Descrição de chapéu saúde

Em séries de TV e reality shows, Hawking reforçava status de ícone pop

Físico, que morreu aos 76, tornou-se o cientista mais célebre do  desde Einstein 

Reinaldo José Lopes
São Carlos

Como seria de esperar, Stephen Hawking foi citado logo no episódio piloto da série cômica “The Big Bang Theory”. “Consegui esta gravação de uma palestra dele de 1974, antes que ele virasse uma voz bizarra de robô”, gabou-se para seus amigos nerds o engenheiro aeroespacial Howard Wolowitz (interpretado por Simon Helberg). Para reforçar a expressão “voz bizarra de robô”, o ator ainda ficou batendo no lábio superior com o dedo, imitando a articulação mecanizada do software que o físico usava para se comunicar.

Crueldade? Ofensa? Hawking, pelo visto, não ficou bravo com a brincadeira —tanto que acabou aparecendo em pessoa em sete outros episódios da série (ou, OK, em cinco, se descontarmos os dois episódios em que apenas sua voz robótica participou do show).

Essa talvez tenha sido uma das características mais marcantes do pesquisador britânico: a disposição para reforçar seu status de ícone pop sem esquentar demais a cabeça com uma suposta seriedade científica. Ele parecia estar se divertindo.

A mais memorável dessas participações brinca justamente com o lugar que Hawking ocuparia no panteão da física nos séculos vindouros –no século 24, para ser mais exato. Trata-se do último episódio da sexta temporada de “Jornada das Estrelas: A Nova Geração”, de 1993. 

A história se inicia com um jogo de pôquer do qual participam versões holográficas do pesquisador, de seu conterrâneo Isaac Newton e de Albert Einstein, enfrentando o androide comandante Data (alerta de spoiler: Hawking ganha o jogo e faz as principais piadas da cena).

Durante sua visita ao set, o cientista quis ver o local da nave cenográfica responsável pelas viagens mais rápidas que a luz (“Estou trabalhando nisso”, brincou ele) e fez questão de se sentar na cadeira do capitão Picard (Patrick Stewart).

“OS SIMPSONS


É impossível não associar Hawking a “Os Simpsons”, série na qual as versões animadas do físico tiveram as aparições mais épicas. Nos desenhos, ele já salvou Lisa com uma cadeira de rodas equipada com engenhocas de agente secreto (e foi confundido por Homer com outro cadeirante famoso, o editor pornô Larry Flint), cantou rap, foi dono de restaurante e apareceu perdido no meio de um labirinto de milho (daqueles supostamente feitos por ETs visitando a Terra). 

Matt Groening, criador de “Os Simpsons”, presenteou Hawking com um boneco feito à imagem de sua aparência nos desenhos animados durante o “British Comedy Awards” de 2004 —na mesma data, o físico entregou a Groening um prêmio pelo conjunto da carreira. Hawking também apareceu diversas vezes em “Futurama”, outra série animada do criador de “Os Simpsons”.


Documentários e até reality shows já contaram com sua presença física ou com sua voz, mas é bem provável que a representação definitiva de Hawking na cultura popular seja o “tour de force” do ator Eddie Redmayne em “A Teoria de Tudo”, cinebiografia de 2014.

A produção usou o sintetizador de voz do próprio físico, mas a capacidade de Redmayne de mimetizar o declínio motor de Hawking é que roubou a cena, rendendo-lhe um Oscar. 
 

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