Descrição de chapéu Rio de Janeiro Alalaô

Rio e Salvador terão sistema de reconhecimento facial no Carnaval

Capital baiana utilizará o mesmo sistema vigente na China, em que as próprias câmeras detectam rostos

Lucas Vettorazzo João Pedro Pitombo
Rio de Janeiro e Salvador

As cidades do Rio e de Salvador colocarão em testes durante o Carnaval um modelo de reconhecimento facial da população por meio de câmeras de segurança instaladas nas vias. O objetivo é que as autoridades possam monitorar a festa remotamente e identificar, por meio do reconhecimento facial, pessoas que tenham mandado de prisão em aberto, pessoas com passagens na polícia e desaparecidos. O sistema também tem capacidade de reconhecer placas de veículos. 

O uso de softwares de reconhecimento facial no combate à criminalidade foi defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) durante campanha eleitoral. Deputados eleitos pela bancada do PSL estiveram na China para conhecer o modelo adotado no país asiático. Apesar de a segurança pública ser uma bandeira defendida pela bancada, causou um racha no grupo o fato de parlamentares identificados com a direita terem visitado um país comunista. 

Os modelos que serão adotados em teste no Rio e em Salvador diferem entre si. No Rio, 100 policiais estarão de prontidão no CICC (Centro Integrado de Comando e Controle), para onde serão enviadas em tempo real as informações de 28 câmeras de trânsito espalhadas pelo bairro de Copacabana, na zona sul, onde funcionará o projeto-piloto.

As imagens faciais de suspeitos, assim como placas de carros, serão compiladas e transmitidas por um sistema da empresa de telefonia Oi. De posse das imagens, policiais irão comparar as fotografias com as do banco de dados da Polícia Civil e do Detran. 

O governo fechou uma parceria com a Oi sem ônus para o estado para colocar o piloto em funcionamento. Se der certo, a perspectiva é que um contrato fixo seja assinado para esse serviço. 

As atividades começarão na manhã da próxima sexta-feira (1º) e terminam na quarta-feira de Cinzas (6). Após dois dias de avaliação do sistema, o monitoramento é retomado por mais dois dias até ser encerrado por completo no domingo (10).

Já em Salvador, o sistema é o mesmo que o adotado na China, em que as próprias câmeras já dispõem de software de reconhecimento facial, por meio de cruzamento automatizado de informações já existentes em bancos de dados estatais. 

Os 42 portais que dão acesso aos três principais circuitos do Carnaval —Barra, Campo Grande e Pelourinho— terão câmeras de reconhecimento facial. A tecnologia será adotada pela primeira vez na festa este ano. 

O secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa, afirma que o objetivo é facilitar o reconhecimento de criminosos com mandados de prisão em aberto. A polícia também vai monitorar foliões com passagens pela polícia e usará a ferramenta para tentar localizar desaparecidos. 

“Temos o maior Carnaval a céu aberto do mundo. Por isso, buscamos inovar no uso de tecnologias para oferecer tranquilidade aos foliões", disse o secretário, que destaca que nos últimos anos houve redução da violência no Carnaval.  

Ao todo, a operação para o Carnaval terá 26 mil policiais e 430 câmeras. Dentre elas, há uma câmera 360°, com capacidade de observar grandes espaços e aproximar a imagem em 45 vezes, com qualidade de imagem em ambientes com baixa luminosidade.

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