Qual cientista do Brasil você conhece?

Pesquisa revelou que 93% dos jovens não sabem citar o nome de cientista do país

Mateus Camillo
São Paulo

Nesta segunda (8), é comemorado tanto o Dia Nacional da Ciência quanto o do Pesquisador. A data é também a origem da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), entidade civil voltada para a defesa do avanço científico no país.

Não há muitos motivos para celebração, no entanto. 

No primeiro semestre deste ano, milhares de bolsas de pesquisa foram congeladas e dois grandes protestos contra o corte de verba na educação tomaram as ruas do país no mês de maio. 

A memória coletiva também não privilegia a ciência.

Em junho, uma pesquisa realizada pelo INCT-CPCT (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia) apontou que 93% dos jovens brasileiros não sabem citar o nome de um cientista do país.

A Folha pediu a seus seguidores nas redes sociais que indicassem qual cientista do Brasil eles conheciam ou lembravam.

Lidera o ranking das respostas o neurocientista Miguel Nicolelis, famoso por mostrar o exoesqueleto na abertura da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. 

Há desigualdade de gênero no resultado. A primeira mulher a aparecer na lista, a geneticista Mayana Zatz, foi só a sexta mais lembrada.

Conheça os cientistas mais citados pelos leitores:


Miguel Nicolelis, 58

Miguel Nicolelis
Miguel Nicolelis - Bruno Santos/Folhapress

 Neurocientista da Universidade Duke, nos EUA. Seus estudos buscam integrar o cérebro humano com máquinas para reabilitar pacientes que sofrem de paralisia nos movimentos do corpo. Na abertura da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, exibiu um exoesqueleto que possibilitou a um paraplégico dar um chute leve numa bola.


Marcelo Gleiser, 60

Marcelo Gleiser
Marcelo Gleiser - Joseph Mehling/Divulgação

Professor titular de física, astronomia e filosofia natural no Dartmouth College (EUA), ficou conhecido do grande público por seus best-sellers sobre cosmologia e pelas aparições na TV.  Em março de 2019,  Gleiser se tornou o primeiro latino-americano a receber o prêmio Templeton, espécie de Nobel do diálogo entre a ciência e a espiritualidade.


Oswaldo Cruz 

(1872-1917)

Oswaldo Cruz
Oswaldo Cruz - Reprodução

Médico sanitarista, hoje herói nacional, enfrentou enorme resistência popular às suas ideias. No começo do século 20, contrariou o conhecimento da medicina da época ao defender que a febre amarela era transmitida por um mosquito. Em 1904, encarou a Revolta da Vacina, ao tentar promover uma vacinação em massa contra a varíola.


Carlos Chagas 

(1879-1934)

Carlos Chagas
Carlos Chagas - Divulgação

Biólogo, médico sanitarista e bacteriologista, teve papel importante na erradicação da malária no país. Em 1908, detectou protozoários no intestino dos “barbeiros”, insetos sugadores de sangue, e conseguiu relacioná-los à doença cardíaca misteriosa que atingia a população do interior de Minas Gerais, hoje conhecida como doença de Chagas


César Lattes 

(1924-2005)

César Lattes
César Lattes - Acervo UH/Folhapress

Formado em física e matemática aos 19, era considerado um prodígio. Aos 23, teve seu maior feito: ao lado do inglês Cecil Frank Powell e do italiano Giuseppe Occhialini, descobriu uma partícula no interior do núcleo atômico, o méson pi, pontapé inicial do campo da física de altas energias. Seu colega inglês recebeu sozinho um Nobel pelo trabalho


Mayana Zatz, 71

Mayana Zatz
Mayana Zatz - Zé Carlos Barretta/Folhapress

Zatz é professora de genética e diretora do Centro de Pesquisas sobre o Genoma Humano e Células-Tronco da USP. Ela é responsável por algumas das pesquisas mais importantes sobre o tratamento de distúrbios musculares no Brasil. Foi uma das principais vozes no debate que levou à aprovação de pesquisa com células-tronco embrionárias no país


Suzana Herculano-Houzel, 47

Suzana Herculano-Houzel
Suzana Herculano-Houzel - Leo Pinheiro/Valor

A bióloga e neurocientista carioca ganhou o mundo em 2009 ao publicar um estudo mostrando que o cérebro humano é composto de 86 bilhões de neurônios. Em 2016, saiu do Brasil e da UFRJ, por considerar que o país não oferecia mais condições para pesquisa. Hoje, atua na Universidade Vanderbilt, nos EUA, e é colunista da Folha


Joana D’Arc Félix, 55

Joana D'Arc Félix de Sousa
Joana D'Arc Félix de Sousa - Gabriel Cabral/Folhapress

A pesquisadora e professora de química nascida em Franca (SP), negra e de origem pobre, conseguiu trajetória acadêmica admirada. Ela tem mestrado e doutorado na Unicamp e é docente da Escola Agrícola de Franca. Em maio deste ano, reportagem revelou que ela não tem pós-doutorado em Harvard nem parte das patentes que afirmava ter

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