Descrição de chapéu Agora

Gestão Covas remove barracos e deixa entulho em córrego na zona oeste de SP

200 famílias foram retiradas da favela do Sapo, na Água Branca, por ordem judicial

Elaine Granconato Luciano Cavenagui
São Pauilo

Após destruir os barracos da favela do Sapo, na zona oeste da cidade, a Prefeitura de São Paulo descartou o entulho resultante da ação no córrego Água Branca, ao lado do qual se formara a comunidade de 200 famílias. Nesta quinta-feira (8), móveis empilhados, entre geladeiras e sofás, se misturavam aos inúmeros pedaços de madeira que sobraram das precárias residências, removidas na quarta (7) pela gestão Bruno Covas (PSDB).

Com o barraco derrubado, o carroceiro Carlos Roberto Bononi, 53, se viu obrigado a alojar a família dentro do seu carro velho enferrujado, um Gol sem rodas e placas de Santana de Parnaíba (Grande São Paulo). “Ele anda ainda, só tá quebrado. Não tenho dinheiro para arrumar”, justifica o agora sem-teto.

Pai de dois filhos, Nicole, 10, e Kennedy, 12, o carroceiro conta que as crianças e a mulher estão dormindo dentro do veículo. “Eu fico fora para cuidar do que sobrou”, aponta Bononi para a geladeira, máquina de lavar, armário e sofá, bem deteriorados pelo tempo e jogados na rua José Nelo Lorenzon. O interior do carro é divido com malas, roupas e brinquedos. A família residia no local havia três anos.

Situação semelhante da estudante Pâmela Taynah de Oliveira Lima, 18, e do vendedor ambulante Vanderson Michael da Silva, 20. O casal morava num barraco de madeira há um ano e meio. “Não sobrou nada. Só madeira”, afirma Pâmela, com os olhos no que sobrou da ação de desocupação. “Estamos nos virando em casa de amigos”, afirma Silva.

O secretário municipal da Habitação, Fernando Chucre, e o subprefeito da Lapa (zona oeste), Carlos Eduardo Batista Fernandes, vão responder ação na Justiça pela morte da menina Sofia, de um ano. Ela morreu na favela em março, durante enchente que atingiu o local.

A gestão Covas afirmou em nota que “parte do entulho ficou no leito do córrego” porque o local é de “difícil acesso”. “A remoção dos barracos facilitará a entrada das máquinas para a limpeza do espaço”, disse a Subprefeitura da Lapa.

De acordo com a gestão Covas, a retirada das famílias e dos barracos foi determinada pela Justiça. A prefeitura diz que os moradores foram avisados em agosto e que ofereceu atendimento na rede municipal de assistência.

Na manhã desta sexta (9), após a publicação da reportagem, uma equipe da prefeitura esteve na favela do Sapo com maquinário pesado e iniciou a limpeza do espaço. Os trabalhos foram acompanhados por homens da Guarda Civil Metropolitana.

Prefeitura limpa margem de córrego da favela do Sapo, em SP
Prefeitura limpa margem de córrego da favela do Sapo, em SP - Divulgação
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