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Ricardo Salles afirma que Amazônia já tem 'desmatamento relativo zero'

Desmatamento anual equivale à área superior à do Distrito Federal; ministro diz que derrubada representa 0,16% do bioma

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São Paulo

Para Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, o Brasil já atingiu o desmatamento zero —pelo menos do ponto de vista relativo. Os últimos dados oficiais —relativos ao período 2017-2018— apontam as maiores taxas de destruição do bioma da última década

"Busca-se o zero absoluto ou o zero relativo? O zero relativo nós já atingimos", disse Salles à Folha.

A afirmação foi feita à reportagem nesta quinta (4), em São Paulo. O ministro se preparava para participar de evento do Instituto Semeia sobre concessão de parques nacionais

Na noite de quarta-feira (3), Salles disse, em entrevista à Central Globo News, que o desmatamento na Amazônia representava 0,002% do bioma. Hoje, disse que o número real é 0,16%.

O ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles - Amanda Perobelli/Reuters

"Quando comentei do 0,2 é para termos distinção e perspectivas do que se está falando em termos de volume de desmatamento. Nós já temos um desmatamento que, em números inteiros, já é zero, é 0,2. Então não estamos longe do desmatamento ilegal zero", afirmou.

O desmatamento anual ao qual o ministro se refere, contudo, é equivalente a área superior à do Distrito Federal. A taxa de desmate entre agosto de 2017 e julho de 2018 foi de 7.536 km².

"Quantos Distritos Federais cabem na Amazônia?", rebateu. "O que precisamos fazer, dentro desse desmatamento ilegal, é adotar as medidas que forem adequadas para reduzir ainda mais o ilegal. Mas essa melhoria, na nossa opinião, passa por uma melhoria na gestão de recursos", disse.

Segundo Maurício Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil, a matemática do ministro não faz sentido. "É uma área enorme. Fingir que o problema não existe é o primeiro sinal de que não se quer combater o problema. É brincar com dados para fingir que o problema não existe."

Um dos pontos de reclamação de Salles e do governo Bolsonaro diz respeito a uma suposta publicidade ambiental brasileira negativa no exterior, o que teria como objetivo a criação de barreiras comerciais. 

Sem citar exemplos, Salles afirma que essas ações partiriam de concorrentes do Brasil no agronegócio —afirmação repetida, sem quaisquer evidências, por membros do governo Bolsonaro e por pessoas próximas ao atual ministério do Meio Ambiente. "Isso é uma questão comercial. Nós temos realmente uma pressão comercial direcionada a exacerbar uma agenda negativa ambiental brasileira que não existe", afirmou o ministro. 

"A imagem do Brasil não é negativa. A agropecuária é respeitada lá fora. O que causa constrangimento à imagem do país é esse tipo de fala, são os líderes do governo com discursos que não têm consistência nenhuma, que vão contra dados e análises", afirma Voivodic.

Nesta quinta (4), Jair Bolsonaro disse que nem o presidente francês, Emmanuel Macron nem a chanceler alemã, Angela Merkel, têm autoridade para discutir políticas ambientais para o Brasil.

“Esses dois em especial achavam que estavam tratando com governos anteriores, que, após reuniões como essa [G20], vinham para cá, demarcavam dezenas de áreas indígenas e quilombolas, ampliavam área de proteção. Ou seja, dificultavam cada vez mais nosso progresso.”

Na tarde de quarta (3), Salles se encontrou com os embaixadores da Noruega e da Alemanha para discutir mudanças no Fundo Amazônia, iniciativa mantida por doações desses dois países que visa a redução de desmatamento. Para Salles, as perspectivas são de uma solução positiva para o fundo.

Segundo o ministro, o ponto que trava o avanço das conversas quanto ao fundo é a composição do Cofa (Comitê Orientador do Fundo Amazônia). Salles pretende reduzir os assentos do conselho e aumentar o poder de decisão do governo federal —ação semelhante foi tomada quanto ao Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

"Os doadores entenderam que essa redução tornava muito concentrado o poder. Eles trouxeram uma ideia diferente. Esse meio do caminho que estamos agora", disse. 

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