Descrição de chapéu Alalaô

Bancada evangélica acusa Gaviões da Fiel de intolerância religiosa em desfile

Cena com o Diabo duelando com Jesus em comissão de frente gerou polêmica

Anna Virginia Balloussier
Rio de Janeiro

​A Gaviões da Fiel deixou líderes evangélicos furiosos ao levar para o sambódromo paulista representações de Satanás e Jesus num embate em que o primeiro aparenta sair vitorioso. 

A comissão de frente da escola encenava uma disputa entre Jesus e forças do mal, incluindo o diabo. Após a repercussão, a escola publicou em suas redes sociais fotos de outro momento do desfile, em que Jesus sai vencedor da disputa, com os dizeres "Jesus venceu o mal".

A Frente Parlamentar Evangélica da Câmara dos Deputados disse, em nota divulgada nesta segunda (4), manifestar “profunda indignação e repúdio ao espetáculo” apresentado na madrugada deste domingo (3) pela escola de samba ligada ao Corinthians, que fez uma releitura do samba-enredo de 1994 “A Saliva do Santo e a Serpente do Veneno”, sobre a história do tabaco.

Para o presidente da bancada religiosa, Lincoln Portela (PR), “uma apresentação pública ofensiva e desrespeitosa a todos nós, cristãos, ao vilipendiar e escarnecer o Senhor Jesus Cristo e a nossa fé”.

Diz a nota assinada por Portela: “Entendemos que aquela apresentação não é arte, é crime. Nenhum direito é absoluto, logo o direito à manifestação artística não se sobrepõe à inviolabilidade da consciência e da crença”.

Coreógrafo da Gaviões, Edgar Junior teve uma entrevista à Globo recuperada. Nela, diz que o foco da comissão de frente da escola, que trouxe o embate entre Jesus e o Diabo, “era chocar”.

“Alcançamos nosso objetivo que era mexer com a polêmica Jesus e o Diabo e a fé de cada um.”

“Manifestações dessa natureza estimulam o desrespeito e a intolerância, caminho inverso àquele que nós, brasileiros, estamos buscando consolidar continuadamente”, afirma a bancada evangélica.

Candidata derrotada a deputada federal e ex-feminista convidada para trabalhar no ministério de Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), a católica Sara Winter afirmou à Folha que entrará com representação no Ministério Público contra a Gaviões. 

“Até o momento recebi mais de 600 emails de pessoas interessadas em processar a Gaviões”, diz. 

A deputada Lauriete (PR-ES), ex-mulher do ex-senador Magno Malta, e pastora como ele, também diz que vai acionar a Procuradoria contra a Gaviões. “São cenas preconceituosas, afrontosas e de vilipêndio ao sagrado para o povo cristão, que tem também meu repúdio.”

Líder da Igreja Batista Atitude, frequentada pela primeira-dama Michelle Bolsonaro, o pastor Josue Vallandro Jr. também se pronunciou sobre o desfile. “Se fosse uma encenação destruindo um altar de culto de outra religião e dando uma surra num preto velho [entidade umbandista], o que acham que o MP, os partidos de esquerda, a liga de escolas de samba fariam?”

Em redes sociais, a escola introduziu Edgar Junior, 33, como idealizador de uma “comissão de frente que chega forte para o desfile em 2019”.

Em sua conta no Instagram, a escola postou duas fotos sobre a polêmica. Em uma delas, Cristo aparece de braços abertos, após o embate com o diabo e os dizeres "Jesus vence o mal. Ele Vive". Em outra foto, um anjo com uma espada derrota o diabo. 

Rede social da escola Gaviões diz que Jesus venceu o embate no Anhembi
Rede social da escola Gaviões diz que Jesus venceu o embate no Anhembi - Reprodução

Nesta quinta (7), a Gaviões disse, em nota, que em sua comunidade de mais de 115 mil sócios há pessoas de " diferentes religiões e que dentro e fora da nossa entidade, todos foram e serão sempre respeitados, sem distinção, discriminação e diferenciação por suas escolhas religiosas".

A agremiação afirma que sempre levantará a bandeira "de que o bem sempre vencerá o mal", e que "apesar de as cenas de entrada de Jesus serem dele numa posição inferior, as cenas que antecedem a sua saída na coreografia representam o seu poder para acabar com a guerra, deixar a paz e abençoar a todos". ​

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