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Rotina religiosa volta ao largo do Paissandu após tragédia e acampamento

Igreja que abrigava doações retoma missas e outra faz cultos em garagem

Jéssica Lima Regiane Soares
São Paulo | Agora

Após a saída de acampados que ficaram 101 dias com barracas no largo do Paissandu, a rotina religiosa começou a ser retomada no tradicional ponto do centro de São Paulo, marcado pelo incêndio e queda do edifício Wilton Paes de Almeida.

Mais de 30 sem-teto que ocuparam a área com barracas desde a tragédia —que deixou ao menos sete mortos no dia 1º de maio— saíram do local há dez dias, depois de uma negociação com a gestão Bruno Covas (PSDB) que se arrastou durante semanas.

Agora, a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos voltou a ter celebrações, após mais de três meses sem missas —para que seu espaço fosse utilizado para receber doações e abrigar os pertences dos acampados.

Além disso, a Igreja Evangélica Luterana de São Paulo, parcialmente destruída pelo fogo, passou em julho a realizar cultos em uma garagem nos fundos do prédio.

Segundo Sônia Maria Pereira, assistente social da Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, com a ida das famílias que estavam acampadas ao CTA (Centro Temporário de Acolhimento) Canindé e dos solteiros ao CTA Liberdade, ambos na região central, a igreja passou por limpeza, dedetização e reabriu no domingo (19) para missas às 19h30 e às 21h. Durante a semana, as celebrações são às 7h30, às 8h30 e às 18h.

O padre Reni Nogueira dos Santos, capelão auxiliar, diz que nesses três meses houve momentos de tensão. "Até pelo espaço de tempo, que provocou uma expectativa, e pela impossibilidade de as pessoas frequentarem a igreja. Mas agora está tranquilo", diz.

O contador Antonio Matheus, 77, comemorou a volta das atividades. Ele costumava assistir à missa das 8h30 com frequência, antes da ida ao trabalho. "Eu descia do ônibus e vinha direto para a igreja, assistia à missa e depois ia trabalhar mais leve. Foi uma pena ficar sem, mas entendi que não tinha condições", afirma.

A Igreja Evangélica Luterana de São Paulo, que fica ao lado do prédio que desabou no largo do Paissandu, foi diretamente atingida pelo incêndio.

Com a retirada do entulho acumulado pelo desabamento, os cultos voltaram a ser realizados no dia 8 de julho, na garagem ao fundo da igreja.

"Temos algumas restrições, mas conseguimos voltar com as nossas atividades aos domingos, 10h15. No último, até fizemos um almoço com 40 pessoas", afirma Nelseu Dietterle, secretário da igreja.

Segundo ele, por enquanto foram feitas somente obras emergenciais de escoramento das paredes da igreja, que é tombada pelo patrimônio municipal (Conpresp) e pelo estadual (Condephaat).

"Estamos em fase de projeto que deve durar cerca de quatro meses para depois começarmos as obras de fato, porque tudo é muito burocrático. A previsão é de que a igreja fique pronta em outubro de 2019", afirma Nelseu.

O valor orçado para a reconstrução da igreja —de estilo neogótico, inaugurada em 1908— é de R$ 4 milhões.

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