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22/08/2010 - 13h51

Cientistas atacam tratamentos com células-tronco

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GIULIANA MIRANDA
DE SÃO PAULO

A proposta é tentadora: cura ou melhora significativa para esclerose múltipla, Alzheimer, lesões na medula e vários outros males que a medicina tradicional até agora não consegue resolver de forma definitiva.

Mesmo sem documentação científica que comprove esses resultados, é cada vez maior o número de pessoas que se aventuram por clínicas que oferecem tratamentos com células-tronco. A maioria em países com regras frouxas quanto a seus riscos e eficácia.

O chamado "turismo de células-tronco" atingiu escala global e, até maio de 2009, pesquisadores já tinham identificado 27 países que disponibilizam o tratamento.

Embora a maioria dos centros fique na Ásia, com destaque para China e Índia, há polos também em países da Europa, como a Alemanha.

Para atrair clientes do exterior, as clínicas têm sites bem cuidados --normalmente com versões em inglês e francês-- com fotos e depoimentos de pacientes relatando o progresso após serem submetidos à terapia.

No topo do ranking de tratamentos estão as doenças degenerativas, como mal de Parkinson. Derrames e diabetes vêm logo atrás, seguidos por lesões na espinha. Embora menos comum, terapia contra HIV/Aids também pode ser encontrada.

"As células-tronco são muitas vezes apresentadas como solução milagrosa para qualquer problema. Isso é sensacionalismo. As terapias realmente comprovadas ainda são muito restritas", diz Lygia Pereira, do departamento de Genética e Biologia Evolutiva da USP.

Divulgação
A estudante tetraplégica Yoko Sugimoto, 26, recebe a primeira aplicação de seu tratamento com células-tronco na China
A estudante tetraplégica Yoko Sugimoto, 26, recebe a primeira aplicação de seu tratamento com células-tronco na China

ÚNICA ESPERANÇA

Uma vez no organismo dos pacientes, as células-tronco estão sujeitas a uma série de problemas, desde o crescimento fora de controle até a transformação em células diferentes das desejadas. Em alguns casos, até tumores. Esses riscos não costumam ser descritos pelas clínicas.

Para a geneticista, os centros oferecem falsa esperança de cura e se aproveitam do desespero da doença.

"É muito difícil, como profissional e ser humano, dizer para alguém que não existe alternativa, mas os médicos e os pesquisadores têm de ser fortes. A ciência séria precisa de comprovação, por mais tentador que seja", afirma.

GUERRA DECLARADA

A questão dos bioturistas se tornou tão significativa que a Sociedade Internacional de Pesquisas com Células-Tronco (ISSCR, em inglês) criou um site (www.closerlookatstemcells.org) sobre isso.

Além de desmascarar os principais golpes - como simplesmente injetar soro e outras soluções no corpo do paciente- os especialistas se oferecem para analisar clínicas suspeitas.

Na página há um guia para download, com informações em cinco idiomas (o português deve entrar na lista até o fim de setembro).
Revistas científicas respeitadas, como "Science" e "Nature", têm abordado o tema mais regularmente desde o ano passado.

Este mês, a FDA (Federal Drug Administration), órgão que regulamenta os procedimentos médicos nos EUA, entrou na Justiça para impedir que uma clínica do Colorado oferecesse o tratamento com células-tronco.

Editoria de Arte/Folhapress
TURISMO BIOMÉDICO Veja quanto cobram e onde funcionam os centros de "tratamento" não regulamentados pelo mundo
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