Descrição de chapéu Crise da Água alckmin

Com atraso, Alckmin entrega obra contra seca no Cantareira

Sistema foi desenvolvido durante a crise hídrica que castigou o Estado

Fabrício Lobel
São Paulo

Com atraso de um ano, o governador Geraldo Alckmin inaugura na manhã deste sábado (3) a obra de interligação entre o rio Paraíba do Sul e uma das represas do sistema Cantareira, o principal reservatório de água da região metropolitana de São Paulo.

Alckmin é pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto e, de acordo com a legislação eleitoral, tem até a primeira semana de abril para deixar o cargo no governo para concorrer na eleição deste ano. 

Por isso, o governador tenta emplacar uma extensa agenda positiva em seus últimos dias no governo paulista.

Essa obra estava inicialmente no plano do governo paulista para ser entregue em 2020, mas, com a crise hídrica que castigou o estado de São Paulo em 2014 e 2015, o projeto teve de ser adiantado. Durante a crise, a interligação chegou a ser prometida para novembro de 2016, mas será entregue neste sábado, ao custo de R$ 555 milhões, financiados pelo BNDES.

A Sabesp (companhia paulista de saneamento) diz que o atraso se deu à demora na liberação de licenciamento da interligação.

Governador Geraldo Alckmin em Brasília, durante assinatura de contrato de financiamento de obras em São Paulo
Governador Geraldo Alckmin em Brasília, durante assinatura de contrato de financiamento de obras em São Paulo - Pedro Ladeira - 25.jun.2015/Folhapress

OBRAS

A obra liga por meio de bombas, túneis e adutoras duas fontes de água que antes não se comunicavam. Assim, uma poderá abastecer a outra em caso de estiagem, como a que deixou o Cantareira próximo a um colapso.

Apesar de serem de duas bacias hidrográficas diferentes, os dois pontos agora interligados ficam relativamente próximos, a 13 km.

A água que sair do Paraíba do Sul, na represa de Jaguari, será bombeada até um ponto a mais de 200 metros de altura. Depois disso, a água cairá por um túnel até a represa de Atibainha, no Cantareira.

O projeto é para que o mesmo caminho possa ser aproveitado no sentido contrário, ou seja, que a Grande São Paulo também possa ceder água ao rio Paraíba do Sul, que abastece parte do Vale do Paraíba e também à região metropolitana do Rio de Janeiro.

A Sabesp disse que a transferência de água para o lado do Paraíba do Sul entrará em operação neste mês.

O bombeamento tem a capacidade de transferir 5.100 litros de água por segundo no sentido do Cantareira e 12,2 mil no sentido Paraíba do Sul.

Nesta última sexta (2), o Cantareira tinha 40,6% de sua capacidade, caso seja considerado o volume de água abaixo dos tubos da captação de água da Sabesp na represa, o chamado volume morto.

Esse índice coloca o Cantareira no estado de atenção, quando a Sabesp tem que reduzir a captação dos tradicionais 33 mil para 31 mil litros de água por segundo.

Desde o início da estação chuvosa, em outubro, o Cantareira tem recebido 22% menos chuva do que o esperado.

CONFLITO

A interligação das duas bacias chegou a causar conflito entre três estados do Sudeste: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Embora as obras ocorram todas em território paulista, a água transferida pertence a um rio federal e que abastece também o Rio de Janeiro e Minas.

O Ministério Público também alegou que a transposição poderia causar danos ambientais, com consequências inclusive para a saúde.

Na época, o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, disse que não toleraria que São Paulo tirasse água do Rio. 

Após o embate entre os estados, um acordo entre os três estados teve que ser costurado com a ajuda da Ana (Agência Nacional de Águas) e o Supremo Tribunal Federal. Pelo acordo, os estados irão acordar o volume de água transferido nas situações de crise.

Erramos: o texto foi alterado

Diferentemente do que foi publicado, o sistema Cantareira estava com 52,5% de sua capacidade na última sexta (2), sem considerar o volume morto, e não 40,6% com essa reserva técnica.

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