Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Intervenção cede blindados do Haiti ao Bope com aparato menos letal

Militares pintaram, revisaram e tiraram arma principal de blindado antes de doação

Veículos blindados pretos com um emblema de caveira na frente
Viaturas blindadas Urutu, empregados no Haiti, doados pelo Exército ao Bope - Divulgação/Exército Brasileiro
Hanrrikson de Andrade
Rio de Janeiro

As Forças Armadas entregaram à Polícia Militar do Rio de Janeiro, na manhã desta quarta (28), três blindados de transporte de tropas adaptados para operações nas favelas da capital fluminense. 

Os tanques, que haviam sido utilizados pelos militares brasileiros na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti, estão agora sob os cuidados da divisão de elite da PM, o Bope (Batalhão de Operações Especiais), e contam com um aparato menos letal em comparação com as características originais.

Os blindados Urutu haviam passado por modificações para operar em favelas enquanto ainda participavam da missão de paz no Haiti, que aconteceu entre os anos de 2004 e 2017.

As principais mudanças foram a instalação de uma torre de metralhadora blindada para proteger o atirador (no projeto original, o operador da metralhadora ficava com as costas expostas a tiros) e de uma cabine de vidro blindada para o motorista, que tinha que ficar com parte da cabeça exposta para dirigir.

Antes de serem entregues para a polícia do Rio, os militares pintaram, revisaram e tiraram dos blindados a sua arma principal, a metralhadora pesada Mag, de calibre 7,62 —considerada letal demais para operações de segurança pública.

Mas a torre onde a metralhadora ficava permanece no veículo. A estrutura, situada no topo do blindado, permite que um agente de segurança possa visualizar o ambiente externo e efetuar disparos de fuzil —arma considerada mais adequada para operações em terrenos urbanos.

Além disso, segundo informou o GIF (Gabinete de Intervenção Federal), a torre possibilita a ação de agentes de inteligência, que podem, do local, observar a movimentação de criminosos e registrar imagens.

De acordo com as Forças Armadas, cerca de 300 Urutu estão em operação no Brasil. Atualmente, os militares estão substituindo esse tipo de veículo, fabricado entre as décadas de 70 e 80 e capaz de transportar até 13 pessoas (incluindo o motorista), por um modelo mais moderno, o Guarani.

Dois veículos blindados com as cores do Exército em favela no Rio de Janeiro
Blindado Urutu usado pelo Exército em operação no complexo do Alemão em 2011 - Paula Giolito -7.set.2011/Folhapress

Além dos Urutu, o Exército também entregou nesta quarta três blindados da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) que estavam com problemas de manutenção. Os veículos, conhecidos como “caveirões”, foram reformados nas oficinas das Forças Armadas e devolvidos à instituição fluminense.

Questionado sobre os custos empregados, o porta-voz do CML (Comando Militar do Leste), coronel Carlos Frederico Cinelli, afirmou que a “relação custo-benefício acaba sendo irrisória”.

Isso porque os equipamentos cedidos dariam mais segurança ao trabalho dos policiais em razão das estruturas de blindagem. Segundo ele, os valores são “irrelevantes”.

Os blindados também tiveram os pneus modificados antes de serem entregues à polícia, para reduzir os custos operacionais. Os que eram utilizados anteriormente, de nível militar, seriam mais caros. “São pneus de uso civil”, explicou Cinelli.

Participaram da cerimônia de entrega dos equipamentos o governador do Estado, Luiz Fernando Pezão (MDB), o interventor e chefe do GIF, general Walter Souza Braga Netto, o secretário de Estado de Segurança do RJ, general Richard Nunes, e oficiais das Forças Armadas e das polícias Civil e Militar.

A solenidade, que aconteceu na frente do Palácio Duque de Caxias, sede do CML, foi rápida e baseada em protocolos militares.

Ao fim do evento, o único a conversar com os jornalistas foi o porta-voz do Gabinete de Intervenção Federal, coronel Roberto Itamar.

“Esse é um primeiro passo de reforço que está sendo dado à segurança pública em termos de veículos. Outros passos serão dados e outros reforços virão. Viaturas ainda estão sendo adquiridas também. Em breve, a frota das polícias Militar e Civil poderá ser renovada e repotencializada”, disse.

Itamar explicou que a condução dos blindados será sempre feita por militares das Forças Armadas, e não por policiais militares. E disse não acreditar que a escassez de recursos na PM vão criar problemas relacionados ao abastecimento dos veículos.

“Os carros serão dirigidos por motoristas do Exército brasileiro. Já sobre a questão da gasolina, são passos que têm que ser dados mais adiante. Não faltará combustível suficiente para que esses carros rodem até porque eles estão sendo entregues com manutenção necessária. E, certamente, o aporte de combustível também será fornecido.  Não tem sido grande problema para a manutenção da frota que tem feito policiamento na cidade desde o início da intervenção”, afirmou.

A cessão dos tanques Urutu representa, de acordo com o GIF, um empréstimo para a Polícia Militar do Rio, porém não há um período determinado para que os veículos sejam devolvidos. Itamar explicou que, em tese, os equipamentos estarão à disposição enquanto vigorar a intervenção federal, mas disse não descartar prazo mais amplo.

Também foram colocados à disposição da PM e da Polícia Civil caminhões-reboque, ferramentas de manutenção e outros itens importantes para o bom desempenho dos blindados.

“Esses carros estão sendo entregues com toda infraestrutura necessária e toda a manutenção. Acompanha esse reforço a disponibilização também de viaturas-oficina. São quatro viaturas-oficina, dois caminhões-reboque e um carro lubrificante para que a manutenção dos carros possa ser mantida em condições de uso. A manutenção toda será feita em oficinas do Exército brasileiro”, declarou Itamar.

UOL

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