Ministro da Saúde coloca militares em hospitais federais do Rio

Representantes das Forças Armadas vão atuar na reformulação de unidades

Júlia Barbon
Rio de Janeiro

Militares vão ocupar cargos nos seis hospitais federais no Rio de Janeiro como parte de uma reformulação dessas unidades a ser feita nos cem primeiros dias de governo, conforme anunciou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, nesta quarta (24).

A ideia é que representantes das Forças Armadas contribuam com a experiência adquirida em hospitais militares, principalmente na gestão de processos e abastecimento. Foi o próprio ministro quem pediu a colaboração ao Ministério da Defesa.

"Eu solicitei [a ajuda] porque os militares têm uma expertise muito boa em organização de estoques e reposição. Eles são muito capazes de trabalhar em ambientes que não têm ainda um ambiente de informatização pleno como deveriam já ter", afirmou ele após encontro com os diretores das seis unidades no Rio.

"O Exército e a Marinha vêm fazendo esse tipo de trabalho antes de haver computador, em sistemas manuais que funcionavam muito bem. Não é nenhuma salvação da pátria, mas para essa parte de abastecimento, almoxarifado e compras, eu acredito que eles podem colaborar muito", continuou.

O Rio de Janeiro tem o maior número de hospitais sob administração da União, todos localizados na capital fluminense: Andaraí, Bonsucesso, Cardoso Fontes, Ipanema, Lagoa e Servidores do Estado. Eles somam mais de 1.600 mil leitos e custam R$ 2,2 bilhões por ano, segundo o ministério.

O anúncio desta quarta marcou o início de uma força-tarefa do governo federal para melhorar a administração, a estrutura física e a eficiência dessas unidades. Mandetta já havia indicado, antes de assumir a pasta, que o "choque de gestão" no Rio seria uma das primeira ações de sua equipe.

O general Floriano Peixoto, secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência, órgão que também participa da força-tarefa, disse que não se trata de uma intervenção e que o objetivo é "racionalizar o processo de compras e fluxos dos hospitais".

"Vamos ter a participação de profissionais da Marinha, Exército e Aeronáutica nas instituições diariamente, ocupando posições dentro da estrutura administrativa. Podem ser, inclusive, civis que prestam serviços na saúde e que estarão sendo colocados à disposição", afirmou.

A intenção é que esses funcionários verifiquem in loco as necessidades de cada unidade. O grupo contará ainda com profissionais de hospitais de referência como Sírio-Libanês (SP), Albert Einstein (SP), Alemão Oswaldo Cruz (SP), Hospital do Coração (SP) e Moinhos de Vento (RS) --cujos representantes também participaram da reunião.

Essas unidades particulares devem transferir tecnologia, conhecimento e experiência em gestão para o SUS, em troca de um certificado de filantropia. Também está entre as metas do projeto a integração dos leitos federais no sistema de saúde do município, o que ainda não acontece hoje.

Os objetivos das mudanças são diminuir a espera por atendimento nas unidades de emergência, melhorar o tempo médio de internação de cada paciente, reduzir os índices de infecção hospitalar, diminuir as taxas de mortalidade e racionalizar a utilização de recursos.

HOSPITAL DE BONSUCESSO

O anúncio da ação integrada ocorreu no mesmo dia em que a diretora de um desses hospitais federais, o de Bonsucesso (zona norte do Rio), foi exonerada do cargo. Luana Camargo foi substituída interinamente pelo secretário de atenção à saúde do ministério, Francisco de Assis Figueiredo.

A unidade vem sofrendo com falta de medicamentos e materiais simples. Em meio aos problemas, a ex-diretora organizou uma festa para comemorar os 71 anos do hospital, o que gerou revolta de funcionários. Um comitê de médicos chegou a enviar uma carta ao ministro responsabilizando-a pela situação do hospital.

Nesta quarta, Luiz Henrique Mandetta disse que a unidade de Bonsucesso "vem atravessando essa questão de gestão" e "deve passar por uma reformulação total", mas sem "caça às bruxas" aos funcionários ligados à ex-diretora.

"Estive outro dia no hospital à noite e disse a eles que vai ser discutido um organograma, uma governança, uma série de perfis, até para ocupar cargos. Ele [Francisco Figueiredo] fica interinamente até que sejam definidos esses princípios, mas espero que até segunda-feira tenhamos uma equipe inicial para trabalhar."
 

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