Criança sem marca de vacina contra tuberculose não deve ser revacinada, diz ministério

Estudos apontam eficácia da vacina nas que não ficam com cicatriz e governo adota nova orientação

Natália Cancian
Brasília

Crianças que não apresentarem a “marquinha” de cicatriz vacinal após receberem uma dose da vacina BCG, que protege contra tuberculose, não precisam ser revacinadas.

A medida consta de uma nova recomendação do Ministério da Saúde divulgada nesta terça-feira (5) e encaminhada na última semana aos estados e municípios que coordenam serviços de vacinação no país.

A presença ou não da “marquinha” que fica no braço após a vacinação contra a BCG —e que medidas adotar diante da ausência dela— era uma velha dúvida dos pais.

Em geral, a cicatriz costuma aparecer em até seis meses após a aplicação. Em alguns casos, porém, a criança pode ficar com uma cicatriz discreta ou inaparente.

Até então, a recomendação era que crianças que não apresentassem a cicatriz procurassem um profissional de saúde experiente para examinar o local. Em caso de suspeita de falha vacinal, a orientação era que uma nova dose fosse aplicada seis meses após a primeira.

“A BCG é uma vacina de bactéria viva atenuada, e que quando aplicamos, faz uma reação local, variável de criança para criança. O critério que havia era que qualquer marca visível era adequado [para indicar a proteção], e quem não apresentasse nenhuma marca seria revacinada”, explica Juarez Cunha, presidente da Sbim (Sociedade Brasileira de Imunizações.)

Agora, porém, essa revacinação não será mais necessária. Segundo o ministério, a nova recomendação ocorre após estudos comprovarem a eficácia da vacina também em crianças que não ficam com a cicatriz.

“Seguimos a recomendação da Organização Mundial de Saúde com relação a BCG porque a ausência da cicatriz vacinal não significa que a criança não está protegida contra a doença”, afirmou por meio de nota a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Carla Domingues.

A decisão foi tomada no ano passado, após a OMS publicar os resultados dos estudos e a nova orientação aos países.

Segundo Cunha, da Sbim, entidade que faz parte do grupo que analisou as mudanças na recomendação, as análises mostraram que as crianças que não apresentavam a cicatriz se mostraram protegidas. Outro fator que fez retirar a necessidade de nova dose foi o risco de reações adversas, maiores com a segunda dose, informa.

VACINAÇÃO

Disponível no SUS, a vacina contra tuberculose deve ser dada às crianças após o nascimento, ainda nas maternidades, ou na primeira visita aos serviços de saúde.

A orientação é que a vacinação ocorra o mais precocemente possível. Caso isso não seja possível, a vacina está disponível nos serviços de saúde até os cinco anos.

Atualmente, a BCG é uma das que possuem maior adesão por ser aplicada em maternidades. Ainda assim, a tendência de queda na vacinação entre crianças no país preocupa. Em 2017, a taxa de vacinação de crianças no país atingiu o menor índice em 16 anos, conforme a Folha mostrou em junho do ano passado.

Em 2017, a taxa de cobertura vacinal da BCG em menores de um ano foi de 96,2%. Em 2018, dados preliminares apontam cobertura de 87,5% —​o número, porém, ainda pode crescer, já que os municípios têm até abril para enviar os dados.

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