Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Arsenal atribuído a acusado de morte de Marielle vale R$ 3,5 milhões, diz polícia

Para delegado, quantidade de armas indica que suspeito fornece para várias facções criminosas

Para delegado, quantidade de armas indica que suspeito fornece para diversas facções criminosas

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

A polícia avaliou em R$ 3,5 milhões as peças de fuzis encontradas pela Operação Lume, que prendeu dois acusados de matar a vereadora Marielle Franco na terça (12). Para os investigadores, a quantidade de peças indica que o policial reformado Ronnie Lessa é fornecedor de diversas facções criminosas do Rio.

Lessa é acusado de ligação com milícias, mas o delegado Marcus Amin, da Desarme (Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos) da Polícia Civil do Rio, diz que não há milícia no Rio com capacidade para comprar tantos fuzis.

"É uma quantidade que nos faz garantir que ele não vendia armas só para uma organização criminosa", afirmou. Ao todo, foram encontrados 117 fuzis incompletos - faltando apenas o cano.

Na maior apreensão de fuzis já feita no Rio, em 2017, foram encontradas 60 unidades dentro de aquecedores para piscinas importados dos Estados Unidos pelo aeroporto do Galeão. Neste caso, porém, as armas já estavam montadas.

As peças atribuídas a Lessa foram encontradas dentro de caixas de papelão na casa de seu amigo Alexandre Motta. Lessa e o ex-policial Elcio Queiroz são acusados de matar Marielle e o motorista Anderson Gomes há um ano.

Armas e munições apreendidas na casa de Alexandre Motta, amigo de Ronnie Lessa
Armas e munições apreendidas na casa de Alexandre Motta, amigo de Ronnie Lessa - Divulgação

Os três estão presos e prestaram depoimento nesta quarta (13) sobre as armas. O advogado de Motta, Leonardo da Luz, diz que ele desconhecia o conteúdo das caixas, que estavam lacradas em sua casa desde dezembro. As defesas de Lessa nega que os fuzis sejam dele.

De acordo com Amin, as peças não são originais, mas podem produzir fuzis com o mesmo poder letal. "O material é muito bom. Não foi feito por qualquer um", diz ele. Foram produzidas sobre a plataforma do fuzil M-16, da canadense Colt, que já perdeu a patente.

Em 59 delas, foi gravada a marca da Colt. Nas outras 58, da fabricante alemã HK, com o modelo M-27 e número de inscrição do USMC (US Marine Corps, o corpo de fuzileiros navais dos Estados Unidos), o que gerou debate sobre a possibilidade de desvio de armas das forças armadas norte-americanas.

Amin diz que a gravação é superficial e descartou a possibilidade. A Desarme abriu investigação para tentar descobrir a origem e qual seria o destino do arsenal. “De certa forma, é surpreendente que uma pessoa que era das forças de segurança tenha essa capacidade de comprar armas”, afirmou.

A polícia não sabe ainda por que os canos não foram encontrados - se ainda não haviam sido comprados ou se estão escondidos em outro lugar. Se as armas estivessem completas, diz Amin, valeriam em torno de R$ 4 milhões. A opção por trazer os fuzis desmontados pode ter o objetivo de facilitar a entrada no país.“Isso é prática corrente das organizações criminosas, para dificultar o rastreamento”, diz o especialista Vinícius Cavalcante, diretor da Associação Brasileira dos Profissionais de Segurança.

Para o presidente do Instituto de Criminalística e Ciências Policiais da América Latina, José Ricardo Bandeira, preocupa também o fato de serem peças novas, ainda sem uso."A história do tráfico de armas no Brasil é feita com armas usadas. Agora, são armas novas chegando ao país. Isso significa que a demanda está aumentando", comenta.

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