Descrição de chapéu The New York Times

Gatos têm vínculos tão fortes com pessoas quanto os cachorros, diz estudo

Comportamento dos felinos é muito menos pesquisado que o dos cães

Rachel Nuwer
The New York Times

Na disputa eterna entre cachorros e gatos, existe um vencedor claro de relações públicas.

O cão é o melhor amigo do homem. Enquanto isso, o relacionamento com gatos muitas vezes é tido como mais transacional. Misteriosos, independentes, distantes, só ficam com humanos por alimentos.

Gatos descansam na vila de Krompach, perto da cidade de Cvikov, na República Tcheca - David W Cerny - 11.jul.2019

Ou talvez não. Na última semana, pesquisadores anunciaram que os gatos têm vínculos tão fortes com pessoas quanto os cachorros ou os bebês.

"Ouço isso frequentemente: 'Eu já sabia, eu sei que os gatos gostam de interagir comigo'", disse Kristyn Vitale, cientista da Oregon State University especializada em comportamento animal e autora principal do estudo recém-publicado na Current Biology. "Mas no âmbito da ciência, você não sabe de nada enquanto não põe à prova."

O comportamento dos gatos é muito menos pesquisado que o dos cães. Mas estudos recentes começam a mergulhar mais fundo na sua vida social.

"A ideia de que gatos não se importam realmente com pessoas ou não reagem a elas não se sustenta", disse a cientista.

Em um estudo de 2017, Vitale e seus colegas constataram que a maioria dos gatos prefere interagir com uma pessoa a comer ou brincar com um brinquedo. Em outro, de 2019, eles descobriram que os gatos mudam seu comportamento conforme a quantidade de atenção que recebem.

Outros cientistas também descobriram que eles são sensíveis às emoções e aos estados de ânimo humanos e que reconhecem seu nome.

Mas pesquisadores haviam chegado a conclusões distintas sobre se os bichos formam vínculos com donos. Então, a equipe de Vitale fez um estudo para testar a hipótese.

Eles recrutaram donos de 79 filhotes e 38 gatos adultos para participar de um "teste de base segura", um experimento usado para medir os vínculos que cães e primatas formam com seus cuidadores.
Um teste semelhante é realizado com bebês humanos.

No experimento, os donos entraram em um ambiente não familiar com seus animais. Depois de dois minutos, o dono saía da sala, deixando o gato sozinho --uma experiência potencialmente estressante. Quando o dono voltava, os pesquisadores observavam a reação do felino.

Dois terços dos gatos saudaram e em seguida voltaram a explorar a sala, retornando a ele periodicamente. Os pesquisadores concluíram que esses animais tinham um vínculo seguro, ou seja, que enxergavam o tutor como base segura em uma situação desconhecida.

"Pode ser uma adaptação do vínculo que tiveram com seus pais quando eram pequenos", afirmou Vitale. 
Cerca de 35% dos gatos revelavam um apego inseguro: ou evitavam se aproximar de seu dono ou se agarravam a ele quando ele voltava à sala. Para Vitale, isso não significa que esses pets tenham um relacionamento negativo com os tutores, mas que não os enxergam como uma fonte de segurança e alívio do estresse.

As conclusões espelham os resultados de estudos realizados com cães e com crianças humanas. No caso dos bebês humanos, 65% exibem um apego seguro com seus cuidadores; no caso dos cães, são 58%.
 

Tradução de Clara Allain

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