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Obra do monotrilho reduz ritmo após inaugurações às pressas para Alckmin

Tucano entregou estações incompletas antes de deixar o cargo no início do mês

Governo paulista reduziu o ritmo das obras na linha 15-prata do monotrilho, na zona leste, após correria para inaugurações de Alckmin
Governo paulista reduziu o ritmo das obras na linha 15-prata do monotrilho, na zona leste, após correria para inaugurações de Alckmin - Rivaldo Gomes/Folhapress
Thiago Braga
São Paulo | Agora

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Inauguradas às pressas no último dia de Geraldo Alckmin (PSDB) no cargo de governador do estado de São Paulo, as estações de quatro estações do monotrilho da linha 15-prata tiveram o ritmo de suas obras reduzido.

Entregues incompletas pelo tucano, as estações São Lucas, Camilo Haddad, Vila Tolstói e Vila União, todas na zona leste da capital, exigem ainda uma série de reparados para serem finalizadas. Os problemas, todos do lado de fora das estações, vão desde reformas nas calçadas a instalação de vidros e placas de grama.

A reportagem esteve nas quatro estações nesta segunda-feira (23) e constatou que as obras de acabamento ainda estão longe de serem entregues. “Essa inauguração foi precipitada, eleitoreira, só para o Alckmin tirar fotos”, aponta o comerciante Welton da Costa Silveira, 41, em referência à candidatura do ex-governador ao cargo de presidente nas próximas eleições, em outubro.

Apesar das reclamações, Welton diz que tem gente trabalhando todos os dias na estação São Lucas.

Já na estação Camilo Haddad, uma das mais incompletas, a incerteza toma conta dos moradores. “Se antes da inauguração tinham 200 funcionários, hoje tem 50, 100. Eles trabalham o dia e a noite toda, mas diminuiu a quantidade de funcionários, sim”, afirma a comerciante Maria Zilma Correa de Souza, 45.

Ela, que é dona de um restaurante próximo à estação, que recebe muitos dos funcionários da obra, afirma ter ouvido que em junho tudo estará pronto. Mas duvida e afirma que não vai andar no monotrilho da zona leste enquanto não houver a operação comercial. Por enquanto há apenas a operação assistida, que funciona de segunda a sexta-feira, sempre das 10 às 15h.

“Não ando nisso aí não. Não está pronto. O Alckmin entregou nas coxas para ser candidato”, resume a comerciante.

Na semana em que deixou o cargo, Alckmin fez uma maratona de inaugurações de estações de diferentes linhas do metrô. A correria fez com que as estações Moema (entregue na quinta) e Eucaliptos (no começo do mês), da linha 5-lilás, e a estação Oscar Freire, da linha 4-amarela, fossem inauguradas com falhas.

No caso do monotrilho, as quatro estações só foram inauguradas graças a uma vistoria do Corpo de Bombeiros feita em cima da hora.

Além da vistoria de última hora, a correria para terminar as obras a tempo de Alckmin entregá-las ficou evidente nas falhas de acabamento.

Pisos, corrimões e escadas rolantes ainda estavam cobertos de poeira da obra durante a visita de inauguração.

Havia fios e conduítes soltos, e a parte de paisagismo seguia pendente —mudas de árvores estavam nos canteiros sem terem sido plantadas.

O Sindicato dos Metroviários afirma que o que foi entregue foi apenas a estrutura. “Foi uma inauguração equivocada, já que as estações estão incompletas. É uma inconsequência”, afirma Raimundo Cordeiro, coordenador do Sindicato dos Metroviários.

O Metrô afirmou que, uma vez que foram entregues, “parece lógico que o número de operários tenha diminuído”. O órgão informa ainda que está prevista para o mês de junho a abertura das estações Jardim Planalto, Sapopemba, Fazenda da Juta e São Mateus.

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