Não se deve confiar nos balanços de vendas de fim de ano

Associações divergiram, mas concordaram num ponto: suas estimativas têm algo de palpite

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O ano de 2019 deixou uma lição: não se deve confiar nos balanços de vendas de fim de ano divulgados pelas guildas de comerciantes.

A Associação dos Lojistas de Shoppings festejou um crescimento de 7,5%, e a Associação Brasileira de Lojistas Satélites disse que 70% das lojas tiveram movimento menor, enquanto 30% registraram pequena melhora.

As duas guildas divergiram, mas concordaram num ponto: suas estimativas têm algo de palpite.

Representatividade

A Associação dos Magistrados Brasileiros e a Associação dos Juízes Federais recorreram ao STF com argumentos legais contra a instituição dos juízes das garantias.

Entidades que se denominam associações devem ter algum compromisso com os associados. Cinquenta desembargadores e juízes federais assinaram uma carta aberta defendendo o novo instituto. Isso indica que gente com qualificação jurídica apoia a iniciativa.

Se há magistrados a favor e contra, o melhor que as guildas têm a fazer é manter silêncio. Já basta a Ordem dos Advogados do Brasil, que há duas décadas se mete até em briga de cachorro.

Javert e Bacamarte

Na carta aberta em defesa dos juízes das garantias os magistrados fizeram um interessante floreio literário:

“Defendemos que a melhor Justiça criminal será prestada por uma magistratura que recusa a renitência persecutória de Javert e também o arbitrário aprisionamento das diferenças pelo Alienista.”

Javert era aquele policial obcecado na perseguição de Jean Valjean, o emocionante personagem de Victor Hugo em “Os Miseráveis”.

O Alienista era o doutor Simão Bacamarte, de Machado de Assis, aquele que acabou botando quase toda a população de Itaguaí no hospício. 

Leia mais textos da coluna de Elio Gaspari deste domingo (5):

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