafos, cientistas e produtores rurais, entre outros) que divulga os potenciais da região e alerta sobre as ameaças que a rondam.

"As pessoas ainda acham que o bioma está enorme, preservado. Pensam que o Pantanal é indestrutível. Mas a natureza ali é muito frágil e está vulnerável", afirma Farkas.

O fotógrafo mostrou o impacto da ocupação humana na Amazônia nas décadas de 1980 e 1990 no livro "Amazônia Ocupada". Mas, para ele, o Pantanal corre risco maior.

"O assoreamento dos rios ocorre rapidamente. As mudanças climáticas mudaram os padrões de cheias. Regiões antes usadas para a criação de gado estão abandonadas. Precisamos apontar soluções."

Entre as ações do Documenta Pantanal está o lançamento de um livro com as imagens de Farkas, em fevereiro, e de um filme, no final deste mês.

O documentário "Ruivaldo, o Homem que Salvou a Terra", dirigido por Jorge Bodanzky e codirigido por Farkas, mostra a luta de um fazendeiro diante das consequências do assoreamento do rio Taquari.

A Folha promove exibição gratuita do filme seguida de debate em 25 de novembro, em São Paulo. O evento acontece às 19h, no Espaço Itaú de Cinema Augusta (​r. Augusta, 1.475). A retirada de ingressos será feita na bilheteria a partir das 18h.

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